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29 de outubro de 2015

Viagem a Roma (22 a 27 de Outubro de 2015)

Ó Roma eterna, dos mártires, dos santos,
Ó Roma eterna, acolhe os nossos cantos!
Glória no alto ao Deus de majestade,
Paz sobre a terra, justiça e caridade!
A ti corremos, angélico pastor,
Em ti nós vemos o doce redentor.
A voz de Pedro na tua o mundo escuta,
Conforto e escudo de quem combate e luta.
Não vencerão as forças do inferno,
Mas a verdade, o doce amor fraterno!
Salve, salve Roma! É eterna a tua história,
Cantam-nos tua glória monumentos e altares!
Roma dos apóstolos, mãe e mestra da verdade,
Roma, toda a cristandade o mundo espera em ti!
Salve, salve Roma! o teu sol não tem poente,
Vence, refulgente, todo erro e todo mal!
Salve, Santo Padre, vivas tanto mais que Pedro!
Desça, qual mel do rochedo,
A bênção do doce Pai!











5 de junho de 2009

Peça musical “Paulo de Tarso” sobe ao palco do Auditório Vita


Grupo de Teatro S. João Bosco


A peça que o Grupo de Teatro S. João Bosco, constituída por seminaristas de Braga, vai apresentar no final deste ano lectivo é sobre a figura de Paulo de Tarso, como forma de assinalar o Ano Paulino. Trata-se de uma espécie de musical, escrito por seminaristas, com uma hora de duração, que será apresentado durante três noites (10, 11 e 12 de Junho) e uma tarde (14 de Junho) no Auditório Vita, em Braga.
A peça, que pretende contar a vida de S. Paulo, demorou cerca de três meses a preparar e conta com a participação de músicos e de alunos dos dois seminários da Arquidiocese.
Com produção do Grupo de Teatro S. João Bosco, músicas de Paulo Pires e letras de Ricardo Correia, “Paulo de Tarso” apresenta, num acto único, alguns momentos da vida de Paulo, intercalados com a execução musical dos chamados “hinos cristológicos” incluídos nos escritos paulinos.
Conversão, discurso no Areópago, Paulo na prisão, encontro com Lídia e viagem para Roma são alguns dos momentos representados com a apresentação da peça intercalada por cerca de 20 músicas originais. A Escritura e as pinturas de Ilda David’, expostas no Seminário Conciliar, serviram de base de inspiração aos autores.
Segundo Christofer Sousa e Paulo Pires, do Grupo de Teatro S. João Bosco, a peça termina com a execução de um «hino à Palavra» e ainda com o «hino da caridade».
No panfleto publicitário da iniciativa, os organizadores escrevem que «Paulo de Tarso» é «um nome conhecido», com «uma história bimilenar». A representação é «um cantar desse nome e um contar dessa história, sussurrado por entre sons e imagens transtemporais».
Os actores são seminaristas do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, os figurantes são do Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Os músicos que estarão em palco são Filipa Almeida, Ana Pinheiro, José Domingues, Rúben Araújo, Marco Carvalho, Fábio Rio e Paulo Pires.
Os organizadores querem que a peça seja vista pelo maior número possível de pessoas, por isso a entrada é gratuita, e foi escolhido o Auditório Vita porque tem melhores condições e mais lugares que o salão de S. Frutuoso, na Rua D. Afonso Henriques.
De resto, a solidariedade move também o Grupo de Teatro do Seminário Conciliar, já que algumas receitas que possam vir de donativos feitos ao Grupo reverterão para a APPACDM de Braga.

20 de maio de 2009

São Paulo inspira jovens na Noite UP’S 2009


Peregrinação nocturna ao Sameiro esta sexta-feira

A III edição da Noite UP’S – Upa para o Sameiro – tem este ano uma forte componente paulina, como forma de assinalar a celebração do ano dedicado a S. Paulo. Em conferência de imprensa, os organizadores apresentaram um programa mais enriquecido, com o tema “Será que aguentas?”, que se liga à corrida da fé dos crentes nas primeiras comunidades, dentro das quais se destaca figura do Apóstolo das Nações.
Paulo Barbosa, um dos primeiros dinamizadores do Grupo Peregrinos, que organiza a iniciativa, referiu que «não se tratando de uma prova física de esforço, aos participantes é-lhes exigido algo radical, uma vez que são convidados a atingir uma meta e a caminhar na demanda da fé».
O também docente de Educação Moral e Religiosa Católica deu conta que, na edição deste ano, os participantes serão surpreendidos com novos conteúdos, embora a base anterior permaneça, particularmente ao nível dos locais de passagem, enriquecidos com algumas mais valias.
Com o tema delineado para esta edição, os promotores querem pôr os participantes a pensar e a questionar-se. Além disso, o Grupo Peregrinos avalia com agrado o aumento de participantes na noite. Recorde-se quem, no primeiro ano, foram cerca de 300 e, no ano passado, o número duplicou. Pelo volume e ritmo das inscrições, o número deste ano rondará as mesmas seis centenas.
Com o enriquecimento do programa também ocorreu o aumento de grupos e entidades que colaboram na dinamização da peregrinação nocturna ao Sameiro. Além dos habituais, este ano o grupo de jovens de S. Mamede d’Este junta-se á organização, com a preparação de um momento da iniciativa.
Recorde-se que com o Grupo Peregrinos participam nesta organização o Centro Académico de Braga, a Comissão Nacional Justiça e Paz, a Pastoral Arquidiocesana Juvenil, o Corpo Nacional de Escutas, os Jovens em Caminhada, os Jovens Sem Fronteiras, os Missionários Combonianos, o Movimento Schoenstatt, o grupo de jovens da Oliveira (Guimarães), para além do estreante. A Câmara Municipal de Braga colabora particularmente ao nível do apoio logístico, tal como a Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, a paróquia de Mire de Tibães e o Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo.

Programa inclui paragem
na igreja de S. Paulo

Rui Ferreira falou com mais pormenor do programa da noite desta sexta-feira, salientando que todo ele terá uma especial marca sobre o Ano Paulino. A abertura acontecerá às 22h00, num momento apelidado significativamente “3,2,1… Partida”. Uma vez mais, D. Jorge Ortiga preside, às 23h00, à Eucaristia, na igreja paroquial de Mire de Tibães, de onde segue, de seguida, a peregrinação na direcção de Braga. Neste percurso decorrerão diversas surpresas com o tema geral “2000 anos barreiras”, que pretendem abordar sucintamente a história do cristianismo. Os Jovens em Caminhada estão responsáveis por desenvolver este momento, onde destacarão a ideia da perseguição de que os cristãos foram alvo nos primeiros séculos do cristianismo.
Na única igreja da Arquidiocese dedicada a S. Paulo – a igreja do Seminário Conciliar, que nasceu como Colégio de S. Paulo há quase 450 anos – os jovens participarão num momento de oração com a denominação “Trust me”.
Depois, no Parque da Ponte, os jovens de S. Mamede d’Este vão apresentar o momento “Blog do Paulo”, sobre as cartas do Apóstolo, seguindo-se depois, na Rodovia, o momento “Parar para Arrancar” que consiste no início de uma oração pessoal e silenciosa até ao Bom Jesus.
Junto ao monumento erigido pela devoção à Paixão de Cristo, haverá uma paragem – “Bits stop” – com animação e um reforço alimentar para os participantes aguentarem a última etapa que levará à meta colocada no Sameiro. Neste período, será rezado o terço e, pelas 8h00, será servido o pequeno almoço.
As inscrições para a iniciativa estão abertas até amanhã nos Serviços Centrais da Arquidiocese ou no blogue www.noite-ups.blogspot.com.

28 de abril de 2009

Dia Arquidiocesano da Juventude







Número de participantes abaixo das expectativas
D. António Couto desafia jovens
a arriscar e a dar passos em frente

Os jovens cristãos da Arquidiocese foram ontem desafiados pelo Bispo Auxiliar de Braga a arriscar e a dar passos em frente para fazer com que a sociedade e o mundo actual, «confuso e baralhado», seja mais belo e mais atraente. D. António Couto falava em Vila Nova de Famalicão, em pleno Jardim de Sinçães, no encerramento do Dia Arquidiocesano da Juventude, que reuniu cerca de mil jovens, número que ficou abaixo das expectativas da organização.
Depois das actividades previstas, D. António Couto, em representação do Arcebispo de Braga, que participou no Vaticano na cerimónia de canonização de S. Nuno de Santa Maria, pediu coragem para arriscar e dar passos em frente. Apoiado no que chamou «a parábola da tartaruga», o prelado disse que «às vezes vale a pena arriscar e transgredir, ou seja, dar passos em frente».
Servindo-se ainda do contratempo, causado pelo forte vento que se levantou a meio da tarde, e que dificultou a construção de uma tenda gigante – na linha do imaginário paulino – o Bispo Auxiliar afirmou, num misto de ironia e seriedade: «treinai na construção de tendas, mas deixai-lhe sempre buracos para que de dentro se veja o céu e para que o céu lhe veja o interior».
Os jovens agradeceram as palavras desafiadoras do prelado com uma forte e sentida salva de palmas. Aliás, esta foi uma das imagens de marca do dia, sinal da alegria e do ambiente festivo que envolveu toda a jornada.

Barcelos acolhe encontro de 2010
Nesta sessão de encerramento, antes da actuação do padre espanhol D. José, o Departamento Arquidiocesano da Pastoral Juvenil entregou os primeiros 14 cartões aos jovens que concluíram o curso de animadores. O padre Vilas Boas, coordenador da Pastoral Juvenil, aproveitou para destacar que esta é uma aposta da Arquidiocese, tanto é que já estão mais 60 jovens a fazer o curso. A informação da não realização, este ano, do Fátima Jovem, provocou um manifesto desagrado dos jovens que só se animaram quando o sacerdote revelou que no próximo ano voltará de nova a acontecer, mas agora melhorado.
Antes de terminar a intervenção e antes de se entregaram as lembranças, o responsável arquidiocesano deu a conhecer que Barcelos é o arciprestado que vai receber a celebração do Dia Arquidiocesano da Juventude em 2010, no segundo domingo a seguir à Páscoa.
O dia foi preenchido em Famalicão e alguns jovens, em declarações ao Diário do Minho, afirmaram que podiam ser menos actividades porque o tempo não dava para tudo. Depois da missa, os participantes percorreram vários pontos da cidade, divididos pelos símbolos relativos ao cartaz do Ano Paulino, ou seja correntes, Bíblia, cruz, fogo, espada e datas. Além destes pontos, havia outros intermédios, com algumas actividades para os jovens executarem.
Para quem participou do dia, com o lema “Viajar com S. Paulo nas sendas da Palavra”, o balanço foi positivo, particularmente pela congregação dos jovens e pelo convívio estabelecido entre todos.

23 de abril de 2009

Dia Arquidiocesano da Juventude decorre em Famalicão

“Viajar com S. Paulo nas sendas da Palavra”

A cidade de Vila Nova de Famalicão acolhe este domingo mais de um milhar de jovens provenientes dos arciprestados da Arquidiocese de Braga para a celebração do Dia Arquidiocesano da Juventude.
“Viajar com S. Paulo nas sendas da Palavra” é o tema da jornada que pretende ser de reflexão e de formação, mas também de convívio e divertimento entre os jovens. «Jogar e aprender para apreender Paulo» poderia ser o lema deste dia, segundo revelou o padre José Carlos Vilas Boas.
O dia arranca às 9h00 com o acolhimento a todos os participantes, junto à Casa das Artes, na cidade famalicense. «Música e alegria são os ingredientes indispensáveis para acolher», referiu o responsável do Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Juventude. Este momento de acolhimento servirá ainda para se preparar e ensaiar os cânticos e os momentos da celebração eucarística, que acontece logo de seguida, às 10h00, e é presidida pelo padre Vilas Boas.
No final desta, começa a “Viagem com S. Paulo”. Os grupos vão embarcar para passar por diversas cidades alusivas à vida do Apóstolo dos Gentios. Segundo o responsável do Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Juventude, «em diversos pontos da cidade de Famalicão estarão assinaladas algumas das cidades relevantes na vida e na actividade apostólica e missionária de S. Paulo».
Nestes pontos previamente indicados, serão trabalhadas diversas vertentes de Paulo, a partir do cartaz relativo ao Ano Paulino. «Serão momentos de reflexão e de procurar algumas respostas para as dificuldades existentes ao nível do conhecimento de S. Paulo», apontou o sacerdote.
Esta viagem com o Apóstolo, feita por grupos, durará até por volta das 15h00, para que 30 minutos depois todos os participantes possam estar de novo junto à Casa das Artes, onde será feito um novo trabalho, particularmente a partir das datas mais importantes da vida de S. Paulo. «A ideia é – segundo o coordenador da iniciativa – ver o Paulo do seu tempo como provocação para os dias de hoje».
Será também este aspecto que se tentará ressaltar na encenação que os Jovens em Caminhada vão apresentar com o tema “Para mim viver é Cristo”.
Ainda antes do fecho da jornada, o Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto, dirige uma mensagem a todos os participantes do encontro. No final, serão entregues as recordações do dia.
De registar que neste momento o Departamento Arquidiocesano da Pastoral Juvenil entregará o cartão de animador aos primeiros 14 jovens da diocese que terminaram a formação que o departamento propõe. Actualmente, mais de 40 jovens estão também em formação, completando o curso em três níveis estabelecido pelos responsáveis arquidiocesanos.
O dia encerrará com um concerto de música de inspiração cristã a cargo de um padre espanhol. D. José é o nome artístico do sacerdote que actuará em Famalicão entre as 16h00 e as 17h30.

Este ano não há “Fátima Jovem”
A actividade anual que leva, por norma, milhares de jovens portugueses ao Santuário de Fátima, designada Fátima Jovem, não irá acontecer este ano, revelou o padre Vilas Boas, porque o departamento nacional está inactivo e porque os responsáveis diocesanos ligados à Pastoral de Jovens querem reformular essa actividade. Entretanto, nos dias 1 e 2 de Maio, em Fátima, os departamentos diocesanos da Pastoral Juvenil reúnem-se com o intuito de repensar essa actividade.

31 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Faculdade de Teologia de Braga
vai ter licenciatura canónica

Na sessão de encerramento da XVII Semana de Estudos Teológicos, o director-adjunto da Faculdade de Teologia, depois de agradecer aos parceiros da organização, especialmente à Comissão Cultural do Auditório Vita pela cedência do espaço, deu a conhecer novos projectos da instituição de ensino superior, concretamente a criação de uma licenciatura canónica em Teologia Pastoral.
«Este é um dos contributos que a Faculdade de Teologia oferece para a celebração do Ano Paulino», disse João Duque, completando que outras iniciativas podem entretanto surgir.
Desde já, a próxima edição dos “Diálogos Transversais” será subordinada a São Paulo, com o tema “As fontes do Cristianismo”, na qual sete docentes da UCP orientarão outros tantos encontros, entre Março e Junho.
Para um futuro próximo, talvez no próximo ano lectivo, João Duque deu a conhecer que a Faculdade de Teologia vai ter uma licenciatura canónica (em Portugal designa-se curso de doutoramento) em Teologia Pastoral.
Com ela, os interessados poderão aprofundar os estudos teológicos sem sair de Braga. «Este curso servirá para um trabalho de investigação e de intervenção no contexto dos novos contextos pastorais, sobretudo no contexto bracarense», disse João Duque.
Ainda na linha da tão badalada formação permanente, João Duque salientou a experiência positiva que tem sido o curso de actualização (reciclagem) em Teologia, no qual estão a participar cerca de 20 padres da Arquidiocese de Braga. Em breve, tem início o segundo semestre.

Gratidão do Arcebispo à Faculdade de Teologia
Por seu lado, D. Jorge Ortiga expressou a sua gratidão à direcção da Faculdade de Teologia pela escolha de Paulo para tema da semana de estudos em todos os centros da UCP.
Depois, fazendo a ligação com o programa do triénio pastoral arquidiocesano, concretamente com os denominados “Encontros com São Paulo”, o Arcebispo Primaz revelou satisfação porque «cerca de três mil pessoas, todos os meses, participam nesta iniciativa».
Como pedido, D. Jorge Ortiga destacou a necessidade de suscitar cooperadores, continuando a chamar e a potenciar as vocações. «Temos nas nossas comunidades muitas pessoas talentosas e carismáticas e é importante acolhê-las, promovê-las e estimulá-las», afirmou.
Neste sentido e finalizando, o prelado chamou a atenção para a necessidade de dar formação aos agentes de pastoral, se possível em rede de paróquias.

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Evangelho da Cruz é o centro da reflexão paulina

O último dia da Semana de Estudos Teológicos de Braga contou com a presença de Johan Konings e de José Carlos Carvalho, que identificaram – ambos – o centro de reflexão de São Paulo, figura central desta iniciativa, no Evangelho da Cruz de Cristo.
O primeiro conferencista, nascido na Bélgica e docente no Brasil, começou por apresentar uma breve biografia de Paulo e chegou à conclusão de que o Evangelho que o Apóstolo anuncia é precisamente o Evangelho da Cruz.
Com a intervenção “Paulo e Jesus. Luz sobre uma questão fundamental”, Johan Konings considerou «injustas» as posições que provocam ruptura entre a actuação de Jesus e a pregação apostólica. «Dizer que Jesus pregava o Reino e os Apóstolos pregavam o senhorio de Jesus é o mesmo que dizer que não há continuidade entre as duas pregações» disse, relevando que «Jesus é o Reino em pessoa e o Reino de Deus é o modo próprio de ser de Jesus».
Neste sentido, para o conferencista «anunciar Jesus ainda hoje é actualizar o seu anúncio do Reino».
Depois de analisar as diversas fontes que apresentam Jesus, o orador deu a conhecer que o «Evangelho de Paulo» é o «Evangelho da Cruz».
Paulo não se reclama autor do Evangelho, mas reclama a legitimidade do seu trabalho evangelizador e a sua originalidade na pregação e esta «estabelece-se na obediência a Cristo», apontou.
O docente da Faculdade Jesuíta de Teologia de Belo Horizonte (Brasil) abordou também o tema da «justificação» em Paulo e, sobretudo no debate, o tema soteorológico da «morte vicária».

Eixos da teologia paulina
Por sua vez, José Carlos Carvalho apontou os “Eixos maiores da teologia paulina”. O docente da Faculdade de Teologia do Porto apresentou três mundos por onde o Apóstolo das Nações andou: o mundo cultural grego, o mundo judaico e o mundo da fé e revelação cristã.
Em relação ao primeiro, denominado «eixo cultural do mundo grego», o conferencista disse que o mundo ajudou São Paulo a fazer teologia, salientando a «pastoral da inteligência» que o Apóstolo seguiu e que a partir dele tem sido estandarte da Igreja. Sobre a pregação em contexto helénico e politeísta, afirmou: «É num supermercado de salvações, com muitos deuses importados, que Paulo faz valer o Evangelho de Cristo».
Já sobre o «eixo do mundo judaico», o orador, casado e pai de dois filhos, mostrou que esta cultura deu a Paulo o Antigo Testamento e a tradição semítica, a perícia rabínica e a nomenclatura teológica e ainda o Templo, com a espiritualidade e a oração.
«Paulo nunca renegou Saulo», defendeu o conferencista, mostrando que a teologia paulina, em diálogo com o mundo judaico, revela a imagem de um Deus que é Pai e que faz dos seres humanos seus filhos, porque «o específico do filho é acreditar».
Por fim, no último ponto, o docente falou do «eixo da fé cristã» assente na «visão da realidade humana», na «eclesialialidade» e na «concepção de história» que fazem com que Paulo chegue ao seu centro de reflexão, que é a Cruz de Cristo como salvação dos homens.

30 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Bispo do Porto apresentou
tópicos pastorais para a Igreja


A partir da teologia de São Paulo, D. Manuel Clemente apresentou ontem alguns tópicos pastorais para a agenda da Igreja, particularmente ao nível da nova evangelização, da mobilidade dos cristãos e da territorialidade das paróquias.
A pouca popularidade do Apóstolo das Nações entre os cristãos, a sua actividade evangelizadora marcadamente pascal e a acentuação da argúcia de Paulo, quer do ponto de vista da geografia física quer humana, no trabalho pastoral, foram aspectos relevados pelo Bispo do Porto, no Auditório Vita, a cerca de duas centenas de pessoas.
Dando nota do gosto pela presença na Arquidiocese de Braga, D. Manuel Clemente estruturou a sua intervenção, em alguns pontos, na linha do tema previsto (“Tópicos actuais de uma pastoral paulina”) e começou por destacar que a celebração do Ano Paulino deve servir para tirar tópicos que ajudem à própria acção pastoral da Igreja.
«São Paulo não é um santo popular, tal é a força dos seus escritos e a veemência das suas convicções», disse, destacando, por exemplo, que na diocese do Porto existe apenas uma paróquia que tem o Apóstolo por padroeiro e uma igreja a ele dedicada.
«Podemos estar 2000 anos depois da Páscoa, mas ainda estar antes dela», defendeu. Num registo sempre pastoral, o Bispo do Porto disse que «tudo o que se refere à iniciação cristã e à vida da Igreja e tudo o que define o ser cristão tem em São Paulo um ponto de partida absoluto: Cristo morto e ressuscitado».
Para o prelado, nada pode dispensar a Igreja dos dias de hoje de apresentar o mesmo que Paulo: Cristo e o seu mistério pascal.
«Foi pascalmente – continuou D. Manuel Clemente – que os tessalonicenses assumiram o destino de Cristo e de Paulo em verdadeira imitação deles» e, desse modo igualmente pascal, se fizeram seguidores e testemunhas.
«Conversão e espera» são duas notas que devem definir as comunidades cristãs dos dias de hoje, notou o prelado, a uma plateia totalmente rendida à intervenção.
Defendendo que os desafios pastorais de hoje são exigentes como os de Paulo foram, D. Manuel Clemente afirmou: «Cristo não “ajuda” a efectivação das nossas esperanças e desejos como o fariam os deuses de antes e de hoje, mas, muito pelo contrário, Cristo constitui-se como nossa esperança e nosso desejo».
Por isso, «manter e avivar a tensão escatológica das comunidades cristãs é um tópico tão paulino como indispensável», frisou o prelado, que confindenciou já ter tido a vontade de em celebrações eucarísticas interromper o rito nas expressões “Vinde, Senhor Jesus!” ou “Enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo Nosso Salvador” e inquirir se é mesmo isso que cada um quer.
Esta atitude da esperança cristológica «não passa por iludir problemas, mas preenchê-los com a esperança de quem vive agora do fim para o princípio», à luz da Páscoa de Cristo.
Segundo o Bispo do Porto, a «maior urgência pastoral de hoje é proporcionar a quem nos procura, com a veemência e o afecto de Paulo, a oportunidade de vislumbrar o que a sua existência pode ser se for a de Cristo em si, apurando o desejo e realizando a esperança».
Isto mesmo faz com que «os actos habituais se tornem em hábitos pastorais», já que antes disto «temos conversa religiosa, senão entretenimento religioso», afirmou.

Territórios vão além da geografia física
Apoiado nas estratégias seguidas pelo Apóstolo no anúncio do Evangelho, quer em relação à geografia física quer humana, D. Manuel Clemente defendeu a necessidade da criação de «comunidades móveis» e de novas formas de a Igreja trabalhar em rede.
«Toda a nossa pastoral assenta ainda e sobretudo em bases territoriais, mas hoje os territórios vão muito além da geografia física», disse. A inspiração paulina deve ajudar a encontrar os novos pontos-chave para a evangelização, como as famílias e associações, entre outras.
«A nova evangelização, como a primeira, não se fará por ocupação maciça do espaço, mas por expansão dinâmica das vivência e convivências», defendeu. «Uma ou mais famílias num bairro, um movimento numa escola ou num movimento sócio-profissional, uma presença nos media ou na internet corresponderão às cidades escolhidas pela argúcia e perícia de Paulo» na sua evangelização, afirmou o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
A este respeito, o prelado sugeriu que dioceses e paróquias em geral vivam e convivam mais em rede e em colaboração. Nesta linha, também os agentes de pastoral deverão colocar-se em atitudes de cooperação eclesial, como um corpo unido.

Paulo de Tarso, quem és tu?(2)

Ressurreição é conceito estranho
para o mundo contemporâneo

O segundo dia da XVII Semana de Estudos Teológicos começou com uma comunicação de Isabel Varanda, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. “Como falar da Morte, da Ressurreição e do Além. Ressonâncias paulinas” foi o tema tratado pela teóloga bracarense, que procurou responder à questão enunciada, no início, pela própria: «O ser humano, no século XXI, tem ainda capacidade para acreditar na ressurreição?»
Aos presentes, Isabel Varanda mostrou que «o conceito de ressurreição é estranho ao mundo moderno», ainda que o «ser humano viva uma contradição trágica entre a experiência da morte e o desejo de imortalidade».
Mostrando que as opiniões sobre esta questão são variadas, a docente da UCP frisou que essas interrogações levam a Igreja a interrogar-se de que modo pode devolver «plausibilidade e credibilidade à ressurreição» nos tempos que correm.
Todavia, surge precisamente aí o problema e a dificuldade da linguagem escatológica à qual deve ser imposto, como critério geral, o «princípio da parcimónia» com o qual, segundo a teóloga, não se obscureça a argumentação «nem com complexidade de conceitos nem com a ambiguidade de palavras nem com a multiplicação desnecessária de postulados e argumentos».
Na sua intervenção, a docente abordou algumas questões de escatologia, procurando caminhos de respostas e fazendo sínteses, mas deixando em aberto a discussão teológica da matéria.
À questão “Que significa o dom da imortalidade?”, respondeu que «a imortalidade no sentido bíblico não diz que o ser humano não é mortal», mas aponta para o corte das relações com Deus.
Em relação ao dualismo ou dualidade de corpo e alma e à questão “Com a morte biológica, o que morre ou quem morre?», disse que a corporeidade é um «momento constitutivo do ser» e que «não há alma separada de corpo nem corpo separado da alma». Nesse sentido, frisou que «a pessoa não é um corpo que vem a uma alma, nem uma alma que vem a um corpo».
Já a terminar, Isabel Varanda procurou elucidar os presentes para a questão “Com que corpo ressuscitam os mortos?” Apoiada em São Paulo – tal como aconteceu durante toda a intervenção –, a oradora afirmou que é «com o mesmo corpo», não terreno, mas um «corpo próprio que irradia a vida do Espírito».
Em relação ao que existe depois da morte, a docente falou sobre a doutrina da Igreja que refere o céu, o purgatório e o inferno. Sobre este último, disse: «O inferno é ver Deus e não querer partilhar a sua intimidade».

21 de outubro de 2008

Encontros com S. Paulo na Diocese de Braga

Iniciativa arrancou em Braga com 700 pessoas


(texto)José António Carneiro

Os “Encontros” com São Paulo arrancaram em Braga, na passada quinta-feira à noite, com a presença de perto de 700 pessoas. No arranque desta iniciativa, que decorreu no Auditório Vita do Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese e que se realizará também em Balasar (Póvoa de Varzim) e em Guimarães, a adesão das pessoas foi positiva.
Segundo o pároco de Nossa Senhora da Conceição, o número de participantes nos encontros em Guimarães poderá aproximar-se do registado em Braga. A menos de quinze dias do arranque da iniciativa na cidade vimaranense (o primeiro encontro é no dia 30 de Outubro), já estão inscritas mais de 120 pessoas. No entanto, a maior parte dos párocos vai aproveitar este fim-de-semana para motivar e desafiar os paroquianos a participarem nos encontros orientados, sempre, pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto.
Tomando como paradigma um curso bíblico orientado pelo ainda padre António Couto – antes da nomeação episcopal –, no qual participaram mais de 600 pessoas, o padre João Germano Queirós espera que também aqui a adesão dos cristãos seja em grande número.
Em Balasar, onde decorrerá o encontro inaugural na próxima quinta-feira, dia 23, o padre José Barbosa Granja espera receber mais de 500 pessoas. «Até ao momento estão inscritas 460 pessoas, mas penso que o número vai subir», disse o sacerdote ao Diário do Minho.
Recorde-se que os “Encontros” com São Paulo destinam-se aos catequistas, membros dos Conselhos Económicos, animadores de grupos, membros das Confrarias e Irmandades, Ministros Extraordinários da Comunhão, membros das Equipas de Liturgia, orientadores de Grupos Corais, membros das Comissões de Festas, membros das Direcções dos Centros Sociais e Paroquiais, membros dos vários Movimentos de Apostolado, Associações e Obras, e a todos quantos desejem e procuram aprofundar a sua fé.
Em Junho passado, a Vigararia Geral da Arquidiocese havia dito que «participando [nestes encontros], cresceremos no conhecimento de São Paulo e da Palavra de Deus; entraremos na imprescindível dinâmica da formação contínua; sentiremos o coração a pulsar ao ritmo da Igreja arquidiocesana e universal; e colheremos do Apóstolo entusiasmo para a missão que hoje nos desafia».
Os encontros são mensais e decorrem até ao próximo mês de Junho, data em que termina o Ano Paulino proclamado por Bento XVI.

in DM 18/10/08

9 de outubro de 2008

O caçador que se tornou presa

Para a luz do dia despertou em Tarso. O pai conferia-lhe o estatuto de “cidadão romano”. Bebeu da sabedoria de Gamaliel. Aprendeu a fabricar tendas. Religiosamente, tornou-se um judeu fervoroso. Era irrepreensível na observância da lei. Tinha um carácter decidido. Ostentava a garra de um verdadeiro líder. No horizonte desenhava-se para ele um futuro risonho.
Depressa se tornou bem conhecido, esse Saulo, empreendedor, de formação esmerada, zeloso.
Assistiu à delapidação do diácono Estêvão. E queria mais. Afinal, essa nova seita que ia proliferando, estava a desestabilizar, a provocar o judaísmo, a gerar rupturas no tecido social e religioso do povo da ancestral aliança. Imagine-se que até já existiam cristãos na cidade de Damasco, na Síria, a 200 km de distância da Palestina.
E Saulo põe-se a caminho, para obviar a tremenda calamidade.
É então que Deus o intercepta. E lhe pede que não mais O persiga.
Saulo torna-se Paulo. O atacante torna-se presa. O caçador torna-se caça (como bem sublinha Carlos Mesters, na sua obra Paulo Apóstolo). O perseguidor atravessa três dias de cegueira, para ressuscitar homem novo.
Considera então como “lixo” as honras do passado. Mais do que confiar no que faz por Deus, confia agora no que Deus faz para ele. Mais do que “justificar-se” pelas obras, mergulha agora na gratuidade do amor de Deus.
Conduzido, não pela tradição ou pela lei, mas pelo Espírito («Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»), torna-se missionário itinerante, o Evangelho a rasgar sulcos e a frutificar na Ásia Menor e na Europa, a Igreja a crescer, o coração da Igreja a dilatar-se numa universalidade que derruba barreiras entre judeus e gregos, homens e mulheres, escravos e homens livres…
E o Espírito de Deus acompanha-o nas perseguições, nas torturas, nas ameaças de morte, nas acusações, nos tribunais, nas prisões.
Para a posteridade ficaram 14 cartas, espólio precioso que o Novo Testamento conserva, tantas vezes presentes nas nossas celebrações.
Paulo foi um verdadeiro apóstolo, uma testemunha eloquente, um herói. E um mártir. Aos 62 anos de idade, abriram-se para ele as portas do céu. A espada que o dizimou eclipsou-se. Só se vê agora a coroa da glória que Deus lhe ofereceu, juntamente com a felicidade eterna.
Estando nós a viver o Ano Paulino, proclamado recentemente pelo Papa Bento XVI; sendo o lema pastoral da nossa Arquidiocese, para o presente ano, “Encontrados pela Palavra”, não será de reflectirmos sobre a vida e escritos de São Paulo?!
Votos de um bom ano pastoral para todos, sob a protecção de Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe, também ela encontrada pela Palavra.

(texto)Cónego José Paulo Abreu
Vigário-Geral da Arquidiocese de Braga

in DM, 09/10/08

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...