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5 de junho de 2009

Peça musical “Paulo de Tarso” sobe ao palco do Auditório Vita


Grupo de Teatro S. João Bosco


A peça que o Grupo de Teatro S. João Bosco, constituída por seminaristas de Braga, vai apresentar no final deste ano lectivo é sobre a figura de Paulo de Tarso, como forma de assinalar o Ano Paulino. Trata-se de uma espécie de musical, escrito por seminaristas, com uma hora de duração, que será apresentado durante três noites (10, 11 e 12 de Junho) e uma tarde (14 de Junho) no Auditório Vita, em Braga.
A peça, que pretende contar a vida de S. Paulo, demorou cerca de três meses a preparar e conta com a participação de músicos e de alunos dos dois seminários da Arquidiocese.
Com produção do Grupo de Teatro S. João Bosco, músicas de Paulo Pires e letras de Ricardo Correia, “Paulo de Tarso” apresenta, num acto único, alguns momentos da vida de Paulo, intercalados com a execução musical dos chamados “hinos cristológicos” incluídos nos escritos paulinos.
Conversão, discurso no Areópago, Paulo na prisão, encontro com Lídia e viagem para Roma são alguns dos momentos representados com a apresentação da peça intercalada por cerca de 20 músicas originais. A Escritura e as pinturas de Ilda David’, expostas no Seminário Conciliar, serviram de base de inspiração aos autores.
Segundo Christofer Sousa e Paulo Pires, do Grupo de Teatro S. João Bosco, a peça termina com a execução de um «hino à Palavra» e ainda com o «hino da caridade».
No panfleto publicitário da iniciativa, os organizadores escrevem que «Paulo de Tarso» é «um nome conhecido», com «uma história bimilenar». A representação é «um cantar desse nome e um contar dessa história, sussurrado por entre sons e imagens transtemporais».
Os actores são seminaristas do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, os figurantes são do Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Os músicos que estarão em palco são Filipa Almeida, Ana Pinheiro, José Domingues, Rúben Araújo, Marco Carvalho, Fábio Rio e Paulo Pires.
Os organizadores querem que a peça seja vista pelo maior número possível de pessoas, por isso a entrada é gratuita, e foi escolhido o Auditório Vita porque tem melhores condições e mais lugares que o salão de S. Frutuoso, na Rua D. Afonso Henriques.
De resto, a solidariedade move também o Grupo de Teatro do Seminário Conciliar, já que algumas receitas que possam vir de donativos feitos ao Grupo reverterão para a APPACDM de Braga.

20 de maio de 2009

São Paulo inspira jovens na Noite UP’S 2009


Peregrinação nocturna ao Sameiro esta sexta-feira

A III edição da Noite UP’S – Upa para o Sameiro – tem este ano uma forte componente paulina, como forma de assinalar a celebração do ano dedicado a S. Paulo. Em conferência de imprensa, os organizadores apresentaram um programa mais enriquecido, com o tema “Será que aguentas?”, que se liga à corrida da fé dos crentes nas primeiras comunidades, dentro das quais se destaca figura do Apóstolo das Nações.
Paulo Barbosa, um dos primeiros dinamizadores do Grupo Peregrinos, que organiza a iniciativa, referiu que «não se tratando de uma prova física de esforço, aos participantes é-lhes exigido algo radical, uma vez que são convidados a atingir uma meta e a caminhar na demanda da fé».
O também docente de Educação Moral e Religiosa Católica deu conta que, na edição deste ano, os participantes serão surpreendidos com novos conteúdos, embora a base anterior permaneça, particularmente ao nível dos locais de passagem, enriquecidos com algumas mais valias.
Com o tema delineado para esta edição, os promotores querem pôr os participantes a pensar e a questionar-se. Além disso, o Grupo Peregrinos avalia com agrado o aumento de participantes na noite. Recorde-se quem, no primeiro ano, foram cerca de 300 e, no ano passado, o número duplicou. Pelo volume e ritmo das inscrições, o número deste ano rondará as mesmas seis centenas.
Com o enriquecimento do programa também ocorreu o aumento de grupos e entidades que colaboram na dinamização da peregrinação nocturna ao Sameiro. Além dos habituais, este ano o grupo de jovens de S. Mamede d’Este junta-se á organização, com a preparação de um momento da iniciativa.
Recorde-se que com o Grupo Peregrinos participam nesta organização o Centro Académico de Braga, a Comissão Nacional Justiça e Paz, a Pastoral Arquidiocesana Juvenil, o Corpo Nacional de Escutas, os Jovens em Caminhada, os Jovens Sem Fronteiras, os Missionários Combonianos, o Movimento Schoenstatt, o grupo de jovens da Oliveira (Guimarães), para além do estreante. A Câmara Municipal de Braga colabora particularmente ao nível do apoio logístico, tal como a Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, a paróquia de Mire de Tibães e o Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo.

Programa inclui paragem
na igreja de S. Paulo

Rui Ferreira falou com mais pormenor do programa da noite desta sexta-feira, salientando que todo ele terá uma especial marca sobre o Ano Paulino. A abertura acontecerá às 22h00, num momento apelidado significativamente “3,2,1… Partida”. Uma vez mais, D. Jorge Ortiga preside, às 23h00, à Eucaristia, na igreja paroquial de Mire de Tibães, de onde segue, de seguida, a peregrinação na direcção de Braga. Neste percurso decorrerão diversas surpresas com o tema geral “2000 anos barreiras”, que pretendem abordar sucintamente a história do cristianismo. Os Jovens em Caminhada estão responsáveis por desenvolver este momento, onde destacarão a ideia da perseguição de que os cristãos foram alvo nos primeiros séculos do cristianismo.
Na única igreja da Arquidiocese dedicada a S. Paulo – a igreja do Seminário Conciliar, que nasceu como Colégio de S. Paulo há quase 450 anos – os jovens participarão num momento de oração com a denominação “Trust me”.
Depois, no Parque da Ponte, os jovens de S. Mamede d’Este vão apresentar o momento “Blog do Paulo”, sobre as cartas do Apóstolo, seguindo-se depois, na Rodovia, o momento “Parar para Arrancar” que consiste no início de uma oração pessoal e silenciosa até ao Bom Jesus.
Junto ao monumento erigido pela devoção à Paixão de Cristo, haverá uma paragem – “Bits stop” – com animação e um reforço alimentar para os participantes aguentarem a última etapa que levará à meta colocada no Sameiro. Neste período, será rezado o terço e, pelas 8h00, será servido o pequeno almoço.
As inscrições para a iniciativa estão abertas até amanhã nos Serviços Centrais da Arquidiocese ou no blogue www.noite-ups.blogspot.com.

12 de maio de 2009

Frei Herculano Alves critica absentismo pastoral

Igreja ainda não despertou
para a importância da Bíblia


O frei Herculano Alves, à margem do encontro que decorreu no Sameiro, disse ao Diário do Minho que a Igreja ainda não despertou nem acordou para a importância e para a centralidade da Bíblia. Referindo que iniciativas como a promulgação de um Ano Paulino ou de um Sínodo dos Bispos sobre a importância da Palavra de Deus são positivas, mas, muitas vez, não são devidamente destacadas e assumidas pela generalidade das paróquias e dos párocos.
O frade capuchinho entende que, ao nível de Igreja portuguesa, «há pouca atenção à dinamização bíblica». Aliás, esta desatenção é perceptível no facto de o Secretariado Nacional de Dinamização Bíblica não figurar sequer na lista dos movimentos, departamentos e organismos oficiais da Igreja Portuguesa.
«Infelizmente este movimento não é assumido a nível nacional pela Conferência Episcopal Portuguesa e, por isso, não tem o apoio da Igreja oficial, nem dos bispos nem dos párocos», lamentou frei Herculano Alves.
O Secretariado Nacional de Dinamização Bíblica «é uma iniciativa dos Capuchinhos que os bispos dizem apoiar, mas sem apoio directo, e nem sequer consta na lista dos movimentos da Igreja portuguesa», apontou o biblista.
Sendo o único movimento de dinamização bíblica existente a nível nacional, o secretariado da responsabilidade dos Capuchinhos não fecha as portas à possibilidade poder vir a acolher algum convite que possa surgir da Conferência Episcopal para assumir a dinamização da pastoral bíblica a nível oficial e em todo o território nacional. «Claro que esse convite não foi feito, mas se fosse, teríamos de ver quais seriam os objectivos estipulados para cumprir», finalizou.

Grupos bíblicos do Norte peregrinaram ao Sameiro



Jornada de formação e convívio centrada em S. Paulo

Mais de duas centenas de pessoas ligadas a diversos grupos bíblicos da região Norte estiveram ontem no Sameiro, em Braga, num encontro de formação e convívio promovido pelo Secretariado Nacional de Dinamização Bíblica. Com o tema “S. Paulo, Apóstolo da Palavra”, o dia teve uma pequena peregrinação na escadaria da basílica, uma Eucaristia, variadas encenações bíblicas e ainda oração do terço, na cripta, contando ainda com a presença dos frades capuchinhos António Martins, Luís Gonçalves, Manuel Arantes e Herculano Alves.
O encontro, que ocorreu pelo segundo ano consecutivo no Sameiro, teve como finalidade promover a interacção das pessoas dos grupos bíblicos do Norte, assim como «homenagear e olhar mais profundamente a figura de S. Paulo, o Apóstolo da Palavra», disse frei Luís Gonçalves. Assim, o santuário bracarense recebeu cristãos provenientes de grupos bíblicos da Arquidiocese de Braga e, ainda, das dioceses de Viana do Castelo, Porto, Aveiro e Coimbra.
Este encontro é uma proposta que os Capuchinhos fazem nas diversas semanas e cursos bíblicos que orientam em território nacional. Começou com uma peregrinação desde a estátua do Papa João Paulo II até à cripta do santuário. Neste percurso, segundo o frade da comunidade de Barcelos, foram lidos textos de S. Paulo acompanhados de reflexões. A caminhada contou ainda com uma largada de balões, que continham pequenas frases retiradas das 13 cartas paulinas incluídas no cânone bíblico.
A Eucaristia, ao final da manhã, foi presidida pelo padre Provincial e, nela, foi realçada e valorizada a liturgia da Palavra, com a realização de uma apresentação de dons, antes das leituras, para destacar que a Palavra de Deus é «pão», «livro», «semente», «espírito e vida da Igreja» e «água que sacia as sedes humanas».
Na homilia, o padre António Martins afirmou que «a salvação não está na política ou nas ciências, mas na fé em Cristo ressuscitado». Segundo o Provincial capuchinho «ser seguidor de Cristo implica desinstalar-se para dar respostas aos mundo moderno».
Relevante na celebração foi ainda o facto de o responsável pelo Secretariado Nacional de Dinamização Bíblica ter apelado à generosidade e à partilha dos presentes para que ajudassem um grupo de jovens de Barcelos, que desenvolve acções missionárias em Timor. «Este peditório, apesar da crise que vivemos, ajudará a ultrapassar uma crise maior que vive a população timorense», disse o padre Manuel Arantes.
Dentro da dinâmica paulina da jornada, no ofertório, foram levados ao altar os símbolos que compõem o logótipo do Ano Paulino, concretamente as datas, a cruz, a chama, a Bíblia, a espada e as algemas,
Já da parte de tarde, o grupo bíblico “Nova Luz”, de Arcozelo (Barcelos) apresentou uma dramatização sobre a prisão de Paulo e Silas. Bento Vale, responsável pelo grupo, disse ao Diário do Minho que, em primeiro lugar o grupo existe para ler e meditar a Palavra de Deus e anexo a isso, surgem pontualmente, alguns trabalhos e representações externas, como foi o caso de ontem.

28 de abril de 2009

Dia Arquidiocesano da Juventude







Número de participantes abaixo das expectativas
D. António Couto desafia jovens
a arriscar e a dar passos em frente

Os jovens cristãos da Arquidiocese foram ontem desafiados pelo Bispo Auxiliar de Braga a arriscar e a dar passos em frente para fazer com que a sociedade e o mundo actual, «confuso e baralhado», seja mais belo e mais atraente. D. António Couto falava em Vila Nova de Famalicão, em pleno Jardim de Sinçães, no encerramento do Dia Arquidiocesano da Juventude, que reuniu cerca de mil jovens, número que ficou abaixo das expectativas da organização.
Depois das actividades previstas, D. António Couto, em representação do Arcebispo de Braga, que participou no Vaticano na cerimónia de canonização de S. Nuno de Santa Maria, pediu coragem para arriscar e dar passos em frente. Apoiado no que chamou «a parábola da tartaruga», o prelado disse que «às vezes vale a pena arriscar e transgredir, ou seja, dar passos em frente».
Servindo-se ainda do contratempo, causado pelo forte vento que se levantou a meio da tarde, e que dificultou a construção de uma tenda gigante – na linha do imaginário paulino – o Bispo Auxiliar afirmou, num misto de ironia e seriedade: «treinai na construção de tendas, mas deixai-lhe sempre buracos para que de dentro se veja o céu e para que o céu lhe veja o interior».
Os jovens agradeceram as palavras desafiadoras do prelado com uma forte e sentida salva de palmas. Aliás, esta foi uma das imagens de marca do dia, sinal da alegria e do ambiente festivo que envolveu toda a jornada.

Barcelos acolhe encontro de 2010
Nesta sessão de encerramento, antes da actuação do padre espanhol D. José, o Departamento Arquidiocesano da Pastoral Juvenil entregou os primeiros 14 cartões aos jovens que concluíram o curso de animadores. O padre Vilas Boas, coordenador da Pastoral Juvenil, aproveitou para destacar que esta é uma aposta da Arquidiocese, tanto é que já estão mais 60 jovens a fazer o curso. A informação da não realização, este ano, do Fátima Jovem, provocou um manifesto desagrado dos jovens que só se animaram quando o sacerdote revelou que no próximo ano voltará de nova a acontecer, mas agora melhorado.
Antes de terminar a intervenção e antes de se entregaram as lembranças, o responsável arquidiocesano deu a conhecer que Barcelos é o arciprestado que vai receber a celebração do Dia Arquidiocesano da Juventude em 2010, no segundo domingo a seguir à Páscoa.
O dia foi preenchido em Famalicão e alguns jovens, em declarações ao Diário do Minho, afirmaram que podiam ser menos actividades porque o tempo não dava para tudo. Depois da missa, os participantes percorreram vários pontos da cidade, divididos pelos símbolos relativos ao cartaz do Ano Paulino, ou seja correntes, Bíblia, cruz, fogo, espada e datas. Além destes pontos, havia outros intermédios, com algumas actividades para os jovens executarem.
Para quem participou do dia, com o lema “Viajar com S. Paulo nas sendas da Palavra”, o balanço foi positivo, particularmente pela congregação dos jovens e pelo convívio estabelecido entre todos.

23 de abril de 2009

Dia Arquidiocesano da Juventude decorre em Famalicão

“Viajar com S. Paulo nas sendas da Palavra”

A cidade de Vila Nova de Famalicão acolhe este domingo mais de um milhar de jovens provenientes dos arciprestados da Arquidiocese de Braga para a celebração do Dia Arquidiocesano da Juventude.
“Viajar com S. Paulo nas sendas da Palavra” é o tema da jornada que pretende ser de reflexão e de formação, mas também de convívio e divertimento entre os jovens. «Jogar e aprender para apreender Paulo» poderia ser o lema deste dia, segundo revelou o padre José Carlos Vilas Boas.
O dia arranca às 9h00 com o acolhimento a todos os participantes, junto à Casa das Artes, na cidade famalicense. «Música e alegria são os ingredientes indispensáveis para acolher», referiu o responsável do Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Juventude. Este momento de acolhimento servirá ainda para se preparar e ensaiar os cânticos e os momentos da celebração eucarística, que acontece logo de seguida, às 10h00, e é presidida pelo padre Vilas Boas.
No final desta, começa a “Viagem com S. Paulo”. Os grupos vão embarcar para passar por diversas cidades alusivas à vida do Apóstolo dos Gentios. Segundo o responsável do Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Juventude, «em diversos pontos da cidade de Famalicão estarão assinaladas algumas das cidades relevantes na vida e na actividade apostólica e missionária de S. Paulo».
Nestes pontos previamente indicados, serão trabalhadas diversas vertentes de Paulo, a partir do cartaz relativo ao Ano Paulino. «Serão momentos de reflexão e de procurar algumas respostas para as dificuldades existentes ao nível do conhecimento de S. Paulo», apontou o sacerdote.
Esta viagem com o Apóstolo, feita por grupos, durará até por volta das 15h00, para que 30 minutos depois todos os participantes possam estar de novo junto à Casa das Artes, onde será feito um novo trabalho, particularmente a partir das datas mais importantes da vida de S. Paulo. «A ideia é – segundo o coordenador da iniciativa – ver o Paulo do seu tempo como provocação para os dias de hoje».
Será também este aspecto que se tentará ressaltar na encenação que os Jovens em Caminhada vão apresentar com o tema “Para mim viver é Cristo”.
Ainda antes do fecho da jornada, o Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto, dirige uma mensagem a todos os participantes do encontro. No final, serão entregues as recordações do dia.
De registar que neste momento o Departamento Arquidiocesano da Pastoral Juvenil entregará o cartão de animador aos primeiros 14 jovens da diocese que terminaram a formação que o departamento propõe. Actualmente, mais de 40 jovens estão também em formação, completando o curso em três níveis estabelecido pelos responsáveis arquidiocesanos.
O dia encerrará com um concerto de música de inspiração cristã a cargo de um padre espanhol. D. José é o nome artístico do sacerdote que actuará em Famalicão entre as 16h00 e as 17h30.

Este ano não há “Fátima Jovem”
A actividade anual que leva, por norma, milhares de jovens portugueses ao Santuário de Fátima, designada Fátima Jovem, não irá acontecer este ano, revelou o padre Vilas Boas, porque o departamento nacional está inactivo e porque os responsáveis diocesanos ligados à Pastoral de Jovens querem reformular essa actividade. Entretanto, nos dias 1 e 2 de Maio, em Fátima, os departamentos diocesanos da Pastoral Juvenil reúnem-se com o intuito de repensar essa actividade.

31 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Faculdade de Teologia de Braga
vai ter licenciatura canónica

Na sessão de encerramento da XVII Semana de Estudos Teológicos, o director-adjunto da Faculdade de Teologia, depois de agradecer aos parceiros da organização, especialmente à Comissão Cultural do Auditório Vita pela cedência do espaço, deu a conhecer novos projectos da instituição de ensino superior, concretamente a criação de uma licenciatura canónica em Teologia Pastoral.
«Este é um dos contributos que a Faculdade de Teologia oferece para a celebração do Ano Paulino», disse João Duque, completando que outras iniciativas podem entretanto surgir.
Desde já, a próxima edição dos “Diálogos Transversais” será subordinada a São Paulo, com o tema “As fontes do Cristianismo”, na qual sete docentes da UCP orientarão outros tantos encontros, entre Março e Junho.
Para um futuro próximo, talvez no próximo ano lectivo, João Duque deu a conhecer que a Faculdade de Teologia vai ter uma licenciatura canónica (em Portugal designa-se curso de doutoramento) em Teologia Pastoral.
Com ela, os interessados poderão aprofundar os estudos teológicos sem sair de Braga. «Este curso servirá para um trabalho de investigação e de intervenção no contexto dos novos contextos pastorais, sobretudo no contexto bracarense», disse João Duque.
Ainda na linha da tão badalada formação permanente, João Duque salientou a experiência positiva que tem sido o curso de actualização (reciclagem) em Teologia, no qual estão a participar cerca de 20 padres da Arquidiocese de Braga. Em breve, tem início o segundo semestre.

Gratidão do Arcebispo à Faculdade de Teologia
Por seu lado, D. Jorge Ortiga expressou a sua gratidão à direcção da Faculdade de Teologia pela escolha de Paulo para tema da semana de estudos em todos os centros da UCP.
Depois, fazendo a ligação com o programa do triénio pastoral arquidiocesano, concretamente com os denominados “Encontros com São Paulo”, o Arcebispo Primaz revelou satisfação porque «cerca de três mil pessoas, todos os meses, participam nesta iniciativa».
Como pedido, D. Jorge Ortiga destacou a necessidade de suscitar cooperadores, continuando a chamar e a potenciar as vocações. «Temos nas nossas comunidades muitas pessoas talentosas e carismáticas e é importante acolhê-las, promovê-las e estimulá-las», afirmou.
Neste sentido e finalizando, o prelado chamou a atenção para a necessidade de dar formação aos agentes de pastoral, se possível em rede de paróquias.

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Evangelho da Cruz é o centro da reflexão paulina

O último dia da Semana de Estudos Teológicos de Braga contou com a presença de Johan Konings e de José Carlos Carvalho, que identificaram – ambos – o centro de reflexão de São Paulo, figura central desta iniciativa, no Evangelho da Cruz de Cristo.
O primeiro conferencista, nascido na Bélgica e docente no Brasil, começou por apresentar uma breve biografia de Paulo e chegou à conclusão de que o Evangelho que o Apóstolo anuncia é precisamente o Evangelho da Cruz.
Com a intervenção “Paulo e Jesus. Luz sobre uma questão fundamental”, Johan Konings considerou «injustas» as posições que provocam ruptura entre a actuação de Jesus e a pregação apostólica. «Dizer que Jesus pregava o Reino e os Apóstolos pregavam o senhorio de Jesus é o mesmo que dizer que não há continuidade entre as duas pregações» disse, relevando que «Jesus é o Reino em pessoa e o Reino de Deus é o modo próprio de ser de Jesus».
Neste sentido, para o conferencista «anunciar Jesus ainda hoje é actualizar o seu anúncio do Reino».
Depois de analisar as diversas fontes que apresentam Jesus, o orador deu a conhecer que o «Evangelho de Paulo» é o «Evangelho da Cruz».
Paulo não se reclama autor do Evangelho, mas reclama a legitimidade do seu trabalho evangelizador e a sua originalidade na pregação e esta «estabelece-se na obediência a Cristo», apontou.
O docente da Faculdade Jesuíta de Teologia de Belo Horizonte (Brasil) abordou também o tema da «justificação» em Paulo e, sobretudo no debate, o tema soteorológico da «morte vicária».

Eixos da teologia paulina
Por sua vez, José Carlos Carvalho apontou os “Eixos maiores da teologia paulina”. O docente da Faculdade de Teologia do Porto apresentou três mundos por onde o Apóstolo das Nações andou: o mundo cultural grego, o mundo judaico e o mundo da fé e revelação cristã.
Em relação ao primeiro, denominado «eixo cultural do mundo grego», o conferencista disse que o mundo ajudou São Paulo a fazer teologia, salientando a «pastoral da inteligência» que o Apóstolo seguiu e que a partir dele tem sido estandarte da Igreja. Sobre a pregação em contexto helénico e politeísta, afirmou: «É num supermercado de salvações, com muitos deuses importados, que Paulo faz valer o Evangelho de Cristo».
Já sobre o «eixo do mundo judaico», o orador, casado e pai de dois filhos, mostrou que esta cultura deu a Paulo o Antigo Testamento e a tradição semítica, a perícia rabínica e a nomenclatura teológica e ainda o Templo, com a espiritualidade e a oração.
«Paulo nunca renegou Saulo», defendeu o conferencista, mostrando que a teologia paulina, em diálogo com o mundo judaico, revela a imagem de um Deus que é Pai e que faz dos seres humanos seus filhos, porque «o específico do filho é acreditar».
Por fim, no último ponto, o docente falou do «eixo da fé cristã» assente na «visão da realidade humana», na «eclesialialidade» e na «concepção de história» que fazem com que Paulo chegue ao seu centro de reflexão, que é a Cruz de Cristo como salvação dos homens.

30 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?(3)

Bispo do Porto apresentou
tópicos pastorais para a Igreja


A partir da teologia de São Paulo, D. Manuel Clemente apresentou ontem alguns tópicos pastorais para a agenda da Igreja, particularmente ao nível da nova evangelização, da mobilidade dos cristãos e da territorialidade das paróquias.
A pouca popularidade do Apóstolo das Nações entre os cristãos, a sua actividade evangelizadora marcadamente pascal e a acentuação da argúcia de Paulo, quer do ponto de vista da geografia física quer humana, no trabalho pastoral, foram aspectos relevados pelo Bispo do Porto, no Auditório Vita, a cerca de duas centenas de pessoas.
Dando nota do gosto pela presença na Arquidiocese de Braga, D. Manuel Clemente estruturou a sua intervenção, em alguns pontos, na linha do tema previsto (“Tópicos actuais de uma pastoral paulina”) e começou por destacar que a celebração do Ano Paulino deve servir para tirar tópicos que ajudem à própria acção pastoral da Igreja.
«São Paulo não é um santo popular, tal é a força dos seus escritos e a veemência das suas convicções», disse, destacando, por exemplo, que na diocese do Porto existe apenas uma paróquia que tem o Apóstolo por padroeiro e uma igreja a ele dedicada.
«Podemos estar 2000 anos depois da Páscoa, mas ainda estar antes dela», defendeu. Num registo sempre pastoral, o Bispo do Porto disse que «tudo o que se refere à iniciação cristã e à vida da Igreja e tudo o que define o ser cristão tem em São Paulo um ponto de partida absoluto: Cristo morto e ressuscitado».
Para o prelado, nada pode dispensar a Igreja dos dias de hoje de apresentar o mesmo que Paulo: Cristo e o seu mistério pascal.
«Foi pascalmente – continuou D. Manuel Clemente – que os tessalonicenses assumiram o destino de Cristo e de Paulo em verdadeira imitação deles» e, desse modo igualmente pascal, se fizeram seguidores e testemunhas.
«Conversão e espera» são duas notas que devem definir as comunidades cristãs dos dias de hoje, notou o prelado, a uma plateia totalmente rendida à intervenção.
Defendendo que os desafios pastorais de hoje são exigentes como os de Paulo foram, D. Manuel Clemente afirmou: «Cristo não “ajuda” a efectivação das nossas esperanças e desejos como o fariam os deuses de antes e de hoje, mas, muito pelo contrário, Cristo constitui-se como nossa esperança e nosso desejo».
Por isso, «manter e avivar a tensão escatológica das comunidades cristãs é um tópico tão paulino como indispensável», frisou o prelado, que confindenciou já ter tido a vontade de em celebrações eucarísticas interromper o rito nas expressões “Vinde, Senhor Jesus!” ou “Enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo Nosso Salvador” e inquirir se é mesmo isso que cada um quer.
Esta atitude da esperança cristológica «não passa por iludir problemas, mas preenchê-los com a esperança de quem vive agora do fim para o princípio», à luz da Páscoa de Cristo.
Segundo o Bispo do Porto, a «maior urgência pastoral de hoje é proporcionar a quem nos procura, com a veemência e o afecto de Paulo, a oportunidade de vislumbrar o que a sua existência pode ser se for a de Cristo em si, apurando o desejo e realizando a esperança».
Isto mesmo faz com que «os actos habituais se tornem em hábitos pastorais», já que antes disto «temos conversa religiosa, senão entretenimento religioso», afirmou.

Territórios vão além da geografia física
Apoiado nas estratégias seguidas pelo Apóstolo no anúncio do Evangelho, quer em relação à geografia física quer humana, D. Manuel Clemente defendeu a necessidade da criação de «comunidades móveis» e de novas formas de a Igreja trabalhar em rede.
«Toda a nossa pastoral assenta ainda e sobretudo em bases territoriais, mas hoje os territórios vão muito além da geografia física», disse. A inspiração paulina deve ajudar a encontrar os novos pontos-chave para a evangelização, como as famílias e associações, entre outras.
«A nova evangelização, como a primeira, não se fará por ocupação maciça do espaço, mas por expansão dinâmica das vivência e convivências», defendeu. «Uma ou mais famílias num bairro, um movimento numa escola ou num movimento sócio-profissional, uma presença nos media ou na internet corresponderão às cidades escolhidas pela argúcia e perícia de Paulo» na sua evangelização, afirmou o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
A este respeito, o prelado sugeriu que dioceses e paróquias em geral vivam e convivam mais em rede e em colaboração. Nesta linha, também os agentes de pastoral deverão colocar-se em atitudes de cooperação eclesial, como um corpo unido.

Paulo de Tarso, quem és tu?(2)

Ressurreição é conceito estranho
para o mundo contemporâneo

O segundo dia da XVII Semana de Estudos Teológicos começou com uma comunicação de Isabel Varanda, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. “Como falar da Morte, da Ressurreição e do Além. Ressonâncias paulinas” foi o tema tratado pela teóloga bracarense, que procurou responder à questão enunciada, no início, pela própria: «O ser humano, no século XXI, tem ainda capacidade para acreditar na ressurreição?»
Aos presentes, Isabel Varanda mostrou que «o conceito de ressurreição é estranho ao mundo moderno», ainda que o «ser humano viva uma contradição trágica entre a experiência da morte e o desejo de imortalidade».
Mostrando que as opiniões sobre esta questão são variadas, a docente da UCP frisou que essas interrogações levam a Igreja a interrogar-se de que modo pode devolver «plausibilidade e credibilidade à ressurreição» nos tempos que correm.
Todavia, surge precisamente aí o problema e a dificuldade da linguagem escatológica à qual deve ser imposto, como critério geral, o «princípio da parcimónia» com o qual, segundo a teóloga, não se obscureça a argumentação «nem com complexidade de conceitos nem com a ambiguidade de palavras nem com a multiplicação desnecessária de postulados e argumentos».
Na sua intervenção, a docente abordou algumas questões de escatologia, procurando caminhos de respostas e fazendo sínteses, mas deixando em aberto a discussão teológica da matéria.
À questão “Que significa o dom da imortalidade?”, respondeu que «a imortalidade no sentido bíblico não diz que o ser humano não é mortal», mas aponta para o corte das relações com Deus.
Em relação ao dualismo ou dualidade de corpo e alma e à questão “Com a morte biológica, o que morre ou quem morre?», disse que a corporeidade é um «momento constitutivo do ser» e que «não há alma separada de corpo nem corpo separado da alma». Nesse sentido, frisou que «a pessoa não é um corpo que vem a uma alma, nem uma alma que vem a um corpo».
Já a terminar, Isabel Varanda procurou elucidar os presentes para a questão “Com que corpo ressuscitam os mortos?” Apoiada em São Paulo – tal como aconteceu durante toda a intervenção –, a oradora afirmou que é «com o mesmo corpo», não terreno, mas um «corpo próprio que irradia a vida do Espírito».
Em relação ao que existe depois da morte, a docente falou sobre a doutrina da Igreja que refere o céu, o purgatório e o inferno. Sobre este último, disse: «O inferno é ver Deus e não querer partilhar a sua intimidade».

29 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

11 de outubro de 2008

Frei Luís Gonçalves, capuchinho de Barcelos














Dinamização bíblica deve combater
a ignorância religiosa e o paganismo

(texto e foto)José António Carneiro


Estando a realizar-se em Roma, no Vaticano, o Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, o Diário do Minho (DM) entrevistou Frei Luís Gonçalves (FLG), capuchinho da comunidade de Barcelos, que se dedica, de corpo e alma, à difusão da Sagrada Escritura um pouco por todo o País.
Este sacerdote, natural de Serafão, Fafe, ordenado em 1971, destaca a importância do Sínodo em si mesmo, mas considera que ele, assim como toda e qualquer dinamização bíblica, terão de ajudar a combater uma certa «ignorância religiosa do Povo de Deus» e também um certo «paganismo» que vai imperando na actualidade. Redescobrir e desenterrar as riquezas da Dei Verbum, apostar na dinamização bíblica da catequese e das paróquias são, para este capuchinho, formas de colocar de novo a Bíblia num lugar central da vida e da missão da Igreja.

DM – Que importância tem o Sínodo sobre a Palavra de Deus?
FLG – O Sínodo é uma instância importante da vida da Igreja. Este, sobre a Palavra de Deus, há muito que o Cardeal Martini – Arcebispo Emérito de Milão – se debate por ele.
Não há dúvida que isto é como um voltar às raízes, porque a Palavra de Deus é o alicerce da Igreja.
O Papa Bento XVI, na abertura dos trabalhos sinodais, começou por citar a famosa frase de São Jerónimo – “Desconhecer as Escrituras é desconhecer Jesus Cristo”. Efectivamente, ninguém ama aquilo que não conhece e se um cristão, ou qualquer outra pessoa, desconhece a Bíblia, então não conhece Cristo e igualmente ainda O não ama.
Daí a importância deste Sínodo sobre a Palavra de Deus, porque no meio do Povo de Deus há muita ignorância religiosa.
Para vencer esta ignorância religiosa é fundamental o estudo, a reflexão, a meditação e a oração da Palavra de Deus. Sem isto, nós não iremos longe.
Vou notando que anda por aí muito paganismo e muita ignorância entre os cristãos, e até entre alguns formados a um nível superior.
Ainda recentemente, estive com uma pessoa que pensava que São Paulo era um homem pagão. Quando lhe disse que era uma judeu fervoroso ficou boquiaberta. Pois, a este caso juntam-se tantos outros, formando uma lista interminável.

DM – Face à ignorância religiosa que pode ser feito?
FLG – Perante este cenário pouco animador em relação ao conhecimento da Bíblia parece-me que a tendência se pode inverter, se se apostar na dinamização bíblica trabalhando por levar a Escritura a toda a gente, na linha do que dizia o Papa Pio XII, há mais de 50 anos, colocando uma bíblia em cada casa.
Vão aparecendo, entretanto, alguns sinais animadores. Em várias comunidades tem-se criado o hábito de passar a Bíblia de casa em casa, em vez de, por exemplo, a imagem ou oratório da Sagrada Família. A ideia é pôr a pessoas a rezar diante da Bíblia, recorrendo ao texto bíblico.
De facto, a Bíblia devia ser o sacrário de cada casa, não para estar a ganhar pó na estante, mas para estar na mesa de cabeceira levando as pessoas a pegar nela, a abri-la, folheá-la e saboreá-la.
O lugar mais nobre de cada lar cristão deveria ser deixado para a Escritura. E se é importante a nossa devoção aos Santos, mesmo com oferta de velas e flores, com mais razão deveríamos saber venerar – como do próprio Cristo se tratasse – a Bíblia.
Este poderá, com certeza, ser um caminho para renovar as famílias e fazer frente a tantos problemas e dificuldades que elas sentem.

DM – Como se desenvolvem as actividades bíblicas dos Capuchinhos?
FLG – Nas nossas acções de dinamização bíblica, procuramos dizer às pessoas que é importante ler e estudar a Sagrada Escritura, como é igualmente necessário e importante rezar a Bíblia. É pela oração com a Bíblia que se cria familiaridade com Jesus Cristo.
Esta oração bíblica – para a qual procuramos educar aqueles que participam nas nossas iniciativas – deve ser ao jeito da Lectio Divina.
Nas actividades, os aspectos introdutórios são essenciais e, aliás, são um dos problema na Igreja ao nível da Bíblia. As pessoas são sabem pegar na Bíblia, não a sabem manejar, não sabem procurar os livros e, muito menos, os capítulos e versículos da divisão interna dos textos.
Às vezes, nas formações que oriento, preparo e levo ideias interessantes e muito bonitas para comunicar, mas quando chego ao local e me apercebo do auditório que tenho pela frente, tenho que alterar a minha comunicação para falar destas noções introdutórias que são muito rudimentares na generalidade dos cristãos.

DM – Na abertura do Sínodo falou-se de uma encíclica sobre a Bíblia. Considera que faltam instrumentos para a leitura e interpretação da Bíblia?
FLG – Não creio que faltem instrumentos, mas considero que falta quem se dedique inteiramente a este serviço da dinamização bíblica. Penso que faltam pessoas que se comprometam com o anúncio da Palavra de Deus.
Com certeza, uma encíclica sobre a Bíblia será bem aceite, mas parece-me que as riquezas contidas no Concílio Vaticano II, especialmente na Dei Verbum, ainda estão enterradas.
Penso que mais de 95 por cento dos cristãos não sabe sequer da existência da Dei Verbum, que contém material fantástico para a orientação da leitura e interpretação da Bíblia.
A Dei Verbum é uma luz que está colocada debaixo do alqueire e a precisar de ser colocada no candelabro.

DM – Catequese e paróquia têm um papel essencial na transmissão da Palavra de Deus?
FLG – Totalmente. A catequese é um veículo privilegiado para a transmissão da Palavra de Deus e os catequistas são agentes indispensáveis dessa transmissão.
Infelizmente, muitos nem sequer sabem pegar na Bíblia. Como podem desempenhar a sua missão? Dificilmente poderão ajudar as crianças e os adolescentes a estabelecer uma relação de confiança e de amor com Jesus Cristo.
Claro que essas falhas na missão catequética contribuem para um fenómeno a que assistimos todos os dias: muitos cristãos mudam de religião como quem muda de camisa, porque não sabem em quem acreditam.
Em relação às paróquias, considero que é importante que os párocos sejam os primeiros a apoiar e a trabalhar pela dinamização bíblica. É essencial que assim seja e falo por experiência: nas paróquias onde o pároco tem uma particular sensibilidade bíblica, nota-se que consegue “incendiar” as pessoas para o amor e para a familiaridade com a Bíblia.
E, aqui, não valem tanto os avisos do altar… Antes, é necessário uma pesca à linha, que vá directamente junto das pessoas concretas para as desafiar.

Iniciativas bíblicas em Braga e Viana do Castelo

Eis algumas das iniciativas agendadas pelos Padres Capuchinhos de Barcelos para os próximos meses, nas dioceses de Braga e Viana do Castelo:
– Outubro
14 a 18, em Serafão (Fafe)
22 a 26, em São Martinho de Vila Frescaínha (Barcelos)
27 a 31, em Junqueira (Vila do Conde)

– Novembro
4 a 8, no arciprestado de Monção
11 a 15, em Areias de Vilar (Barcelos)
18 a 22, no arciprestado de Terras de Bouro
25 a 29, na Zona Pastoral das Taipas, do arciprestado de Guimarães/Vizela

– Dezembro
2 a 6, em Cabanelas (Vila Verde)
9 a 13, em Vila Cova (Barcelos)
16 a 20, em Nine (Vila Nova de Famalicão)

– Janeiro
Última semana, em Arcozelo (Barcelos).

9 de outubro de 2008

O caçador que se tornou presa

Para a luz do dia despertou em Tarso. O pai conferia-lhe o estatuto de “cidadão romano”. Bebeu da sabedoria de Gamaliel. Aprendeu a fabricar tendas. Religiosamente, tornou-se um judeu fervoroso. Era irrepreensível na observância da lei. Tinha um carácter decidido. Ostentava a garra de um verdadeiro líder. No horizonte desenhava-se para ele um futuro risonho.
Depressa se tornou bem conhecido, esse Saulo, empreendedor, de formação esmerada, zeloso.
Assistiu à delapidação do diácono Estêvão. E queria mais. Afinal, essa nova seita que ia proliferando, estava a desestabilizar, a provocar o judaísmo, a gerar rupturas no tecido social e religioso do povo da ancestral aliança. Imagine-se que até já existiam cristãos na cidade de Damasco, na Síria, a 200 km de distância da Palestina.
E Saulo põe-se a caminho, para obviar a tremenda calamidade.
É então que Deus o intercepta. E lhe pede que não mais O persiga.
Saulo torna-se Paulo. O atacante torna-se presa. O caçador torna-se caça (como bem sublinha Carlos Mesters, na sua obra Paulo Apóstolo). O perseguidor atravessa três dias de cegueira, para ressuscitar homem novo.
Considera então como “lixo” as honras do passado. Mais do que confiar no que faz por Deus, confia agora no que Deus faz para ele. Mais do que “justificar-se” pelas obras, mergulha agora na gratuidade do amor de Deus.
Conduzido, não pela tradição ou pela lei, mas pelo Espírito («Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»), torna-se missionário itinerante, o Evangelho a rasgar sulcos e a frutificar na Ásia Menor e na Europa, a Igreja a crescer, o coração da Igreja a dilatar-se numa universalidade que derruba barreiras entre judeus e gregos, homens e mulheres, escravos e homens livres…
E o Espírito de Deus acompanha-o nas perseguições, nas torturas, nas ameaças de morte, nas acusações, nos tribunais, nas prisões.
Para a posteridade ficaram 14 cartas, espólio precioso que o Novo Testamento conserva, tantas vezes presentes nas nossas celebrações.
Paulo foi um verdadeiro apóstolo, uma testemunha eloquente, um herói. E um mártir. Aos 62 anos de idade, abriram-se para ele as portas do céu. A espada que o dizimou eclipsou-se. Só se vê agora a coroa da glória que Deus lhe ofereceu, juntamente com a felicidade eterna.
Estando nós a viver o Ano Paulino, proclamado recentemente pelo Papa Bento XVI; sendo o lema pastoral da nossa Arquidiocese, para o presente ano, “Encontrados pela Palavra”, não será de reflectirmos sobre a vida e escritos de São Paulo?!
Votos de um bom ano pastoral para todos, sob a protecção de Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe, também ela encontrada pela Palavra.

(texto)Cónego José Paulo Abreu
Vigário-Geral da Arquidiocese de Braga

in DM, 09/10/08

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...