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27 de novembro de 2017

De Que(m) Estamos à Espera?


O Advento mantém-nos humildes, sabendo que somos beneficiários diretos da paciência de Deus para connosco, e que, sem qualquer tempo e esforço despendidos por nós, fomos finalmente recompensados.
Enquanto esperamos juntos na fila durante o Advento, façamo-lo com bom humor e continuemos a dizer "sim" a tudo aquilo que a salvação reserva para nós: sim ao amor pessoal de Deus, sim ao reino de justiça e paz de Jesus, sim a cada oportunidade de servir o Evangelho, e sim a saber que o nosso Deus é nosso companheiro a cada passo da nossa caminhada.
Richard Leonard, sj, De que estamos à espera?, pág, 25 


foto e mais aqui:
http://www.snpcultura.org/de_que_estamos_a_espera_procurando_sentido_advento_natal.html

3 de novembro de 2016

Deus na e da (im)perfeição!

A salvação consiste na possibilidade de amarmos e de nos amarmos até ao limite, em fazermos das nossas feridas e das dos outros ocasião de cuidado e de misericórdia. 
O nosso Deus manifesta-se em contextos naturalmente imperfeitos e, sobretudo, não intervém para resolver os problemas (...)

O Deus da revelação entra nas histórias feridas e fracassadas para levar por diante a "sua" história de salvação. (...)

O nosso Deus não deseja senão ter filhos diante de si, para poder manifestar o que é, quer dizer, Pai, amor, misericórdia. 



In Paolo Scquizzato, O elogio da imperfeição. O caminho da fragilidade. 


2 de outubro de 2015

Onde diabo está Deus?


Estou no princípio mas, em defesa da "sanidade espiritual, recomendo já a leitura deste livro: Richard Leonard, «Onde diabo está Deus?


Sinopse

«Onde diabo está Deus? lê-se de um só fôlego. É difícil imaginar que se possa dizer isso acerca de um livro de teologia que aborda a questão milenar da bondade de Deus e da existência do sofrimento e do mal. Mas é verdade. Tocado pelo terrível acidente que deixou quadriplégica a sua querida irmã, antes dos 30 anos, Richard Leonard aborda algumas das questões mais duras que esse sofrimento levanta. Cada capítulo força o leitor a reavaliar a imagem que tem de Deus. Leia este livro; ele poderá mudar a sua vida» (William A. Barry, SJ).

Um excerto da Introdução:

«Aqui estão os meus sete passos para a sanidade espiritual, quando somos tentados e cedemos à tentação de perguntar: «Onde diabo está Deus?»
1. Deus não envia, diretamente, dor, sofrimento e doença. Deus não nos castiga.
2. Deus não envia acidentes para nos ensinar coisas, embora nós possamos aprender com eles.
3. Deus não quer terramotos, inundações, secas ou outros desastres naturais. A oração pede a Deus que nos mude para mudarmos o mundo.
4. A vontade de Deus manifesta-se mais na totalidade de uma situação do que nos seus detalhes.
5. Deus não precisava do sangue de Jesus. Jesus não veio apenas «para morrer», mas Deus usou a sua morte para anunciar o fim da morte.
6. Deus criou o mundo que é menos que perfeito, e no qual o sofrimento, a doença e a dor são realidades; se assim não fosse, estaríamos no Céu. Alguns desses problemas somos nós que os provocamos a nós mesmos, e culpamos Deus.
7. Deus não quer acabar connosco.»


30 de outubro de 2014

Os Portais do Mistério da Segunda Virtude (Charles Péguy)

 
 
«[O volume "Os Portais do Mistério da Segunda Virtude"] é porventura o mais assombroso poema sobre a esperança de toda a literatura contemporânea… O teólogo von Balthasar haveria de coloca-lo entre os génios religiosos que celebram a glória de Deus, ao lado de Santo Agostinho, de Dante, de Pascal ou de Hopkins. Com palavras como estas: “Péguy é indivisível, ele mantém-se dentro e fora da Igreja, ele é a Igreja in partibus infidelium, lá onde a Igreja deve estar... lá onde mundo e Igreja, mundo e Graça se encontram e se interpenetram, até ao ponto em que se torna impossível distingui-los. (...) O realismo bíblico e a integridade de pensamento conferem a Péguy uma clarividência sem costuras, para olhar o mundo exatamente como ele é: grande e miserável”. (...)
Deixou escrito: "Não sou um santo. A santidade reconhece-se imediatamente. Sou um pecador bom. Uma testemunha. Um cristão na paróquia, um pecador que possui tesouros de graça. (...) Ningém é mais competente do que o pecador em matéria de Cristianismo.»
 
por José Tolentino Mendonça, no Prefácio do livro. 
 
 
 
"O que me espanta, diz Deus, é a esperança.
E disso não me canso.
Essa pequena esperança que parece não ser nada.
Essa esperança menina."
(p. 16)

22 de novembro de 2012

Fé e memórias do leigo que falou no Concílio





Não é descabido, nem pela riqueza de pensamento nem pelo testemunho de fé, ler e ouvir o filósofo Jean Guitton. Acresce a isto o facto de este ser, até ao momento, em toda a história da Igreja, o único leigo a quem foi dada a palavra num Concílio. Em pleno Ano da Fé, que assinala os 50 anos da abertura do Vaticano II, no qual usou da palavra, eis mais uma razão para ler. Sugiro uma entrevista concedida à jornalista italiana Francesca Pini, que dá origem ao livro com o título “No coração do infinito”.
Do alto dos seus 96, na altura em que concedeu esta entrevista (Jean Guitton faleceu em março de 1999, com 97 anos) o filósofo francês não se envergonha de falar da sua fé, e de dizer que acreditar é diferente de saber e de compreender; ao invés, acreditar é aderir na noite. Sempre procurando aproximar fé e razão, mas sem deixar de lado o seu catolicismo, chega a dizer: “O fundamento da minha vida de filósofo foi ajudar as pessoas a optarem por um Deus criador em vez do panteísmo”.
Amigo pessoal de Paulo VI, confessa, a certa altura deste livro, que depois de ter ficado viúvo, a mando de um dos confessores, foi a Roma dizer ao seu amigo: “Agora que a minha mulher morreu, gostaria de me fazer padre”. Ao pedido do amigo, Montini respondeu: “Segunda-feira diácono; terça-feira, padre; quarta-feira, bispo; quinta-feira, cardeal; sexta-feira, papa.” E, termina Guitton, comentando o momento à jornalista: “Troçou de mim”!
Com liberdade de espírito, abertura, franqueza, lucidez, sabedoria, mística e fé, eis Guitton à nossa mercê, para ser lido e apreendido, enquanto homem, filósofo, místico e, acima de tudo, cristão até ao fim!

In Correio do Vouga, 22/11/2012


Pe. JAC

1 de junho de 2012

Concílio Vaticano II e os jovens. Novo livro em co-autoria


Acabo de receber "Vaticano II. 50 anos, 50 olhares", da Editora Paulus.

Uma edição comemorativa do Concílio Ecuménico Vaticano II, na qual também assino um pequeno texto (como os demais 49), acerca do grande acontecimento que foi o último concílio da Igreja, concretamente em relação aos jovens e à pastoral juvenil.


Confesso que ver o meu nome ao lado/junto dos restantes nomes/autores, me assusta um bom bocado... mas também não me deixa triste.


(Brevemente numa livraria perto de si... Por mim, pode/deve comprar!)

«Nasci mais de 15 anos depois do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II. Sou, portanto, herdeiro "afastado" desta reunião conciliar convocada pelo Papa João XXIII. Aliás, sou tão herdeiro deste Concílio como de todos os outros realizados na história milenar da Igreja, salvaguardando as devidas distâncias temporais.
A minha formação teológica "bebeu" já desta nova aragem trazida pelo Vaticano II. De facto, tendo decorrido há umas boas décadas ainda se pode dizer, e hoje também, passados cinquenta anos, que se tratou e trata de uma aragem nova, de um sopro renovado do Espírito, que conduz a Igreja.»


14 de outubro de 2011

“Caroço de Azeitona” de Erri de Luca

“Caroço de Azeitona” não parece muito o título de um livro donde brota a “fé” de um não crente, alguém que não tem a graça e o dom de acreditar. Mas é! Da autoria de Erri de Luca, escritor e poeta italiano, é um livro pequeno mas profundo, em muitas partes difícil de ler e de compreender. É composto por um certo percurso bíblico com passagens quer do Antigo quer do Novo Testamento, e donde brota, para mim, em especial, a frescura do fundo de um sepulcro, onde está Cristo vivo.
Leitor assíduo das Sagradas Escrituras, Erri de Luca procura a originalidade da Palavra na profundidade das palavras bíblicas donde, segundo ele, “descende toda a nossa civilização religiosa”. Tem contribuído para desmascarar o que considera ser, em muitos casos, “péssimas traduções da Escritura”. E este texto é bom exemplo disso mesmo.
Alguém que começa as suas manhãs a ler a Bíblia, no texto original, donde retira o que diz ser um punhado de versículos para que o seu dia tenha um fio condutor. É esse punhado, um “penhor de palavras duras, um caroço de azeitona para andar a girar na boca”. E este homem é não crente! Diz ele, pelo menos.

Pe. JAC
In Correio do Vouga

17 de junho de 2011

Esperar


A esperança está muito mais além
Do final feliz!
Esperar não é nem pode ser pensar
Que as coisas acabam bem.
Esperar é crer que as coisas significam
E que fazem sentido
Mesmo desconhecendo o modo
Como acabam as coisas.
Ninguém sabe o valor da esperança
Tão bem como sabem as mães.
Elas só confiam
E acreditam que tudo faz sentido.
Esperar é deixar Deus meter-se no agora
Porque só agora se joga a eternidade,
Ou melhor ainda: a eternidade é hoje, é agora!

Pe. JAC
Texto escrito depois de ler a bela Introdução do livro "Ser Cristão para quê", de Timothy Radcliffe, que aconselho vivamente.

23 de maio de 2009

Novo livro de Silva Lima é só «aparentemente» um manual


“Fazei Vós, também” apresentado ontem em Braga

O mais recente livro de José da Silva Lima é só «aparentemente» um livro para estudantes de teologia, destinado a alunos que estão a fazer o percurso académico para serem sacerdotes e clérigos. Esta foi a primeira afirmação de José Luis Corzo Toral, do Instituto Pastoral de Madrid, proferida ontem à tarde, em Braga, na sessão de apresentação de “Teologia Prática Fundamental. Fazei Vós, também”, da autoria daquele docente da Faculdade de Teologia de Braga.
Perante uma plateia de amigos e familiares do autor e de docentes e alunos da Universidade Católica, com destaque para a presença de D. Jorge Ortiga e D. Eurico Nogueira, o docente espanhol salientou a criatividade do autor, num «esplêndido livro» que vai contra todos os «costumes deste tipo de manuais» e desenvolve a temática da teologia prática com «absoluta originalidade».
Corzo Toral acentuou que a originalidade de Silva Lima começa logo pelo modo como abre o livro, com um capítulo dedicado à Eucaristia, que é a primeira acção da Igreja que a constitui e configura.
Mas a criatividade manifestada no decurso do volumoso livro de Silva Lima revela-se noutros pontos que Corzo Toral – que esteve no júri das Provas de Agregação a que o autor se submeteu recentemente na Faculdade de Teologia – apontou aos presentes. «Ao autor não falta imaginação criativa, nem qualidade narrativa nem qualidades de escritor», afirmou. Essa criatividade é compaginada com os textos bíblicos (de onde retirou o subtítulo do livro) e com a história lusitana, concretamente no capítulo dedicado a São Martinho de Dume e ao Beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires. A utilização de imagens da Igreja, incluídas no Novo Testamento, o aprofundamento do Concílio Vaticano II, em especial a Constituição Dogmática “Gaudium et Spes”, e ainda as ideias e chaves pastorais de João Paulo II são factores que contribuem para a originalidade do livro ontem apresentado.
Numa sessão marcada pela leitura de alguns trechos do próprio livro, Corzo Toral destacou também que a obra de Silva Lima está aberta não só à leitura por parte de futuros padres, mas também à dos cristãos comprometidos ou dos que têm interesses culturais e religiosos.
Além do mais, “Fazei Vós, também” é, segundo o docente espanhol, um «livro muito oportuno para os bispos», chegando, em alguns momentos, a ser «um manual do ministério episcopal».

Colecção enriquecida
com escritos
de docentes de Braga
Antes da apresentação, João Duque manifestou a alegria da Faculdade de Teologia por mais um docente do núcleo de Braga contribuir para a Colecção de Estudos Teológicos da Universidade Católica. O director adjunto da Faculdade de Teologia referiu que o livro de Silva Lima é a quinta participação de docentes de Braga nessa colecção.

23 de abril de 2009

Laurinda Alves apresentou “Coisas da Vida”


Candidata do MEP ao Parlamento Europeu, esteve em Braga

Laurinda Alves, candidata ao Parlamento Europeu (PE) pelo Movimento Esperança Portugal (MEP), esteve anteontem em Braga para apresentar, na Livraria Centésima Página, o seu mais recente livro intitulado “Coisas da Vida”, uma compilação de textos que a também jornalista assina, às sextas-feiras no jornal Público, e que deixa de escrever a partir da próxima semana, fruto de uma medida de retenção de custos adoptada pelo jornal.
A apresentação do livro decorreu numa conversa informal com algumas dezenas de pessoas na livraria bracarense, que a autora comparou a uma verdadeira biblioteca, ressalvando e destacando a beleza do espaço.
Laurinda Alves começou por dizer que o livro apresenta uma «escrita efémera e passageira» e, como tal, não se sente verdadeiramente uma escritora, porque não possui a densidade literária exigida para isso. «Prefiro escrever sobre o dia-a-dia e sobre o efémero», afirmou.
Para a autora, “Coisas da vida” são textos avulsos que têm um significado especial. «Foram escitos nos anos seguintes ao encerramento doloroso do projecto da Revista “Xis”, afirmou, num tempo que também «experimentei o que é estar no desemprego».
Lugar especial no livro e na vida da candidata do MEP ao PE
têm os cuidados paliativos nos quais Laurinda Alves se incoporou como voluntária nestes últimos tempos. «Imaginava-me incapaz disso, de estar à cabeceira de pessoas em estado terminal que não meus familiares». Todavia, perante o desafio, Laurinda Alves aceitou e fez um curso de voluntariado. «Os cuidados paliativos trouxeram mais causas à minha causa», sustentou.

17 de abril de 2009

"Sentir", de Marco Gonçalves, em Braga

Amanhã à noite tenho a nobre missão de apresentar este livro, "Sentir", de Marco Gonçalves.
A poesia que toca Deus com os pés na lama.

Começa às 21h30, no auditório da Junta de Freguesia de S. Victor, em Braga




O que eu disse na Apresentação, transcrevo para quem quiser:



Apresentação de “Sentir”, de Marco Gonçalves

Houve um tal (Sócrates) que disse “Só sei que nada sei”; outro (Guitry), mais adiante, teve dita de escrever “ o pouco que sei devo-o à minha ignorância”. Pois é desta forma que me situo diante do poeta Marco Gonçalves que hoje tenho a dita e a responsabilidade de apresentar – a minha visão é claro! – a partir deste pequeno livro (os livros não se medem pelas páginas, tal como os homens não se medem aos palmos) que temos à frente e que tem por título “Sentir”.
Escrever sobre sentimentos é sempre subjectivo. Não sentimos todos do mesmo modo, não vivemos os mesmos acontecimentos da mesma maneira, nem valorizamos ou desvalorizamos todos as mesmas coisas. Este é o ponto de partida: o autor escreve sobre o seu sentir, e não sobre o meu ou o vosso sentir.
Não tenho conhecimento – a não ser a minha ignorância – para vos falar objectivamente do Marco. Com certeza, muitos de vocês conhecem-no melhor do que eu. Mas uma coisa posso e é essa que vou fazer: vou procurar mostrar-vos e revelar-vos o Marco a partir do que ele escreve neste opúsculo.
As palavras que escrevemos revelam-nos – como Deus se revela na Palavra encarnada, no Verbum, no Logos, no Dabar divino, que é Jesus Cristo.
Pois, também o Marco se revela no que escreve. E nós, leitores, temos a missão, de o conhecer nessa revelação. E é esse conhecimento – tal como o da Palavra de Deus – que cria relação, comunicação, comunhão.
Ao lermos “Sentir” conheceremos o Marco. Talvez não na forma como ele se quis revelar, mas mais na forma como aprendemos e apreendemos essa revelação.
Correndo sempre o risco de ser errada, deturpada ou distorcida deixo-vos a minha visão, o que eu conheci do Marco com a leitura, não tão pausada e mastigada como deveria ser, dadas as circunstâncias de última hora, mas que é aquilo que me ficou gravado, na memória e no coração.
1. As palavras são ora brandas ora severas, às vezes graves e escuras outras vezes quentes e apetecíveis. São assim os sentimentos. O Marco usa variedade, uma panóplia de vocábulos. É objectivo e conciso no que diz: em tempo de crise económica, é a chamada economia de palavras.
2. Há contudo – parece-me – uma linha condutora, um lugar comum: a infância. Achei curioso em 41 poemas, aparecer 23 vezes a palavra “infância”, ou então “criança(s)” e ainda “menino”. Pois, a minha conclusão: o Marco sente com olhos, com ouvidos, com mãos e com coração de criança. E sente-se bem com isso e, como tal, a ausência da infância é uma “triste lembrança”. Esta leva o autor a pedir com fervor, como quem reza, “a não injustiça de ser homem sem ser criança”.
Isto leva-me a concluir que a “infância” seja para o autor um tempo de felicidade, um tempo que marcou positivamente e que ficou marcado, com selo quente, nas entranhas e no coração.
Esta não é uma infância temporal, mas mais do que isso: será, em meu entender, um estado permanente de sonho, de descoberta e de caminho, de abertura à novidade e simultaneamente à transcendência e à humanidade, de simplicidade, de pureza, de utopia, de sentimento, de ternura, carinho e amor.
Será, em certa maneira, aquela infância que Deus quer nos adultos ao dizer, pela voz de Cristo, no Evangelho: “Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”.
Esta é uma infância bíblica, de não auto-suficiência, de dependência, de quem como filho se abandona confiante nas mãos do Pai, o do Céu, que também é Mãe.
É uma infância duradoira, como modus vivendi permanente, que se abre ao futuro sem esquecer o presente, que é o futuro que nos é dado viver.
3. Se todos fossem meninos, se fossem crianças e cantassem as canções da infância, então a UTOPIA era possível, tudo seria fértil, as sementes seriam árvores e tudo daria fruto. Mas, nem sempre é assim: há escuridão, trevas e sombras. Todavia, abre-se lugar à esperança e o desejo de retorno e regresso à idiossincrasia da infância – o “retornar ao ventre morno” – permitirá uma vida com sentido, com finalidade, aberta aos outros e a Deus.

4. Um livro, o primeiro de Marco Gonçalves: uma meditação teológica e poética. Permite-me, contudo, discordar quando dizes que “alguns versos meus tocam em Deus, mas os meus pés permanecem na lama.”. Gosto da frase e percebo-a, mas atrevo um comentário: por muito que tentemos, nunca conseguiremos dizer Deus, porque Ele está além, para lá (meta) daquilo que possamos dizer, e, por isso, a conclusão final, apesar de todas as tentativas, será que Deus é mistério.
Conheces e lês os grandes místicos, cristãos ou budistas ou hinduístas, mas penso, como tu pensas, que nem eles conseguiram dizer Deus plenamente.
Contudo, gosto dessa atitude de estar com os pés na lama, ou seja com os pés no mundo, atento e conhecedor da circunstância que nos é dada viver. Só quem está na lama consegue levar a Deus o mundo que habita, e o Marco faz isso e fá-lo bem.
Espero que o continues a fazer em muitos poemas e versos, que se farão livro, com os quais nos vais voltar a brindar.

José António Carneiro | 18 de Abril de 2009

29 de janeiro de 2009

“Uma Palavra é melhor do que um Presente”

D. António Couto lançou livro
escrito com carinho e poesia


“Uma Palavra é melhor do que um Presente” é o título do mais recente livro do Bispo Auxiliar de Braga. D. António Couto salientou que esta obra é mais um contributo para a exegese bíblica moderna e para o enriquecimento dos cristãos. Trata-se de um conjunto de nove capítulos ou ensaios que, apesar de terem autonomia própria, foram trabalhados para formarem um conjunto harmónico.
Aos participantes da Semana de Estudos Teológicos, o prelado revelou que «o livro foi escrito com carinho» e, como tal, também o entregou ao público com carinho. «Esta pequena colectânea pode vir a resultar, no futuro, em mais publicações», uma vez que vai «continuar a tecer fios» que brotam do estudo aturado da Escritura.
Na sessão de apresentação do livro, o director-adjunto da Faculdade de Teologia começou por destacar o «peso da autoridade» que D. António Couto já conquistou «com trabalho e provas dadas».
Antes de estabelecer um sintético percurso para abrir o apetite do público presente no Auditório Vita, João Duque afirmou que os capítulos do livro «não são um amontoado de considerações mais ou menos piedosas e superficiais, sobre os textos da Escritura, como acontece em tantas publicações contemporâneas».
Para o teólogo, a obra do Bispo Auxiliar de Braga expressa um «trabalho cuidadoso sobre o texto original e com originalidade de abordagem».
Dos nove capítulos, o director-adjunto da Faculdade de Teologia destacou três: um sobre a Graça, um sobre a luta contra a idolatria e um sobre a cura.
O livro de D. António Couto, além destes já apontados, contém uma abordagem aos Salmos e um aprofundamento da noção de Lectio Divina. A Sabedoria é o tema do quarto capítulo. A apresentação de Cenários Bíblicos e o estudo do Anúncio Pascal ocupam os quintos e sextos capítulos, respectivamente.
A obra encerra com um grande capítulo sobre São Paulo, «em perfeita consonância com o contexto celebrativo do ano em que é editado».
João Duque concluiu a apresentação da obra, afirmando que «o caminho de graça e da Graça é o foco de toda a Escritura e é o tema central das abordagens de D. António Couto». E finalizou: «Este livro é um belo e mesmo poético contributo para a compreensão do caminho da salvação».

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...