30 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?(2)

Ressurreição é conceito estranho
para o mundo contemporâneo

O segundo dia da XVII Semana de Estudos Teológicos começou com uma comunicação de Isabel Varanda, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. “Como falar da Morte, da Ressurreição e do Além. Ressonâncias paulinas” foi o tema tratado pela teóloga bracarense, que procurou responder à questão enunciada, no início, pela própria: «O ser humano, no século XXI, tem ainda capacidade para acreditar na ressurreição?»
Aos presentes, Isabel Varanda mostrou que «o conceito de ressurreição é estranho ao mundo moderno», ainda que o «ser humano viva uma contradição trágica entre a experiência da morte e o desejo de imortalidade».
Mostrando que as opiniões sobre esta questão são variadas, a docente da UCP frisou que essas interrogações levam a Igreja a interrogar-se de que modo pode devolver «plausibilidade e credibilidade à ressurreição» nos tempos que correm.
Todavia, surge precisamente aí o problema e a dificuldade da linguagem escatológica à qual deve ser imposto, como critério geral, o «princípio da parcimónia» com o qual, segundo a teóloga, não se obscureça a argumentação «nem com complexidade de conceitos nem com a ambiguidade de palavras nem com a multiplicação desnecessária de postulados e argumentos».
Na sua intervenção, a docente abordou algumas questões de escatologia, procurando caminhos de respostas e fazendo sínteses, mas deixando em aberto a discussão teológica da matéria.
À questão “Que significa o dom da imortalidade?”, respondeu que «a imortalidade no sentido bíblico não diz que o ser humano não é mortal», mas aponta para o corte das relações com Deus.
Em relação ao dualismo ou dualidade de corpo e alma e à questão “Com a morte biológica, o que morre ou quem morre?», disse que a corporeidade é um «momento constitutivo do ser» e que «não há alma separada de corpo nem corpo separado da alma». Nesse sentido, frisou que «a pessoa não é um corpo que vem a uma alma, nem uma alma que vem a um corpo».
Já a terminar, Isabel Varanda procurou elucidar os presentes para a questão “Com que corpo ressuscitam os mortos?” Apoiada em São Paulo – tal como aconteceu durante toda a intervenção –, a oradora afirmou que é «com o mesmo corpo», não terreno, mas um «corpo próprio que irradia a vida do Espírito».
Em relação ao que existe depois da morte, a docente falou sobre a doutrina da Igreja que refere o céu, o purgatório e o inferno. Sobre este último, disse: «O inferno é ver Deus e não querer partilhar a sua intimidade».

Descobrir o essencial!

Diante do Senhor que vem, reconhecemos que os nossos caminhos não são os seus (cf. Is 55, 9) e somos impelidos a converter-nos, a mud...