15 de março de 2009

Acreditar em Deus: Sim ou Não?

“Milagre” junta na FacFil uma centena de pessoas

Um “milagre”. Assim foi definido o facto de ontem de tarde se terem reunido mais de cem pessoas para debater o tema “Acreditar em Deus. Porque Sim? Porque Não”, organizado conjuntamente pelo Portal Ateu e pela Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Milagre porque juntou crentes e não crentes, porque se realizou numa faculdade católica e porque, numa tarde agradável de sábado, muitas foram as pessoas que marcaram presença.
Moderado por Pedro Morgado, médico e autor do blogue “Avenida Central”, o debate contou com a presença dos ateus militantes Ricardo Silvestre e Hélder Sanches e de Alfredo Dinis e Bernardo Motta, como representantes dos crentes.
Não houve vencedores nem vencidos até porque o objectivo não seria, de parte a parte, “converter” quem quer que fosse. No entanto, a opinião generalizada, quer durante quer no final da iniciativa, assenta no facto de ser como que um “milagre” conseguir sentar para debater pessoas crentes e não crentes, e ainda por cima com uma plateia numerosa, numa solarenga tarde de sábado.
Ricardo Silvestre começou por tentar desconstruir a ideia errada que se tem dos ateístas, muitas vezes considerados como monstros. Também Hélder Sanches, fundador do Portal Ateu, começou por acentuar que as pessoas vêm erradamente o ateísmo. Além disso, ambos elencaram algumas questões aos “opositores”, particularmente sobre a questão da imagem de Deus do Antigo Testamento e também da questão dos milagres.
Do outro lado da mesa, Bernardo Motta deu a conhecer algumas das razões e motivações para acreditar em Deus. Os testemunhos, a obra da criação, Jesus Cristo e a sua vida e obra e a tradição da Igreja são algumas das razões que levam o engenheiro a apresentar-se como cristão católico. «O cristianismo é coerente e revolucionário» afirmou, relevando que «sem razões para desconfiar, confio nos testemunhos dos Apóstolos e da Igreja».
Numa atitude mais crítica, Bernardo Motta identificou o ateísmo com um certo materialismo. Para os ateístas o real tem que ser material e logo o que não é matéria não existe. Por isso, atirou: «Nós não somos só matéria».
Por seu turno, Alfredo Dinis manifestou o carácter, de certo modo, invulgar da iniciativa. Depois disso, defendeu que «acreditar em Deus tem um base racional», mas também «uma base relacional».
Para o director da FacFil «a experiência religiosa de quem acredita baseia-se «na relação que tenho com os outros cristãos e com Deus», o que leva «a dar-lhes crédito».
O jesuíta defendeu que a imagem que tem de Deus «não tem nada a ver com a que muitos não crentes criticam», concretamente «um Deus cruel, sanguinário, hipócrita e polícia». Para Alfredo Dinis, Deus é Alguém que é a explicação última do universo, mas que respeita a autonomia e a liberdade dos seres criados.

Debate com temas-quentes

No final da apresentação dos oradores seguiu-se um período (longo) de debate. Os temas mais badalados foram os milagres, a leitura e a interpretação literal da Bíblia e a imagem de Deus, particularmente presente no Antigo Testamento. Mas questões ligadas aos direitos humanos, ao sofrimento, à não ordenação das mulheres e à moral tiveram tempo de antena.
Alfredo Dinis recusou a ideia defendida pelos “opositores” de que milagre tem de ser algo mirabolante e espectacular e acentuou o carácter mais natural e humano do milagre como sinal.
O jesuíta notou ainda que a tendência generalizada da Igreja é não reconhecer milagres.
Também Bernardo Motta defendeu que «o Cristianismo não pode viver sem a sua verdade fundamental – a ressurreição de Cristo – facto que não pode ser negado nem sequer pela ciência».
Elucidando e desmontando algumas ideias e preconceitos que olham o ateísmo com oposição às religiões, Hélder Santos esclareceu que «ateu é aquele que não acredita em qualquer Deus, não apenas no Deus cristão». Por isso, afirmou que «a questão de Deus não é essencial para uma pessoa ser boa ou má».

1 comentário:

  1. Obrigada amigo por este "cheirinho"... Gostei muito e gostava mesmo era de lá ter estado!
    Que bonito!!!

    Um abraço amigo!

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