14 de agosto de 2009

Jovens e a doença mental: Campo de Férias I


Campo de férias termina hoje Casa de Saúde do Bom Jesus

Jovens convivem em Braga
com a diferença da doença mental



Dez jovens, oito raparigas e dois rapazes, quiseram, na Casa de Saúde do Bom Jesus, das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus passar uma semana em contacto com a realidade da doença mental. Nesta instituição de Braga, um grupo de jovens proveniente de Maciera de Sarnes, perto de Oliveira de Azeméis, mais uma jovem de Braga e outra de Vila Verde estiveram a participar num campo de férias solidário, onde o objectivo primordial é combater os estigmas de uma sociedade não aberta à diferença da doença mental.
O grupo juntou-se para participar num campo de férias solidário, actividade bastante comum entre as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, tal como acontece com os Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus, que estabelecem em conjunto um plano de actividades a desenvolver nas suas unidades de saúde mental. Durante uma semana, para além de actividades de carácter formativo, os jovens convivem directamente com os utentes da instituição que, na unidade bracarense são cerca de 400, divididos por várias unidades.
A Irmã Fernanda Oliveira, responsável pelo grupo juntamente com a Irmã Fernanda Caetano, acompanhadas por Carla Antão e por Susana Martins, disse ao Diário do Minho que se trata de uma actividade, com «longo historial dentro da instituição e dentro da própria congregação».
Ao longo dos dias, «os jovens têm encontros de formação, na linha do auto-conhecimento e dos valores, mas também contactam, quer na teoria quer na prática, com a realidade da doença mental». Além disso, há tempo específico para o grupo, para a inter-relação e para o convívio.
Estas iniciativas estão abertas a jovens com idades comprendidas entre os 15 e os 30 anos.
Para ficarem a conhecer, na teoria, a doença mental os jovens contam com a presença de técnicos e enfermeiros da instituição que exloram diversas dimensões das patologias mentais. A vertente prática requer o contacto com os doentes, particularmente ao nível do serviço das refeições. Também os momentos de tempo livre são aproveitados para falar com os utentes e para ouvir, algumas vezes, repetidamente, as suas histórias.
Neste campo de férias solidário um dia normal contém diferentes momentos. «Há tempos de serviço aos doentes, concretamente no período das refeições ou da higiene, mas o contacto com os utentes também pode passar por uma companhia num passeio pelo jardim, ou num ateliê ocupacional», aponta a Irmã Fernanda Oliveira.
O grupo começa o dia com oração da manhã e termina com a noite e um pequeno convívio-partilha antes do descanso.
Porque o campo tem também um carácter formativo durante o dia há sempre o desenvolvimento de um ou mais temas, que vão desde a descoberta da identidade pessoal, à questão dos valores, mas também à pessoa de Cristo e à questão vocacional, sem esquecer a realidade da doença mental.

Experiência
pode ser repetida
A religiosa responsável por coordenar o campo de férias sustentou que, de uma forma geral, os jovens que fazem esta experiência acabam por mudar algo neles próprios. As suas ideias «vão variando». «Ao início é tudo muito estranho, mas à medida que vão contactando com os doentes vão estabelecendo relação afectiva. No final do campo de férias, a despedida já é difícil», refere a Irmã Fernanda Oliveira.
«Porque, por norma, esta é uma experiência marcante, os interessados podem repeti-la noutras alturas, seja em campo de férias, seja em visitas esporádicas, previamente marcadas, à instituição», sustenta a Irmã.

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