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9 de outubro de 2017

Viver a Fé em Igreja Doméstica


Todos nascemos numa família e todos somos profundamente influenciados pela vivência em família. Não há famílias ideais nem um único modelo de família. Há um sem-número de situações familiares diferentes mas, olhando a espantosa diversidade existente no mundo, acreditamos que Deus ama a diferença e que todos os seres humanos têm lugar no Seu projeto criador.
Igreja é a reunião de todos aqueles que acreditam em Deus e querem viver a mensagem de Jesus. Todas as famílias podem ser Igreja Doméstica.
Gostaria de considerar como “família” também quem, embora esteja só, traz consigo muitos no coração.

Lucy Wainewright
Autora do livro “Ir à Igreja, Pertencer à Igreja, Ser Igreja”

16 de dezembro de 2016

Bênção para famílias "irregulares"



Senhor, que sondais e perscrutais 
os corações destes Vossos filhos e filhas,
Vós que conheceis e alimentais os seus sonhos,
e os amparais nos seus pesadelos:

Infundi neles a Vossa luz e sabedoria,
para iluminarem, de esperança e confiança,
as suas crises, angústias e dificuldades,
e discernirem, na verdade e na caridade,
com humildade e a ajuda da Igreja,
os caminhos possíveis de resposta a Deus 
e de crescimento, no meio dos limites.

Fortalecei-os Senhor, com a Vossa graça,
a fim de curarem, pelo perdão, as velhas feridas, 
cuidarem, todos os dias, da alegria do amor,
e assim crescerem, na caridade conjugal,
para se tornarem verdadeira igreja doméstica,
integrados na grande família, que é a Igreja.

Enviai, Senhor, sobre eles, o Vosso Espírito,
para que o seu amor cresça e se transforme, 
e eles se tornem, à Vossa imagem e semelhança,
uma só carne, um só coração, uma só alma.

Perdoai-lhes, Senhor, as suas fraquezas,
muitas das quais - Vós bem o sabeis - 
se devem à ignorância ou à inadvertência, 
ao medo ou à força de hábitos contraídos,
à imaturidade afetiva, à dureza do coração 
à violência ou a um estado de profunda angústia.

Derramai, Senhor, sobre eles a Vossa bênção,
para que possam caminhar, sem se cansar,
e alcançar, com a Vossa graça, o bem possível,
guiados pela Igreja, Mãe de coração aberto.
Ela os saiba acolher e acompanhar, 
discernir e integrar no seu seio,
para os guiar no sonho de uma família,
onde resplandeça o Vosso amor divino.

Nós Vo-lo pedimos, por Maria e José, 
que acolheram, com surpresa e confiança, 
com generosidade e amor, 
a vida e a vinda do Vosso Filho, 
que é “Deus connosco” e Deus convosco, 
na unidade do Espírito Santo. 
Ámen.


Oração de bênção para os casais e famílias ditas 'irregulares', composta pelo P. Amaro Gonçalo Lopes, inspirando-se na Exortação Amoris Laetitia, do Papa Francisco, sobre a alegria do amor em família.

28 de novembro de 2011

Advento: Senhor eu não sou digno!... mas confio!



"Ouvi, ó povos, a palavra do Senhor
e proclamai-a até aos confins da terra.
Não temais.
Deus vem salvar-nos".


2.ª feira da Primeira Semana do Advento

Não é fácil equilibrarmos a balança da vida da família nestes tempos em que a carga de negatividade das coisas parece, e é, tão pesada e insuportável.
Crise, cortes, aperto...
Tristeza, desespero e desesperanças...
Parece carga a mais, um jugo insuportável.

Revestir esta nossa vida e este nosso tempo de alegria, de confiança, da fé, que assenta na certeza da presença de Deus em todos os nossos momentos, é tarefa a empreendermos.
E o Advento serve plenamente para isso.
Vamos com alegria ao encontro do Senhor que já nos encontrou e nos amou em primeiro lugar. Sabemos o que somos? Senhor eu não sou digno que entres na minha morada, mas diz, porque basta a tua Palavra!
Deus, em Jesus, vem de novo e surpreende-nos mas é na surpresa do Seu Encontro que me encontro comigo mesmo.

12 de julho de 2011

Família, torna-te aquilo que és!

Nos dias 1, 2 e 3 de Julho estive em Coimbra, no Mosteiro de Santa Clara a Nova, a fazer as pregações da Festa da Rainha Santa Isabel.
Partilho algumas linhas das minhas pregações:

Escolhemos para este primeiro dia de pregação a temática da família. Trata-se de um “tema nunca esgotado, apesar de vivermos mesmo num mundo secularizado”, como escreveu D. António Marcelino.
Gostaria de a olhar na sua essência e natureza, mas deixando o desafio premente que João Paulo II, já deixava na Familiaris Consortio: “Família, torna-te aquilo que és”.
É comummente aceite que a família é base da sociedade é o tecido estruturante e fundante de qualquer sociedade. A família é fundamento de qualquer comunidade humana.
É bem verdade que as mudanças culturais, sociais e económicas são vertiginosas nestes tempos em que vivemos. Todavia, há coisas que não mudam, e ainda bem, tal como a família.
Disse o Bispo Emérito de Aveiro: “Há coisas que não mudam, mesmo que muitas coisas mudem ou pareçam mudar à sua volta. É o caso da família. Mudaram algumas das suas tarefas tradicionais; mudou o estilo de relação no interior do agregado familiar; surgiram novas oportunidades de intervenção de ordem social e política; alargou-se o fenómeno associativo; a opinião pública deparou-se com uma série de leis referentes à instituição familiar, enquanto tal; deu-se um decréscimo significativo do número de casamentos na Igreja, sempre que se deparou com a indissolubilidade do vínculo conjugal, numa sociedade que reage a compromissos que comportam exigências de permanência; experimentou-se o confronto com outras situações e expressões familiares; viveu-se a evolução, não paralela, de filhos que acederam a uma escolaridade alargada e de pais pouco alfabetizados…
Porém – caros amigos, devotos da Rainha Santa – apesar de todas as convulsões sociais e de leis que a pretexto de pluralismo e direitos individuais, pretendem atingir a instituição familiar, perduram e continuam na família riquezas intocáveis, que constituem o reduto da maior riqueza do país.”
Apesar de muitos reconhecerem a necessidade de se investir na família, na sua defesa, sabendo que aí passam os caminhos de solução para ultrapassar muitos problemas, tantas vezes assistimos a graves e directos ataques ao coração da instituição familiar. Perante todos os ataques à família, a Igreja, perita em solidariedade, não pode cruzar os braços e lamentar-se. Como dizia Bento XVI, na recente visita à Croácia: “Somos chamados a contrastar esta mentalidade”.
E o estado das coisas, meus amigos, é escuro:
Quando temos idosos mortos e a morrer, sozinhos e fechados nas suas habitações, durante dias, meses e muitos anos… algo não vai bem!
Quando temos e vemos uma cultura da violência em meio escolar, tão grave e horrenda, como as que vimos todos ainda há pouco tempo… algo não vai bem!
Quando tempos políticas para matar humanos e não as vemos, nem de perto nem de longe, para apoiar a natalidade… algo não vai bem!
Em 1995, o Papa João Paulo II, na encíclica “O Evangelho da Vida”, já apontava a “impressionante multiplicação e agravamento das ameaças à vida das pessoas”. “Este panorama inquietante – escrevia o Papa – longe de diminuir, tem vindo a dilatar-se”. E as coisas mantêm-se na mesma batuta!
Grave, caríssimos irmãos, no meio de tudo isto é o facto de esses atentados à vida e à dignidade das pessoas e das famílias não serem vistos e entendidos, numa larga consciência colectiva, como crimes, para assumir paradoxalmente o carácter de direitos.
Caso emblemático disto mesmo, dentro do nosso pequeno Portugal, é a despenalização do aborto que, tal como os dados que vão sendo publicados manifestam, se tratou e trata mais de uma liberalização, com poucas fronteiras e poucos limites.
Se não, como se explica que desde que entrou em vigor a nova legislação a mesma mulher possa ter feito 10 abortos? E quem financiou isto? Sabem todos a resposta!
E depois pensar e dizer que a “pretensa” despenalização do aborto, conforme a nossa legislação, é um sinal de progresso e de conquista da liberdade pessoal é assustador. Um Estado, um País, uma Nação que paga para matar humanos e que é tão “forreta” – permitam-se dizer assim – a ajudar e a subsidiar famílias que optam e querem ter filhos.
No mesmo documento, João Paulo II notava já este contra-senso: “na época em que se proclamam solenemente os direitos invioláveis da pessoa e se afirma publicamente o valor da vida humana, o próprio direito à vida é praticamente negado e espezinhado, particularmente nos momentos mais emblemáticos da existência como são o nascer e o morrer”. 
E não adiantará muito buscar fundamentações para o direito ao aborto. Alguns tentam justificar o aborto, defendendo que o fruto da concepção, pelo menos até um certo número de dias, não pode ainda ser considerado uma vida humana pessoal.
Na realidade, porém, «a partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é a do pai nem a da mãe, mas sim a de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca mais se tornaria humana, se não o fosse já desde então. Desde a fecundação, tem início a aventura de uma vida humana, cujas grandes capacidades, já presentes cada uma delas, apenas exigem tempo para se organizar e encontrar prontas a agir”.
Meus amigos: as políticas e todas as legislações que se opõem à família, à vida, à natalidade, à defesa dos mais frágeis são atentados ao futuro social e colectivo de qualquer sociedade. E a Igreja não pode calar. Não nos podemos resignar.
Permiti-me registar, contudo, alguns sinais, no que respeita à questão da família e natalidade, que constam do agora conhecido programa do actual Governo português. A promoção de um debate nacional sobre a questão do aumento da taxa de natalidade na sociedade portuguesa e a inversão da tendência de queda dessa taxa de natalidade, por meio de apoio à família nos primeiros anos da criança, são alguns pontos que todos esperamos ver mais além do papel, ver executados naquilo que é a vida concreta e diária das famílias portuguesas.
Nós vivemos numa era de relativismo. A todos os níveis. A ética não é excepção. Alguns, não poucos, pensam que apenas este relativismo garante e consagra a tolerância, o respeito recíproco. Ao invés disso, as ditas normas morais consideradas objectivas conduzem ao autoritarismo e intolerância. Mas, em todos os tempos, a moral é farol que ilumina a vida das pessoas.
Não há muito tempo, o agora nomeado Bispo da vossa diocese de Coimbra, D. Virgílio Antunes apontava o dedo a alguns “lóbis que sob a capa da modernidade” promovem posições contrárias à família e à Igreja.
O então Reitor do Santuário de Fátima, dizia que, na sociedade actual, as famílias são alvos de ataques e “grandes campanhas”. Utilizou mesmo a figura de Herodes para caracterizar todos os que se levantam para matar a família.
Em San Marino, durante um encontro com os membros do governo local, no passado dia 19 de Junho, o Papa Bento XVI destacou a importância de reconhecer a família como principal sujeito para fazer amadurecer pessoas livres e responsáveis, no contexto actual em que esta instituição é tantas vezes colocada em xeque.
O Papa afirmava que “os que sofrem as consequências são os grupos sociais mais frágeis, especialmente as jovens gerações, mais vulneráveis e por isso mais facilmente expostas à desorientação, a situações de auto-marginalização e à escravidão das dependências”.
Neste sentido, constata-se que, “diminuindo o apoio familiar”, frequentemente os jovens se vêem diante de muitos obstáculos “para uma normal inserção no tecido social”.
Por isso, “é importante reconhecer que a família, assim como Deus a constituiu, é o principal sujeito que pode favorecer um crescimento harmonioso e fazer amadurecer pessoas livres e responsáveis, formadas em valores profundos e perenes”.
Nós precisamos hoje de fortalecer a família. Aí está o caminho para curar muitos males da sociedade. Nós não precisamos de medidas paliativas para a família. Não podemos pactuar que ela entre em lenta e profunda agonia. Precisamos de revigorá-la, anima-la e dar-lhe alento.
Tal como João Paulo II, sabemos que “a família cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho da vida, principalmente através da educação dos filhos. Pela palavra e pelo exemplo, no relacionamento mútuo e nas opções quotidianas, e mediante gestos e sinais concretos, os pais iniciam os seus filhos na liberdade autêntica, que se realiza no dom sincero de si, e cultivam neles o respeito do outro, o sentido da justiça, o acolhimento cordial, o diálogo, o serviço generoso, a solidariedade e os demais valores que ajudam a viver a existência como um dom.”
Deixo desafios alinhados por D. António Marcelino. Diz ele: “Quando penso no tipo das sessões de preparação para o casamento no templo, na celebração festiva do mesmo, nas propostas de acompanhamento dos casais novos e dos casais já menos novos que procuram realizar a sua vocação matrimonial e parental, no acolhimento devido aos casais que vivem novas formas de convivência conjugal e dos que enfrentam especiais dificuldades no seu dia-a-dia, na situação dos membros mais velhos da família, muitos deles isolados nas suas casas e pensar, também, nos idosos, eternamente silenciosos, que enchem os lares, fico a reflectir sobre caminhos novos de uma renovação pastoral que traduzam com realismo a desejada acção da Igreja em prol das famílias”.
Precisamos, enquanto Igreja, de estar atentos a esta cultura de morte que vai abafando a cultura da vida. Os cristãos têm obrigação e missão de se consciencializaram dos graves atentados que continuam a acontecer diariamente à vida humana e à família.
Nós precisamos de cristãos a tempo inteiro, assumidos, conscientes. Não precisamos de cristãos a prazo, nem “das nove até às cinco”, nem de cristãos de conveniência e cristãos de circunstância.
Precisamos de cristão íntegros, grandes, porque para sermos grandes temos que ser inteiros.
Olhai, caros amigos, que na defesa da família e na defesa da fé cristã, a Rainha Santa Isabel refulge como exemplo e modelo. Nela podemos sempre reaprender a dar à família o valor que tem por natureza e por essência.
A sua extraordinária capacidade de apaziguar ânimos e contendas dentro e fora da sua família. As suas muitas virtudes de esposa fiel, de mãe atenta, amorosa e carinhosa, de mulher solícita em todos os momentos. Só a título de exemplo, recordar a bela lição de Santa Isabel que, na lenta agonia de D. Dinis, quis, ela mesma, tratar e cuidar do seu marido…
Tantos ensinamentos urgentes para o tempo de hoje. Um tempo onde as pessoas deixaram de se comprometer com o que quer que seja, um tempo onde a palavra “fidelidade” se esvaziou de sentido e de empenho pessoal.
Um tempo em que a família vai perdendo tanto, tantas oportunidade de vitalidade, de dinamismo, de alegria, de comunhão, de partilha, de amor…
Minhas irmãs e meus irmãos: que a Rainha Santa Isabel nos ensine a valorizar a família e nos ajude a assumir os nossos compromissos em relação à defesa da vida, em todos os momentos e circunstâncias.
Do Céu Ela intercede por nós ajudando-nos a enfrentar as agruras do tempo presente e a vivê-lo com esperança de futuro, sabendo que Cristo está connosco até ao fim dos tempos.
Pe. JAC

9 de setembro de 2010

Boa recuperação do meu irmão

A recuperação do meu irmão tem sido extraordinária. Surpeendeu-nos a nós e aos próprios médicos e enfermeiros...
Já passou para os cuidados intermédios.
As coisas estão a correr pelo melhor.
O coração está bem, os pulmões também. Aparentemente o AVC não terá provocado lesão grave... mas falta a avaliação pormenorizada.
Continua a receber antibióticos para a infeção... É o que falta!
Agradeço a todos aqueles que tiverem esta intenção presente.
Hoje vocês por ele e por nós, amanhã nós por vocês...
Obrigado
Pe. JAC

2 de setembro de 2010

Orações pelo meu irmão mais velho

Olá a todos

Peço orações pelo meu irmão mais velho, João Miguel. Está num estado crítico de saúde, na sequência de uma septicemia, que provocou vários problemas...
Está nos cuidados intensivos do Hospital de S. João, no Porto.

Agradeço e peço a todos esta intenção nas vossas orações.
Unidos em Cristo.

Recoloco um poema antigo porque creio:

Aconchego de Deus

Nenhuma palavra me explica o sofrimento
Toda a esperança foi levada pelo vento
E meu rosto é janela da dor do coração
Senhor, só teu braço pode dar-me salvação.

Do negrume e lamaçal tu me podes levantar
Minha tristeza e agonia podes transformar
E sei que um dia o Teu aconchego virá
E a Tua mão forte e suave me sustentará.

13 de setembro de 2009

Pai

Em dia de festa para o meu pai. Parabéns


Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

composição de Fábio Jr.

19 de maio de 2009

O pequeno ditador 1


Num diálogo amistoso com Família de Nazaré resultou uma iniciativa interessante. Porque estou a ler Javier Urra, O pequeno ditado. Da criança mimada ao adolescente agressivo. comprometi-me a retirar as ideias chave do livro e a partilhar com o blogue. Porque o Danilo já publicou no seu deixo agora o mesmo texto aqui. Refere-se apenas ao primeiro capítulo. os restantes estão em elaboração
 

Capítulo 1: Filhos agressivos


Ideias base: Existem filhos agressivos nas famílias. Se em muitos casos os filhos são vítimas, noutros, cada vez mais, são tiranos e agressores, caprichosos, que dão ordens aos pais, desobedientes, desafiadores…

Três tipos de maus tratos dos filhos em relação aos pais:

Condutas tirânicas: procuram causar dano ou incómodo utilizando a incompreensão como axioma; evitam responsabilidades, culpabilizando os outros.
Utilização dos pais: como se os pais fossem usufruto dos filhos ou caixas automáticas….
Desapego: transmitem aos pais que não gostam deles.

Causas da tirania:

Sociedade permissiva que educa para os direitos e não para os deveres. O corpo social perdeu força, perdeu autoridade. Há uma crise de responsabilidade, de falta de compromisso; sociedade do bem estar e do prazer.
Meios de comunicação são uma cascata de actos violentos
Crianças passam muito tempo sozinhas
Estrutura familiar modificou-se: desestruturação de muitos casais
Diferenças educativas entre os pais, e diferenças educativas entre os pais e os professores.
Excessiva permissividade dos pais – das três formas clássicas de controlo (autoridade, competência e confiança), parece que só há lugar para a última.

As crianças podem ser inofensivas, mas não são inocentes. Deve-se responsabilizar no processo educativo quem tem a missão primeira de educar, e esses são os pais. Deve educar-se nos deveres e nos direitos, na tolerância, marcando regras, exercendo controlo, e sabendo dizer “não”.
A tirania infantil reflecte uma educação (se assim se pode chamar) familiar e ambiental distorcida que aponta para o mais deplorável e paradoxal resultado, dando asas à expressão “cria corvos e eles te comerão os olhos”. 

(A partir da leitura da obra)

13 de maio de 2009

Jovens de Celorico celebram Dia da Família

O Grupo Esperança, constituído por jovens da paróquia de Santa Maria de Borba (Celorico de Basto), promove esta sexta-feira, Dia Internacional da Família, uma mesa redonda com o tema “A família na sua missão de acolher e proteger a vida e educar nos valores”.
Com a presença de quatro conferencistas – um casal e duas professoras –, o debate decorre na sede da Associação de Santa Maria de Borba da Montanha, a partir das 21h30.
Segundo o pároco, padre Rui Saraiva, «a comunidade foi reflectindo ao longo do ano sobre a vida, os seus amigos e inimigos, e como consequência disso pareceu-nos oportuno dinamizar esta Semana da Vida, que estamos a viver, com diversas actividades, entre elas a promoção desta mesa redonda».
O sacerdote refere que foram distribuídos anteriormente convites às famílias da comunidade, mas pretende-se «chegar ainda mais longe, porque achamos importante e oportuno reflectirmos sobre os verdadeiros valores que devemos defender, como é a vida, dom de Deus».
O grupo de jovens iniciou esta Semana da Vida, no passado domingo, interagindo com outro grupo de jovens, num encontro onde houve diversão e reflexão.
Sem esquecer Maria, geradora da Vida, durante toda esta a semana a oração do Terço estará a cargo do grupo.

29 de abril de 2009

Dez grávidas abençoadas em Braga


Associação Famílias celebrou padroeira


A igreja paroquial de S. Lázaro, em Braga, acolheu ontem, ao final da tarde, a já habitual bênção das grávidas, uma celebração organizada pela Associação Famílias, no dia da sua padroeira, Santa Joana Beretta Molla. O padre Roberto Mariz exortou dez grávidas, bem como os demais presentes, a comprometerem-se com a vida, com a alegria, com o trabalho e com a Igreja, a exemplo da santa italiana canonizada por João Paulo II em 2004.
No rito de bênção que decorreu depois da homilia, o sacerdote explicou que esta acontece «para que a mãe ame, desde já, o fruto que tem em seu seio». Feita a bênção e terminadas as saudações, os presentes manifestaram a sua alegria com uma salva de palmas para as futuras mães.
Na homilia, o pároco de S. Lázaro começou por enaltecer o trabalho desenvolvido pela Associação Famílias, constituída por leigos, em prol da família e da defesa da vida.
A respeito da memória litúrgica de Santa Joana Beretta Molla, o sacerdote, que é responsável pela Pastoral Familiar ao nível da Zona Pastoral da Cidade, defendeu que a santa italiana é exemplo de compromisso com a vida, porque, na quarta gravidez, Santa Joana, apesar dos problemas, «exigiu que os médicos salvassem a filha».
Além disso, o padre Roberto Mariz destacou que, em vida, «Joana Beretta Molla irradiava alegria, paz interior e felicidade», o que por si mesmo revela «gosto por viver».
O sacerdote destacou, por fim que, como médica, Santa Joana é também para todos exemplo ao nível do «compromisso com o trabalho», e como crente, é exemplo pelo «testemunho de amor e compromisso com a Igreja».
Esta celebração aconteceu pelo quarto ano consecutivo.

29 de março de 2009

Alcoolismo juvenil deve entrar na agenda da Pastoral Familiar


Arcebispo de Braga pediu atenção à educação sexual


O Arcebispo de Braga defendeu ontem que o problema do aumento do consumo de álcool entre os jovens portugueses deve figurar na agenda de trabalho das equipas de Pastoral Familiar e também da Igreja. Do mesmo modo, para D. Jorge Ortiga a questão actual da educação sexual nas escolas merece por parte dos agentes que trabalham em prol da família atenção e discernimento.
O responsável máximo da Arquidiocese de Braga falava ontem numa reunião com os responsáveis dos movimentos ligados à Pastoral da Família e enumerou três âmbitos de acção em que essas associações podem e devem apostar. Os ataques à instituição familiar continuam de muitos lados, uns mais dissimulados que outros e, nessa linha, a Igreja deve dar uma resposta efectiva aos problemas reais das famílias.
As recentes notícias que dão conta do aumento significativo no consumo de álcool entre os jovens portugueses preocupam o prelado bracarense. Por isso, a questão deve ser olhada de frente e a Igreja não se pode alhear a esse problema.
A par deste, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa colocou os problemas que podem advir da aplicação da lei da educação sexual nas escolas concretamente da falta de qualidade de manuais que podem vir a ser utilizados na disciplina. «Tive oportunidade de olhar alguns livros que poderão ser usados na disciplina e o panorama não é muito animador», afirmou D. Jorge Ortiga.
Com uma carga horária mínima de 12 horas por ano lectivo nos ensinos básico e secundário, a educação sexual dos filhos é, para o Arcebispo de Braga, uma questão à qual os pais não se podem demitir, correndo-se o risco de os danos serem graves.
D. Jorge Ortiga apontou ainda o projecto que a Arquidiocese quer levar a cabo e que tem a ver com a construção da Casa Alavanca destinada a «levantar» aqueles que, por variados motivos, experimentam carências sociais. Destacando a necessidade de estar atento aos que sofrem privações e que, por dificuldades económicas próprias do tempo de crise, não têm uma vida condigna, o Arcebispo Primaz afirmou que a nova estrutura não se destina apenas à cidade de Braga, mas estará ao serviço de toda a Arquidiocese. Por isso mesmo é que uma parte do Contributo Penitencial deste ano se destina a essa causa.
Em jeito de balanço, D. Jorge Ortiga disse aos presentes que já foram feitas coisas boas para as famílias, particularmente durante o último triénio pastoral dedicado à família, como por exemplo a criação do CAFVida. Contudo, o caminho não está acabado e, por isso, é necessário continuar. «É a partir das famílias que a Igreja trabalha com as famílias», disse o Arcebispo.
Recordando o trabalho feito por leigos que viu durante os dias da recente visita a Angola, representando junto do Papa os bispos portugueses, D. Jorge Ortiga pediu um compromisso reforçado aos elementos da Pastoral Familiar da Arquidiocese.

Este ano não se celebra
Dia Arquidiocesano da Família
A reunião começou com uma oração/meditação orientada pelo assistente, padre Domingos Paulo Oliveira, que também deu conta do trabalho desenvolvido pelo CAFVida nos dois anos de existência. O também pároco da Sé e de S. João de Souto, com o cónego Manuel Joaquim Costa, referiu ainda o CAF de Ribeirão e falou das conversações que estão em curso para a criação destes centros em Guimarães e em Vila do Conde.
Nos assuntos abordados o destaque vai para a celebração do Dia Arquidiocesano da Família que este ano, por coincidir com a celebração dos 50 anos da inauguração do monumento a Cristo Rei, em Almada, não se vai realizar. A este respeito, o prelado pediu a mobilização de toda a Arquidiocese para participar numa celebração de alcance nacional, junto ao Rio Tejo, que vai decorrer no dia 17 de Maio, pelas 16h00, e que conta com a presença do cardeal José Saraiva Martins, como legado papal.
A VII Jornada da Família, que terá lugar no dia 16 de Maio, também está a ser preparada. “A família e a Palavra” é o tema deste ano, que se divide em duas vertentes: “A família em comunicação” e “A família formada pela Palavra”.
A reunião que decorreu no Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese serviu ainda para se apresentarem as actividades desenvolvidas pelas equipas de Pastoral Familiar, particularmente as dificuldades e os anseios.

8 de janeiro de 2009

Jornada da Família em Famalicão

Novo formato coloca evento ao sábado de tarde
Jornada da Família quer ser
provocação e agitação de mentes

Texto e foto: José António Carneiro

Cansados de ouvir falar mal da família e das relações familiares, as equipas de Pastoral Familiar de Santo Adrião e Brufe, Vila Nova de Famalicão, juntamente com os párocos, padre Paulino Carvalho e Francisco Carreira, organizam a IV Jornada da Família, intitulada “A Família seduz-me”, com a finalidade de ser provocação e agitação das mentes.
Com um cartaz promocional que tem representado quatro frutos, os organizadores pretendem sublinhar a multiplicidade e o pluralismo da família. Os frutos são cada um dos membros da família «com uma cor, tonalidade e brilho múltiplos, com um sabor e um gosto distinto», afirmaram numa conferência de imprensa realizada ontem em Famalicão.
Para o padre Francisco Carreira «a família é o lugar da sedução do homem» e essa sedução é feita pela família para os outros e na família para si mesma, defendeu.
«Enquanto a família for lugar de sedução ela será sempre uma esperança para o mundo. A família cristã seduz porque Deus depositou nela as sementes da esperança. A família seduz porque é ela a portadora desse património de confiança e de alma que acalenta a vida», afirmou o pároco frisando que o sinal de esperança no futuro reside na família que é o pilar de toda a história da humanidade.

Neste sentido, o sacerdote desafiou todas as famílias do arciprestado e além deste a participarem no evento porque essa participação irá confirmar que «se tudo começa em casa» e que «se a igreja é a casa dos filhos de Deus, então é lugar para a família marcar presença». «Se tudo começa em casa, participemos na jornada da família», concluiu o padre Francisco Carreira.

Novo formato coloca
jornada ao sábado
A IV edição desta jornada tem, este ano, um novo formato, depois de um trabalho de avaliação e auscultação junto de participantes de encontros anteriores. Em vez de se realizar ao domingo, como as primeiras três sessões, vai decorrer no sábado, dia 31 de Janeiro, da parte da tarde. O programa arranca às 14h30 com o acolhimento, no Centro Cívico e Pastoral, seguindo-se uma conferência pelo casal José Souto Moura e esposa. Pelas 17h00, começa um debate e a iniciativa terminará com uma Eucaristia, pelas 19h15, na Igreja Matriz (Nova) de Famalicão.
Os organizadores informam ainda que os participantes terão nas instalações da Creche-Mãe a possibilidade de deixarem os seus filhos ao cuidado de técnicos e funcionários da instituição.
Em nome dos oito casais que compõem as equipas de Pastoral Familiar das duas comunidades famalicenses, Manuel e Idília Leite falaram das motivações destas jornadas. Terminado um ciclo de três anos pastorais dedicados à família, também esta comissão organizadora terminou uma fase ao nível destas jornadas. Este ano abre-se, por isso, um novo ciclo que aponta para a valorização da família como esperança de futuro através da valorização permanente da dignidade da pessoa humana.
Redescobrir na família as sementes de esperança; potenciar a família para lá das desilusões e seduções mundanas sem as negar ou negligenciar; estimular e seduzir a família cristã para a esperança do Evangelho; dinamizar a fé, como fundamento da esperança, na qual radica o projecto integral de desenvolvimento da família que a Igreja apresenta; reconhecer que a família não vive de conceitos abstractos mas é real, concreta, visível e constituída por pessoas; fazer o discernimento sociológico da família hoje e, finalmente, perceber por que é que nunca, ao longo da história, os casamentos se fizeram tão livremente, com base no amor, e a paternidade nunca foi tão assumida e planeada, são os objectivos delineados para esta IV Jornada da Família.
As inscrições abrem este fim-de-semana e terminam no dia 25 e podem ser feitas no final das Eucaristias e ainda no Cartório ou junto dos elementos organizadores. Como é habitual, todas as paróquias do arciprestado podem associar-se à iniciativa.

26 de dezembro de 2008

Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida

Associação Famílias exige
respeito pela vida humana

Texto e foto: José António Carneiro

A Associação Famílias apresentou ontem de manhã, em Braga, uma Proposta de Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida por meio da qual exige mais respeito pela dignidade da pessoa humana.
O novo documento que é da responsabilidade do Instituto Internacional “Familiaris Consortio” (IIFC) pretende, também, contribuir para um maior conhecimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem, produzida na sequência da II Guerra Mundial e que assinalou ontem 60 anos de existência.
Na conferência de imprensa, na sede na Associação Famílias, Carlos Aguiar Gomes fez uma apresentação global da carta alertando para diversas situações nas quais, actualmente, os direitos humanos continuam a ser ignorados e desrespeitados. O presidente da associação destacou alguns dos 10 números que compõem a carta editada em quatro línguas – alemão, francês, inglês e português – e apresentada em diversos países por meio do IIFC.
Em concreto, o documento, dirigido a toda a comunidade humana, condena todas as tentativas de selecção eugenista, experiências sobre e com embriões humanos, clonagem e hibridação de gâmetas humanos com gâmetas de outras espécies. Também a eutanásia, o suicídio assistido e a pena de morte não escapam à critica do documento apresentado ontem.
Num momento histórico, marcado por uma crise económica mundial, os autores da Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida não deixam de lado o problema da fome e todas as formas de pobreza considerando-as «intoleráveis». A este respeito, Carlos Aguiar Gomes lamentou que em Portugal existam, nos dias de hoje, cerca de dois milhões de pobres, com tendência para o número aumentar.
A ecologia e os problemas ligados ao equilíbrio da natureza estão igualmente referidos nos pontos que compõem o documento, assim como a necessidade urgente de o Estado criar as condições desejáveis e necessárias para que os cidadãos possam ter direito a cuidados paliativos e a apoios domiciliários na fase final da vida humana.
O presidente da Associação Famílias disse, na palavra introdutória, que «infelizmente as agressões aos direitos humanos continuam» e denunciou algumas dessas formas de ataque: umas são «destacadas, descaradas e publicamente assumidas», ao passo que outras são «veladas e apresentadas como consequência e sinal do progresso de um mundo pós moderno».
E acrescentou: «tome-se como exemplo a “limpeza” eugénica que está a ser feita diariamente com o apoio e concordância dos diferentes poderes políticos, se não mesmo com a imposição deste».
Como resposta a esta situação, a Associação Famílias não se calará nem deixará de exercer o seu direito de denúncia. «Condenamos a eugenia nazi com a mesma veemência face à que hoje se pratica com meios muito mais sofisticados de muitos centros hospitalares». E prosseguiu: «todo o atentado à dignidade de toda e qualquer pessoa, a começar pelo seu direito natural e profundo a viver, merece a nossa mais viva repulsa».
Entretanto, Carlos Aguiar Gomes salientou alguns sinais positivos na defesa dos direitos humanos dados, por exemplo, pelo presidente do Paraguai – o antigo bispo católico Fernando Lugo – que vetou a lei do aborto e, também, a recusa do grão-duque do Luxemburgo em avalizar uma lei que legaliza a eutanásia, ainda correndo o risco de ver reduzidas as prerrogativas de soberano.
Segundo Carlos Aguiar Gomes a Proposta mereceu a análise e comentários de diversas personalidades de reconhecido mérito e competências na matéria e já foi enviada às diversas autoridades políticas e religiosas entre os quais, todos os líderes parlamentares e os Bispos de Portugal.
O documento estará disponível na internet, na página da Associação Famílias (www.a-familias.org), ou na sede da organização (Rua de Guadalupe, n.º 73, 4710-298 Braga). Diga-se, por fim, que a capa da edição portuguesa consta de uma ilustração da autoria de uma menina de sete anos.

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

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