25 de junho de 2009

A vida e a morte de mãos dadas

A vida não é só morrer mas também o é. Este é o começo de uma poesia que escrevi há algum tempo. Efectivamente é verdade. A vida e a morte são tão... próximas... parece que andam de mão dada.

Partilho convosco a minha experiência destes últimos dias: no domingo morreu um amigo meu, vítima de uma doença prolongada, mas morreu sem ninguém estar preparado. Nunca estamos preparados para "ver" morrer. Para a nossa morte devemos, na medida do possível estar... "Vigiai porque não sabeis o dia nem a hora".

Mas... o funeral foi terça-feira. Porque era meu amigo, porque sou amigo da família, presidi ao funeral, ainda que não à Eucaristia de corpo presente... Foi difícil, mas a fé, efectivamente, traz-nos aquela força, aquela paz, aquela confiança, aquela serenidade que não pensamos nunca alcançar num momento daqueles. Disse na homilia do funeral :"até para os que crêem a morte de um ente querido é uma experiência dolorosa e difícil de suportar". Para mim também foi.

Ontem, presidi ao baptismo do filho de uma colega minha de escola. Ao baptizar o Martim, no dia a seguir ao funeral do Monteiro, senti como a vida é algo de tão belo, cheio de alegria e com uma neblina de tristeza e insegurança a envolver.

Sinto que de alguma forma a morte foi o baptismo último do Monteiro em que ele renasceu para a vida eterna e definitiva com Cristo. Ele está agora nas núpcias do Cordeiro. O Martim renasce para a vida de filho amado de Deus.

Estas duas experiências, simultaneamente humanas e divinas, fizeram-me contactar com a realidade da vida a nascer e a morrer. Mas nas duas senti o selo da presença amorosa de Deus.

A nossa fé vai-se alimentando do corpo e do sangue de Cristo, da Palavra e dos sacramentos mas também destas experiências que vão trespassando a nossa vida.


Este era o poema que iria ler na missa do funeral. Acabei por não o fazer...

Ó Jesus, depõe este corpo
nas mãos do Teu e nosso Pai.
Coloca todo o peso da sua vida
não na balança
mas entre os braços do Pai.
Para onde poderemos fugir?
Onde nos poderemos enconder
senão junto de Ti,
que és irmão e companheiro nas amarguras
e que sofreste e amaste cada homem como irmão?
Senhor do eterno amor,
Coração de todos os corações
- ó coração trespassado, paciente,
indizivelmente bom; -
Vida de todas as vidas
Ressurreição de todos os homens:
acolhe com piedade e amor
o nosso amigo.
E quando a nossa peregrinação cessar
quando se aproximar o fim
o declinar do dia
e o envolvimento das sombras
envia-nos, com bondade, a tua Palavra de vida:
«Pai nas tuas mãos, entrego o meu espírito».
Ó meu bom Jesus. Amém.

2 comentários:

  1. Que lindo poema! Foi pena não ter sido lido! Teria sido um enorme consolo para os familiares e amigos do falecido...

    Apresento-lhe as minhas sinceras condolências...




    Vim a este blog com o intento de o convidar (bem como a todos os seus leitores) a participar numa iniciativa que estou a organizar: a eleição das 7 maravilhas da Igreja. Se tiver disposição, pode ir a

    http://cronicasdeumaperegrinacao.blogspot.com/2009/06/as-7-maravilhas-da-igreja.html

    Pax Christi

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  2. Também gostei muito do poema, é muito lindo!
    Acho que, mesmo que ele não tenha sido lido, de certo a sua escrita ficou "copiada" no céu para o seu amigo ler, porque Deus é tão bom que de certeza não o privou dessa homenagem!
    Desculpa, às vezes digo umas coisas meio estranhas... Que o diga a Alma Peregrina que me tem aturado estes últimos dias! eheheh
    Mas de forma sincera quero também deixar as minhas condolências, pois sei bem que nunca é fácil...

    Paz e Bem
    Luisinha

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