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2 de agosto de 2009

Curso Teológico-Pastoral ultrapassa limites da diocese


Faculdade de Teologia continua a formar ao nível da fé cristã



A Faculdade de Teologia de Braga continua este ano a proporcionar outras formações que apesar de não conferirem grau académico permitem a quem as frequenta a aquisição de conhecimentos ao nível dos principais conteúdos da fé cristã. São três as iniciativas desenvolvidas há já alguns anos em Braga: o Curso Teológico-Pastoral, a Formação Teológica Avançada e Média (Programa Sénior) e a Teologia Revisitada (Formação Permanente do Clero).
O Curso Teológico-Pastoral que a Faculdade de Teologia tem vindo a promover em diversos arciprestados da Arquidiocese de Braga mantém o mesmo esquema, possibilitando inscrições novas no início de cada semestre.
João Duque revelou que a intenção deste ano é abrir um pólo de formação em Fafe, com participação de Cabeceiras de Basto, de Celorico de Basto e de Mondim de Basto (ainda que esta última já esteja fora dos limites da Arquidiocese).
Recorde-se que esta formação com extensão universitária não confere qualquer grau académico e tem uma duração de três anos.
A Formação Teológica Avançada e Média (Programa Sénior) destina-se a alunos ouvintes sem conferir grau académico e continua nos moldes dos anos anteriores. Está estruturada em três anos e aborda os principais conteúdos da fé cristã. A leccionação decorre normalmente na parte da manhã.
Finalmente a Formação do Clero (Teologia Revisitada) segue adiante, uma vez que no último ano lectivo teve uma frequência regular, ao longo dos dois semestres, de cerca de 20 sacerdotes, da Arquidiocese de Braga e da Diocese de Viana do Castelo.
Além destas, João Duque garantiu que se mantêm as ofertas do ano passado ao nível da Administração Paroquial, Cristianismo Social e Família.

23 de maio de 2009

Novo livro de Silva Lima é só «aparentemente» um manual


“Fazei Vós, também” apresentado ontem em Braga

O mais recente livro de José da Silva Lima é só «aparentemente» um livro para estudantes de teologia, destinado a alunos que estão a fazer o percurso académico para serem sacerdotes e clérigos. Esta foi a primeira afirmação de José Luis Corzo Toral, do Instituto Pastoral de Madrid, proferida ontem à tarde, em Braga, na sessão de apresentação de “Teologia Prática Fundamental. Fazei Vós, também”, da autoria daquele docente da Faculdade de Teologia de Braga.
Perante uma plateia de amigos e familiares do autor e de docentes e alunos da Universidade Católica, com destaque para a presença de D. Jorge Ortiga e D. Eurico Nogueira, o docente espanhol salientou a criatividade do autor, num «esplêndido livro» que vai contra todos os «costumes deste tipo de manuais» e desenvolve a temática da teologia prática com «absoluta originalidade».
Corzo Toral acentuou que a originalidade de Silva Lima começa logo pelo modo como abre o livro, com um capítulo dedicado à Eucaristia, que é a primeira acção da Igreja que a constitui e configura.
Mas a criatividade manifestada no decurso do volumoso livro de Silva Lima revela-se noutros pontos que Corzo Toral – que esteve no júri das Provas de Agregação a que o autor se submeteu recentemente na Faculdade de Teologia – apontou aos presentes. «Ao autor não falta imaginação criativa, nem qualidade narrativa nem qualidades de escritor», afirmou. Essa criatividade é compaginada com os textos bíblicos (de onde retirou o subtítulo do livro) e com a história lusitana, concretamente no capítulo dedicado a São Martinho de Dume e ao Beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires. A utilização de imagens da Igreja, incluídas no Novo Testamento, o aprofundamento do Concílio Vaticano II, em especial a Constituição Dogmática “Gaudium et Spes”, e ainda as ideias e chaves pastorais de João Paulo II são factores que contribuem para a originalidade do livro ontem apresentado.
Numa sessão marcada pela leitura de alguns trechos do próprio livro, Corzo Toral destacou também que a obra de Silva Lima está aberta não só à leitura por parte de futuros padres, mas também à dos cristãos comprometidos ou dos que têm interesses culturais e religiosos.
Além do mais, “Fazei Vós, também” é, segundo o docente espanhol, um «livro muito oportuno para os bispos», chegando, em alguns momentos, a ser «um manual do ministério episcopal».

Colecção enriquecida
com escritos
de docentes de Braga
Antes da apresentação, João Duque manifestou a alegria da Faculdade de Teologia por mais um docente do núcleo de Braga contribuir para a Colecção de Estudos Teológicos da Universidade Católica. O director adjunto da Faculdade de Teologia referiu que o livro de Silva Lima é a quinta participação de docentes de Braga nessa colecção.

21 de maio de 2009

Matilde Sousa Franco revela pressões da bancada socialista


No primeiro dia das Jornadas Teológicas de Braga


A deputada da Assembleia da República Matilde Sousa Franco revelou que tem sofrido pressões da bancada socialista pela sua posição contrária à legalização do aborto e à lei do divórcio e ainda pela sua oposição aberta à forma como está a ser debatida a questão da educação sexual e da distribuição gratuita dos preservativos nas escolas. A deputada falava anteontem à noite, em Braga, na abertura das XXI Jornadas Teológicas, que analisam este ano a relação Igreja-Estado.
Na intervenção, a viúva de Sousa Franco traçou uma radiografia aberta e sem preconceitos da realidade parlamentar portuguesa e falou das lutas que tem travado no Parlamento, concretamente em relação ao voto contra as propostas de lei sobre questões fracturantes que o executivo de José Sócrates tem trazido a debate.
A deputada apresentou uma comunicação com o título “No caminho da esperança. A religião é fundamental em política”, e serviu-se do exemplo de Tony Blair, que se converteu ao catolicismo, para defender que qualquer deputado deverá assumir as suas convicções religiosas.
Sem receios, Matilde Sousa Franco afirmou que é «militante católica», «historiadora» e «política temporária». Dando conta da sua história política, revelou que não é candidata pelo PS às próximas eleições legislativas, apesar de «não estar zangada com ninguém». «Comuniquei a minha decisão por carta ao senhor primeiro-ministro, datada de 3 de Abril de 2009», afirmou.
Destacando que o Parlamento é uma «boa, mas difícil experiência», a deputada manifestou perplexidade pelo facto de em Portugal, onde há uma maioria de católicos, estes estarem tão pouco representados no Parlamento em número e em pessoas que agem como tal. E denunciou, a partir de um estudo recente de Conceição Teixeira, que os candidatos a deputados parlamentares fazem «carreirismo político» e estão apenas preocupados em «manterem-se na política a todo o custo».
Perante uma plateia constituída por alunos da Universidade Católica Portuguesa – com a presença de D. Jorge Ortiga e de D. Eurico Nogueira –, Matilde Sousa Franco não hesitou em afirmar: na Assembleia da República, «sou cristã católica, fazendo questão de manter o compromisso que assumi com Nossa Senhora, de agir de acordo com os princípios cristãos, em coerência com a minha consciência e honrando o compromisso que assumi com o PS».
Sobre a sua actividade como deputada independente pelo PS, contou que avisou José Sócrates – que a convidou pessoalmente para o cargo – que votaria contra a legalização do aborto e contra todas as questões que fossem contra a sua consciência.
Assim, além desta, Matilde Sousa Franco votou contra as propostas do PS na votação da lei do financiamento dos partidos políticos, na lei da Procriação Medicamente Assistida, na lei do divórcio e na lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social, ontem vetada pela segunda vez pelo Presidente da República (ver página 22).
A viúva de Sousa Franco vê-se no Parlamento como «uma voz solitária» que procura estabelecer «pontes com outros deputados». Convergente com Manuel Alegre do ponto de vista social, apesar do desagrado da direcção do partido, defende os princípios da Doutrina Social da Igreja, particularmente a protecção dos mais fracos, dos trabalhadores e das cooperativas.
Além do mais, contou também, «defendo os professores, protestei contra as taxas moderadoras, defendo as pequenas e médias empresas e ainda defendi a canonização de São Nuno de Santa Maria», tendo que arranjar uma «justificação laica», para as «faltas resultantes da minha ida a Roma».

Educação sexual nas escolas
Para Matilde Sousa Franco, a educação sexual nas escolas deverá existir, embora não concorde com a forma como está a ser trabalhada a questão.
No seu entender, o nome deverá ser alterado, sugerindo, deste modo, «educação para a felicidade», e englobando temas de cidadania, saúde, sexualidade, não violência e respeito pela natureza.
«Disse que votaria contra, mas acabei por não votar por causa de uma queda que dei no Parlamento pouco antes do plenário da votação em Fevereiro», confidenciou.
Matilde Sousa Franco considera errado que a proposta tenha sido «apresentada de surpresa» e «só depois tenha sido debatida publicamente na AR».
As XXI Jornadas Teológicas, organizadas pelos alunos da Faculdade de Teologia de Braga, receberam ontem à noite Luís Lobo-Fernandes e terminam hoje com uma mesa redonda sobre “Missão da Igreja na sociedade: que futuro”. Começa às 21h15, com entrada livre.

29 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...