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2 de agosto de 2009

Curso Teológico-Pastoral ultrapassa limites da diocese


Faculdade de Teologia continua a formar ao nível da fé cristã



A Faculdade de Teologia de Braga continua este ano a proporcionar outras formações que apesar de não conferirem grau académico permitem a quem as frequenta a aquisição de conhecimentos ao nível dos principais conteúdos da fé cristã. São três as iniciativas desenvolvidas há já alguns anos em Braga: o Curso Teológico-Pastoral, a Formação Teológica Avançada e Média (Programa Sénior) e a Teologia Revisitada (Formação Permanente do Clero).
O Curso Teológico-Pastoral que a Faculdade de Teologia tem vindo a promover em diversos arciprestados da Arquidiocese de Braga mantém o mesmo esquema, possibilitando inscrições novas no início de cada semestre.
João Duque revelou que a intenção deste ano é abrir um pólo de formação em Fafe, com participação de Cabeceiras de Basto, de Celorico de Basto e de Mondim de Basto (ainda que esta última já esteja fora dos limites da Arquidiocese).
Recorde-se que esta formação com extensão universitária não confere qualquer grau académico e tem uma duração de três anos.
A Formação Teológica Avançada e Média (Programa Sénior) destina-se a alunos ouvintes sem conferir grau académico e continua nos moldes dos anos anteriores. Está estruturada em três anos e aborda os principais conteúdos da fé cristã. A leccionação decorre normalmente na parte da manhã.
Finalmente a Formação do Clero (Teologia Revisitada) segue adiante, uma vez que no último ano lectivo teve uma frequência regular, ao longo dos dois semestres, de cerca de 20 sacerdotes, da Arquidiocese de Braga e da Diocese de Viana do Castelo.
Além destas, João Duque garantiu que se mantêm as ofertas do ano passado ao nível da Administração Paroquial, Cristianismo Social e Família.

31 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Faculdade de Teologia de Braga
vai ter licenciatura canónica

Na sessão de encerramento da XVII Semana de Estudos Teológicos, o director-adjunto da Faculdade de Teologia, depois de agradecer aos parceiros da organização, especialmente à Comissão Cultural do Auditório Vita pela cedência do espaço, deu a conhecer novos projectos da instituição de ensino superior, concretamente a criação de uma licenciatura canónica em Teologia Pastoral.
«Este é um dos contributos que a Faculdade de Teologia oferece para a celebração do Ano Paulino», disse João Duque, completando que outras iniciativas podem entretanto surgir.
Desde já, a próxima edição dos “Diálogos Transversais” será subordinada a São Paulo, com o tema “As fontes do Cristianismo”, na qual sete docentes da UCP orientarão outros tantos encontros, entre Março e Junho.
Para um futuro próximo, talvez no próximo ano lectivo, João Duque deu a conhecer que a Faculdade de Teologia vai ter uma licenciatura canónica (em Portugal designa-se curso de doutoramento) em Teologia Pastoral.
Com ela, os interessados poderão aprofundar os estudos teológicos sem sair de Braga. «Este curso servirá para um trabalho de investigação e de intervenção no contexto dos novos contextos pastorais, sobretudo no contexto bracarense», disse João Duque.
Ainda na linha da tão badalada formação permanente, João Duque salientou a experiência positiva que tem sido o curso de actualização (reciclagem) em Teologia, no qual estão a participar cerca de 20 padres da Arquidiocese de Braga. Em breve, tem início o segundo semestre.

Gratidão do Arcebispo à Faculdade de Teologia
Por seu lado, D. Jorge Ortiga expressou a sua gratidão à direcção da Faculdade de Teologia pela escolha de Paulo para tema da semana de estudos em todos os centros da UCP.
Depois, fazendo a ligação com o programa do triénio pastoral arquidiocesano, concretamente com os denominados “Encontros com São Paulo”, o Arcebispo Primaz revelou satisfação porque «cerca de três mil pessoas, todos os meses, participam nesta iniciativa».
Como pedido, D. Jorge Ortiga destacou a necessidade de suscitar cooperadores, continuando a chamar e a potenciar as vocações. «Temos nas nossas comunidades muitas pessoas talentosas e carismáticas e é importante acolhê-las, promovê-las e estimulá-las», afirmou.
Neste sentido e finalizando, o prelado chamou a atenção para a necessidade de dar formação aos agentes de pastoral, se possível em rede de paróquias.

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Evangelho da Cruz é o centro da reflexão paulina

O último dia da Semana de Estudos Teológicos de Braga contou com a presença de Johan Konings e de José Carlos Carvalho, que identificaram – ambos – o centro de reflexão de São Paulo, figura central desta iniciativa, no Evangelho da Cruz de Cristo.
O primeiro conferencista, nascido na Bélgica e docente no Brasil, começou por apresentar uma breve biografia de Paulo e chegou à conclusão de que o Evangelho que o Apóstolo anuncia é precisamente o Evangelho da Cruz.
Com a intervenção “Paulo e Jesus. Luz sobre uma questão fundamental”, Johan Konings considerou «injustas» as posições que provocam ruptura entre a actuação de Jesus e a pregação apostólica. «Dizer que Jesus pregava o Reino e os Apóstolos pregavam o senhorio de Jesus é o mesmo que dizer que não há continuidade entre as duas pregações» disse, relevando que «Jesus é o Reino em pessoa e o Reino de Deus é o modo próprio de ser de Jesus».
Neste sentido, para o conferencista «anunciar Jesus ainda hoje é actualizar o seu anúncio do Reino».
Depois de analisar as diversas fontes que apresentam Jesus, o orador deu a conhecer que o «Evangelho de Paulo» é o «Evangelho da Cruz».
Paulo não se reclama autor do Evangelho, mas reclama a legitimidade do seu trabalho evangelizador e a sua originalidade na pregação e esta «estabelece-se na obediência a Cristo», apontou.
O docente da Faculdade Jesuíta de Teologia de Belo Horizonte (Brasil) abordou também o tema da «justificação» em Paulo e, sobretudo no debate, o tema soteorológico da «morte vicária».

Eixos da teologia paulina
Por sua vez, José Carlos Carvalho apontou os “Eixos maiores da teologia paulina”. O docente da Faculdade de Teologia do Porto apresentou três mundos por onde o Apóstolo das Nações andou: o mundo cultural grego, o mundo judaico e o mundo da fé e revelação cristã.
Em relação ao primeiro, denominado «eixo cultural do mundo grego», o conferencista disse que o mundo ajudou São Paulo a fazer teologia, salientando a «pastoral da inteligência» que o Apóstolo seguiu e que a partir dele tem sido estandarte da Igreja. Sobre a pregação em contexto helénico e politeísta, afirmou: «É num supermercado de salvações, com muitos deuses importados, que Paulo faz valer o Evangelho de Cristo».
Já sobre o «eixo do mundo judaico», o orador, casado e pai de dois filhos, mostrou que esta cultura deu a Paulo o Antigo Testamento e a tradição semítica, a perícia rabínica e a nomenclatura teológica e ainda o Templo, com a espiritualidade e a oração.
«Paulo nunca renegou Saulo», defendeu o conferencista, mostrando que a teologia paulina, em diálogo com o mundo judaico, revela a imagem de um Deus que é Pai e que faz dos seres humanos seus filhos, porque «o específico do filho é acreditar».
Por fim, no último ponto, o docente falou do «eixo da fé cristã» assente na «visão da realidade humana», na «eclesialialidade» e na «concepção de história» que fazem com que Paulo chegue ao seu centro de reflexão, que é a Cruz de Cristo como salvação dos homens.

29 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...