13 de maio de 2009

Guimarães confirmada Capital Europeia da Cultura em 2012


Ministros da cultura europeus ratificam recomendação


É oficial. A cidade de Guimarães será Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2012, em conjunto com a cidade eslovena de Maribor. A cidade-berço foi, ontem à tarde, oficialmente designada capital durante a reunião de ministros da Cultura da União Europeia, em Bruxelas.
Os ministros dos 27, entre os quais José António Pinto Ribeiro, adoptaram ontem formalmente a recomendação elaborada, no final do ano passado, pelo painel de selecção europeu de avaliação das candidaturas, que confirmou o preenchimento de todos os requisitos por Guimarães e Maribor. Aquela decisão encerra um processo de selecção, iniciado há mais de dois anos, tendo a candidatura de Guimarães sido lançada no final de 2006 pela então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.
A decisão tomada, ontem, em Bruxelas era aguardada com naturalidade pelos responsáveis autárquicos vimaranenses, que encararam a designação oficial como «uma etapa formal» de um processo que, na prática, vem já sendo preparado no terreno, com auscultações e reuniões permanentes.
O programa cultural da CEC 2012 ainda está longe de se encontrar definido, mas a gestão autárquica já decidiu que será executado por uma entidade empresarial municipal que deverá evoluir para a constituição de uma Fundação. Será uma entidade dotada com um capital de meio milhão de euros, tendo como único accionista o Município de Guimarães e, como objecto principal, o da realização do evento, dotado com um orçamento global de 110 milhões de euros, 70 dos quais destinados a novos equipamentos e a regeneração urbana. A estrutura empresarial deve avançar assim que o Tribunal de Contas se pronuncie sobre os estatutos e o Município espera igualmente, muito em breve, desejavelmente até final de Junho, trazer o primeiro-ministro José Sócrates e o ministro da Cultura a Guimarães para efectuar o anúncio público das obras a realizar neste âmbito.
Entretanto, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, defendeu, ontem, em Bruxelas que Guimarães deve aproveitar a designação como Capital Europeia da Cultura'2012 para se renovar, a nível industrial, urbano e social, através de um programa «muito ousado». De acordo com o governante, o programa deverá ter «um eixo social, um eixo urbano e um eixo económico», que deverá permitir a Guimarães prosseguir o trabalho de recuperação e reabilitação urbana, sobretudo no centro da cidade, levar as pessoas a «ocupar de novo» esse centro, e tornar a cidade «base de uma indústria muito tocada pelas indústrias criativas». «Aquilo que nós queremos é que a indústria de Guimarães passe a ser profundamente tocada pelas indústrias criativas e que, através deste projecto de Capital da Cultura, nós consigamos transformar também industrialmente e, portanto, economicamente» a cidade, declarou.
A nível urbano, «quer-se fazer a recuperação e reabilitação de todo o centro e de tudo aquilo que é possível e necessário recuperar em Guimarães», disse. O "eixo social" do programa de Guimarães prende-se precisamente com a vontade de que «as pessoas sejam de novo entrosadas com a cidade, venham de novo ocupar esse centro», apontou. «Através deste projecto queremos contribuir decisivamente para que haja uma perspectiva de futuro, de superação de crise, de capacidade de renovação dos tecidos urbanos e industriais, e das pessoas num sentido cada vez mais europeu e cada vez mais cosmopolita», resumiu. O ministro confirmou também que «o envelope financeiro está completamente definido» e que «o valor que está previsto neste momento é de 110 milhões de euros», num esforço que implica o empenhamento da autarquia e do Governo, com recurso a fundos comunitários.
Recorde-se que Portugal e Eslovénia tinham direito a apontar as duas cidades para 2012, tendo a escolha portuguesa recaído, em Outubro de 2006, em Guimarães, classificada pela UNESCO Património da Humanidade, enquanto a Eslovénia elegeu Maribor, a segunda principal localidade do país depois da capital Ljubljana. A designação "Capital Europeia da Cultura", uma iniciativa da Grécia, foi aprovada pelo Conselho em 1985, com o objectivo de contribuir para a aproximação entre os povos europeus. Lisboa, em 1994, e Porto, em 2001, neste caso em conjunto com a cidade holandesa de Roterdão, também já ostentaram o "título" de Capital Europeia da Cultura, este ano "nas mãos" de Linz (Áustria) e Vilnius (Lituânia).

Texto Rui de Lemos/DM

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