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9 de março de 2018

A LUZ (4º domingo da Quaresma)


No caminho, que vou fazendo,
A luz, às vezes falta,
Deixando-me perdido!
A angústia, então, assalta
O meu coração aflito,
O meu ser sedento
De metas de infinito!

“Senhor, onde estás?”
Clamo, numa oração confiada!
Mas não é fácil escutar,
Na noite mal iluminada,
A tua presença de paz!

Eu sei, no entanto,
Que Tu, Senhor, caminhas ao meu lado,
A tua mão enxuga o meu pranto,
Ampara o meu ser de pobre cansado,
Perdido no silêncio dos dias,
Na angústia de uma solidão
Feita companhia!

É verdade que tudo pode terminar
Num qualquer Calvário, numa cruz,
Mas há a certeza de me acompanhar,
Nos caminhos da dor, a Luz
Que vem meus medos iluminar:
Jesus!

Pode ser luz pequena, escondida,
Feita mais silêncio que palavra,
Estrela breve, na noite sumida,
Mas é luz que me escuta e afaga
Nas estradas da dor sofrida,
E num silêncio que esmaga!

D. Manuel dos Santos


13 de fevereiro de 2018

Passos de Esperança. Libertar para Caminhar.



O que nos possibilita o Tempo da Quaresma e da Páscoa? São 96 dias para dar “Passos de Esperança”. Este tempo que é um grande caminho far-se-á passo a passo e exigirá um duplo movimento resumido em dois verbos que revelam duas atitudes: libertar para uma maior adesão a Jesus Cristo; e caminhar para prosseguir no anúncio feliz da Ressurreição. Daí que o tema desta caminhada seja “Passos de Esperança: Libertar para Caminhar”. 
Este ciclo litúrgico, na sua globalidade, permite-nos mergulhar no drama tenso e intenso do mistério central da fé cristã: a Paixão, a Morte e a Ressurreição do Senhor. Na carta encíclica “Spe salvi”, Bento XVI escrevia: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30) (SS 27). Por sua vez, o Papa Francisco, na sua primeira exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, afirmou: “A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva!” (EG 278).
Em plena sintonia com o Magistério, vivemos, como Igreja Diocesana, um plano pastoral dedicado à esperança, um triénio no qual se faz desta virtude teologal o tema e o lema central do nosso caminho. Como discípulos missionários, pela oração pessoal e comunitária, pelos sacramentos e pela caridade vivida com os irmãos, percorreremos este caminho assente no encontro com Jesus Cristo. 

A proposta que aqui se apresenta coloca cada um nessa “marcha da esperança viva” (EG 278). Essa marcha, esse caminho requer os nossos passos pequenos, mas firmes. É bem certo que ninguém demasiadamente carregado é capaz de fazer o caminho, por mais pequeno que seja. 
Nesse sentido, o tempo da Quaresma, a primeira parte da caminhada, pede-nos esse exercício de libertação dos pesos e dos pecados que dificultam (quantas vezes até impedem) o nosso caminhar! É o tempo da viagem ao interior, para pôr a “mão na consciência”, para ousar a conversão, a metanoia, para mudar e deixar moldar o coração pelo Senhor, para aderir a Ele de verdade. 
Libertos dos pesos e dos pecados, será possível fazer da Páscoa e do Tempo Pascal como que um grande “compasso”, de anúncio jubiloso e festivo da Ressurreição do Senhor que é “a razão e o motor da nossa esperança” (Tolentino Mendonça). O “calçado” apropriado para este tempo confirma o belo dizer deste padre e poeta: “os crentes (...) vivem na esperança. Habitando desse modo o tempo vivem como deslocados, em movimento, em trânsito pascal, em saída”.

http://www.diocese-braga.pt/liturgia/noticia/17369/

8 de janeiro de 2012

A Luz que desponta leva-nos por caminhos novos. Homilia na Epifania do Senhor



Ainda em Natal, já mesmo a terminar o tempo, mas não a alegria e a certeza da presença do Deus Emanuel, a liturgia da Palavra leva-nos, agora com os Magos, até ao presépio. Sempre até ao presépio, o lugar onde Deus acampa, e, por isso, ir ao presépio é, acima de tudo, ir ao nosso coração, o verdadeiro presépio/morada do Menino Deus.
Continuamos, por isso, a aprender nesta bela escola do presépio. E aprendemos hoje com os Magos do Oriente.
Fabulosa catequese nos é dada nestas leituras. Enfoque especial ao Evangelho, sem deixarmos de acenar ao luminoso e esperançado texto de Isaías, na primeira leitura.

São, para mim, absolutamente secundárias as questões relativas à origem da estrela que os Magos seguiram. Também a questão dos seus nomes é secundária, extra-evangélica. Não importa se eram Baltasar, Belchior e Gaspar. Não importa se um era europeu, um africano e outro indiano. Não importa se eram reis ou não. Não é até fundamental saber se ofereceram mesmo ouro, incenso e mirra, mesmo que venha assim expresso na página do Evangelho.
Esta festa da epifania de Deus que celebramos está longe de ser uma pequena história infantil, alimentada no nosso imaginário, desenhada com as cores da superficialidade das novelas e das fábulas.

Afinal de contas, o que é que é essencial, nesta solenidade da Epifania?
Em primeiro lugar, epifania significa, do grego, manifestação. Trata-se, para nós cristãos, da manifestação do mistério de Deus, invisível e escondido desde sempre e, agora, tornado conhecido e visível, em Jesus que nasce no presépio. Jesus é o sacramento do Pai, a revelação do Pai. Em boa verdade, como expressa José Augusto Mourão, “a epifania é o cumprimento da missão do Filho [revelar e mostrar o Pai] e ponto de partida para a missão individual de cada cristão”. A epifania de Deus leva-nos à missão diária, quotidiana, fazendo-nos Suas testemunhas e sinais.

Importa perceber que a estrela que os Magos seguem, segundo relato de Mateus, é essa luz nova que desponta, no cumprimento pleno das palavras do profeta Balaão («Eu o vejo, mas não agora,/ eu o contemplo, mas não de perto:/ uma estrela desponta de Jacob,/ um ceptro se levanta de Israel» (Números 24,17) e do profeta Isaías, tomado como primeira leitura de hoje, («chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor » (Isaías 60,1).
Esta estrela que arde e brilha nos olhos e no coração dos Magos orienta os seus passos e, neles, os nossos passos, para a verdadeira Estrela que desponta e que é Jesus. E os Magos e, com eles, a humanidade que somos, orientamos para aquele Menino toda a nossa vida. É o que significa o verbo «adorar». Esta «adoração» é o verdadeiro presente a oferecermos ao Deus Menino, muito mais do que ouro, incenso e mirra.
Fazer deste Menino, que traz em Si a plenitude de Deus – verdadeiro Deus e verdadeiro Homem – centro e luz da nossa vida, é imperativo desta solenidade. É este Deus que os Magos adoram Naquele Menino com Maria, Sua Mãe.

Essencial, ainda na epifania, é perceber também, como a Deus lhe repugnam as portas. O presépio não tem portas. Deus quer as portas só para estarem abertas, nunca fechadas, para todo aquele que O quiser ver. Não é preciso marcar entrevista, nem audiência, nem tocar à campainha. Ele é verdadeiramente Emanuel, Connosco e em Nós. É num Deus assim que acredito.

Importante lição dos Magos, mesmo a terminar: depois de encontrar a Luz, que é o Menino Jesus, podemos e devemos seguir por outro caminho. Surpreendente! Até para regressarmos a casa precisamos de aprender um caminho novo! No nosso caso, poderá não ser caminho novo no percurso e no trajecto, mas deverá ser sempre renovado na motivação, no entusiasmo, na alegria e na certeza da presença da Luz de Deus em nós.
Um Santo Domingo.

30 de dezembro de 2011

Advento-Natal 2011-2012. Ano Novo




Santa Maria Mãe de Deus
Ano Novo
Dia Mundial da Paz
Maria
guardava
tudo
no seu coração!




Um ano novo começa. A aprendizagem a partir do Presépio continua.
Neste fim-de-semana, vamos guiados pelos pastores a ver o Menino nascido em Belém.
Os pastores são homens do campo, simbolizam a simplicidade e garantem que Deus acolhe a todos, sem se importar com a sua condição social. Para todos, Deus tem uma missão, por muito simples que sejam os instrumentos.
Uma vez mais resulta imperioso confirmar a certeza de que Deus nunca escolhe os capazes mas sempre capacita os escolhidos.
Para compreender, ainda que nunca totalmente, o mistério inaudito de um Deus feito como nós, apenas porque quer ser como nós, precisamos da humildade destes pastores.
Ano novo, vida nova. É sempre hora de recomeçar e estamos sempre a tempo!

Os pastores vieram, correndo.
Correndo, gastamos nós a vida
para conseguir o que ansiamos.
Se chegássemos a Ti correndo
com certeza nos mostravas
que Tu és a calma e a paz.
O presépio é o lugar da primeira mensagem,
é a marca do Teu estilo:
És simples e pequeno!
Nós que pensamos que somos o que temos,
temos de aprender Contigo
que viver é ser pobre e humilde.
Faz-nos pequenos e simples como os pastores.
Como Tua Mãe, faz-nos guardar tudo no coração.
Santa Maria Mãe de Deus, olha por nós!




Renascer

Quando eu deixar
aquilo que estorvar
e seguir aquela luz
que me seduz…

Quando me livrar
e puder renunciar
a tudo o que não conduz
a Ti, ó meu Jesus…

Então serei capaz
de ao mundo levar paz,
e assim poderá nascer
um novo modo de viver.

E os homens poderão
vencer toda a solidão
e só Deus triunfará.

Pensando com a razão
amando com o coração
será novo o Amanhã!

Pe. JAC

15 de dezembro de 2011

Advento 2011. Afinal, ainda há profetas!?


[João Baptista] é aquele de quem está escrito: “Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de ti”.
Eu vos digo que entre os nascidos de mulher não há nenhum maior do que João”.





Senhor,
Nós pensávamos que os profetas estavam longe de nós,
Nós pensávamos que os profetas já tinham morrido,
Nós pensávamos que os nossos dias
Não eram dias de profecia…
E, contudo…
Quando menos o pensávamos,
Alguém nos desperta.
Quando menos o pensávamos,
Alguém nos interroga.
Quando menos o pensávamos,
Alguém nos surpreende.
Quando menos o pensávamos,
Alguém grita verdade, generosidade, coerência,
E nos sentimos “apanhados”.
Pensávamos que não era tempo de profetas
E há profecias e há profetas.
Olhamos para o lado para nos escaparmos,
E ali, para onde fugimos,
Também há profetas.

(adapt. A. Ginel)

Deus continua a precisar de profetas. Não dos que, como João Baptista, devem anunciar a Sua vinda, mas dos profetas-mensageiros-discípulos que já vivem e resplandecem com essa vinda.
Precisamos de ser rosto de Deus no mundo!

12 de dezembro de 2011

Advento 2011. Perguntas inconvenientes?


Naquele tempo, Jesus foi ao templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se d’Ele os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes tudo isto? Quem Te deu tal direito?» Jesus respondeu-lhes: «Vou fazer-vos também uma pergunta e, se Me responderdes a ela, dir-vos-ei com que autoridade faço isto. Donde era o baptismo de João? Do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a deliberar, dizendo entre si: «Se respondermos que é do Céu, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ E se respondermos que é dos homens, ficamos com receio da multidão, pois todos consideram João como profeta». E responderam a Jesus: «Não sabemos». Ele por sua vez disse-lhes: «Então não vos digo com que autoridade faço isto».
É verdade que as perguntas exigem respostas.
Jesus acorda com os seus inquiridores. Uma resposta por outra.
Mas… quando se é levado pela mesquinhez e pequenez depressa se é apanhado.
Para Jesus não há perguntas inconvenientes. Há perguntas mal intencionadas. Há perguntas mal feitas.
Como são as minhas perguntas? Mesmo aquelas que vejo respondidas!
E as que não vejo respondidas? São reformuladas?
A questão fundamental, aqui, baseia-se num certo modo de nos posicionarmos diante de Jesus Cristo!
Estamos mesmo bem posicionados?

11 de dezembro de 2011

Advento 2011. João e José. Imperativos de Alegria!


Alegrai-vos sempre        no Senhor.
Exultai de alegria:            
o Senhor está perto.



Um passo em frente rumo ao Natal, neste 3.º domingo do Advento.
Acompanha-nos na liturgia deste domingo, João.
Acompanha-nos na Caminhada Diocesana “Família Esperança e Dom”, José.
Um e outro nos desafiam, inquietam e nos incomodam. Cada um a seu modo. Um e outro, para nós, imperativos a uma alegria plena e total.
João (no hebraico significa “Deus faz graça”) continua a retirar do si as luzes e os holofotes para os direccionar para o Deus no meio de vós. João, a voz (phonê) do que clama do deserto, continua a aquietar-nos interiormente, e a mostrar-nos a Palavra-Pessoa (Logos, Verbum, Dabar). A pedir-nos que façamos a mais pequena e também mais difícil viagem de recomeço e reinício: a que vai da nossa superfície exterior ao interior do nosso coração.
José (do hebraico significa “aquele que acrescente”), mesmo calado e mudo na Escritura, desafia-nos à justiça, ao esforço, ao trabalho, à dedicação. Valores e atitudes que vão sendo postas de lado no tempo e na sociedade que vivemos. Mas que precisamos de redescobrir com alegria.
Domingo da Alegria (Gaudete). Alegria porque o Senhor Jesus está próximo. Alegria porque mesmo no meio das crises e das tristezas generalizadas, Deus não nos vira as costas. Alegria porque o nosso Deus não mora num lugar lá longe de nós, inacessível a nós, mas mora pertinho, dentro até, da nossa vida, do nosso coração. Ele constrói a sua habitação, morada, tenda, junto de nós. Somos templo de Deus!
Quantos vivemos desse modo?
Redescoberta esta certeza, feita esta pequena grande viagem, exultamos de alegria e mostraremos que temos rosto de gente salva.
E com Maria, até cantamos aquelas belas palavras, elevadas a salmo responsorial, na Eucaristia deste terceiro domingo do Advento.

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações.

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.

Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu-os de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia.

9 de dezembro de 2011

Advento 2011. Qual é o melhor caminho?


«Eu sou o Senhor, teu Deus,
que te ensino o que é para teu bem
e te conduzo pelo caminho que deves seguir».

No seguimento de Cristo, total e radicalmente, é necessário tomar decisões.
No confronto com a Palavra que, para nós, é Pessoa – porque Jesus Cristo é o Verbo de Deus – é imperioso discernir os melhores caminhos.
São esses bons caminhos que, desde sempre, Deus, por meio dos seus profetas, indica ao Seu Povo. Mas, nem sempre o Povo e NÓS ousamos e arriscamos seguir esses caminhos.
Não podemos, contudo, esquecer: Só o Caminho de Deus nos dá VIDA!

Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da Vida!

7 de dezembro de 2011

Advento 2011. Imaculada Conceição


Ó Senhora imaculada, silenciosa,
De sorriso virginal,
Frescura envolvida na canção formosa
Do amanhecer inicial.
Senhora do vestido simples da graça
Que íntima aurora Te deu,
Florindo, sobre a luz da terra que passa,
À luz primeira do Céu.
Senhora, o teu celeste olhar de padroeira
Floresça em nosso interior,
Abrindo a senda da pureza verdadeira
Que nos conduza ao Senhor.
Da Liturgia das Horas

6 de dezembro de 2011

Advento 2011. Creio que vens para mim!



O Senhor virá com todos os seus santos.
Naquele dia brilhará uma grande luz.





Quão suave e consolador é, para mim, ouvir: “Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam.”
E logo depois sentir: “não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos”.
Ouço isto como palavra para mim, palavra dirigida a mim. E que bem me faz ouvir. Fortalece a minha confiança a certeza de que abandonado nas mãos de Deus, nada tenho a temer!
Este Advento continua a ser oportunidade gratuita para acreditar que Deus vem para me salvar!


Vem, Senhor Jesus,
Cumpre a tua palavra e a tua promessa.
Vem, Senhor Jesus,
Robustece a nossa fé, sara o nosso coração,
Elimina as nossas pretensões de poder viver sem ti.
Vem, Senhor Jesus,
Dá-nos consistência para levantar a cabeça
E descobrir-Te como nosso Salvador.
Amém.

Obrigado Senhor! Tu vens para me salvar!

5 de dezembro de 2011

Advento 2011. Reaprender a solicitude!


Ouvi, ó povos, a palavra do Senhor
e proclamai-a até aos confins da terra.
Não temais. Deus vem salvar-nos.

A passagem do tempo e da história traz consigo alterações significativas do modo de ser e de viver das pessoas.
Não vivemos alheios a essas mudanças que trazem coisas positivas e outras, tantas, negativas.
Uma das que se vai perdendo, acentuadamente, é a atenção e a solicitude pelos outros. Atenção simples, gratuita, desinteressada… por exemplo, a solicitude em ajudar a atravessar a rua ou ajudar a transportar um saco.
Gestos que o tempo vai gastando e que a novas gerações vão perdendo, infelizmente.
Aqueles que, no evangelho de hoje, transportam o paralítico até Jesus, dão-nos esse exemplo de solicitude, de solidariedade, de amor, de CARIDADE.
Esta pode ser uma excelente (re)aprendizagem neste Advento. Oxalá sejamos capazes, para podermos ver maravilhas!

E rezemos:
Escutemos o que diz o Senhor:
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.

2 de dezembro de 2011

Advento 2011. Queremos ser cegos?


O Senhor virá no esplendor da sua glória
visitar o seu povo e dar-lhe a paz e a vida eterna.

Reconhecer a fragilidade e a humanidade que somos é sinal de “decência mental” e de equilíbrio pessoal.
Não podemos pensar e viver como se fossemos mais do que o que somos na realidade. Isso seria viver na fantasia e na ilusão.
Os dois cegos que pedem a Jesus a cura da sua cegueira sabem bem o que são e o que precisam.
Jesus, que passa fazendo o bem, é capaz, depois do passo da fé que exige, de curar, sarar e salvar.
Hoje devemos pedir a cura das nossas tantas cegueiras, não tanto, possivelmente, de cegueiras físicas, mas de tanta cegueira “espiritual” e opcional, que nos leva a fechar os olhos, impedindo-nos de ver Deus e os irmãos.

Hoje deveríamos todos rezar:
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

Salmo 26 (27), 1.4.13-14 (R. 1ª)

1 de dezembro de 2011

Advento 2011. Prudentes ou Insensatos?

Vós estais perto, Senhor;
a vossa palavra é caminho da verdade.
São firmes todos os vossos mandamentos.
Vós existis desde toda a eternidade.


Se a Palavra da Vida que escutamos, que é Palavra-Pessoa, Jesus Cristo, Verbo, Logos, Dabar de Deus, não se faz vida em nós, corremos sempre o risco de um dia nos dizerem “Não vos conheço”.
O critério averiguador da qualidade do nosso seguimento de Cristo é efectivamente a prática da Palavra escutada, fazendo-se vida nas nossas vidas.
Seremos prudentes ou insensatos na medida em que a Palavra de Deus se faz “luz dos nossos passos e luzeiro dos nossos caminhos”.
Estamos sempre a tempo de começar, mesmo neste começo de Dezembro.
Em Dezembro, pode cair a chuva, vir as torrentes e soprar os ventos… se a casa que somos, porque “templos do Espírito Santo”, resistir é porque estamos plena e firmemente enraizados em Cristo, e o temos como “rochedo da nossa Salvação”.
Dou graças a Deus por todos os que ouvem a Palavra e a põem em prática.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos homens.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos poderosos.

Abri-me as portas da justiça:
entrarei para dar graças ao Senhor.
Esta é a porta do Senhor:
os justos entrarão por ela.
Eu Vos dou graças porque me ouvistes
e fostes o meu salvador.

Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.
Salmo 117 (118), 1.8-9.19-21.25-27a

30 de novembro de 2011

Advento 2011. Partilhamos ou guardamos?

Caminhando Jesus junto ao mar da Galileia,
viu dois irmãos, Pedro e André, e chamou-os, dizendo:
Vinde comigo; farei de vós pescadores de homens.


Não somos ilhas. Como tal a nossa vida não faz sentido vivida egoisticamente. O género humano realiza-se plenamente na comunhão, nunca na solidão.
Como cristãos, também não existimos isoladamente e a vivência nossa fé passa por um permanente “apontar” Cristo aos homens e mulheres do nosso tempo, que caminham ao nosso lado nesta “aldeia global”.
André, irmão de Simão Pedro. Hoje olhamos este Apóstolo, escolhido por Jesus. Tocado no mais profundo do seu ser, foi capaz de não querer Cristo só para si. Quis partilhar Cristo, quis levar Pedro, seu irmão, à mesma experiência do encontro.
E nós: partilhamos ou guardamos?

29 de novembro de 2011

Advento 2011. Senhor eu espero em Vós!


O Senhor virá com todos os seus Santos.
Naquele dia brilhará uma grande luz.

A esperança cristã é a virtude que nos faz crer que no fim as coisas farão sentido!
Há muitas sombras, tempestades, nuvens a obscurecer a claridade da presença de Deus em nós..
Mas, somos privilegiados, nós, cristãos, porque temos derramado em nossos corações o Espírito Santo.
É por Ele que podemos rezar.
Somos felizes, mesmo não vendo e palpando Deus, quando somos capazes de mostrar e irradiar a sua presença a todas as pessoas.
Somos felizes porque cremos que o sonho de um mundo justo e harmónico se concretiza na vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso irmão e amigo.

28 de novembro de 2011

Advento: Senhor eu não sou digno!... mas confio!



"Ouvi, ó povos, a palavra do Senhor
e proclamai-a até aos confins da terra.
Não temais.
Deus vem salvar-nos".


2.ª feira da Primeira Semana do Advento

Não é fácil equilibrarmos a balança da vida da família nestes tempos em que a carga de negatividade das coisas parece, e é, tão pesada e insuportável.
Crise, cortes, aperto...
Tristeza, desespero e desesperanças...
Parece carga a mais, um jugo insuportável.

Revestir esta nossa vida e este nosso tempo de alegria, de confiança, da fé, que assenta na certeza da presença de Deus em todos os nossos momentos, é tarefa a empreendermos.
E o Advento serve plenamente para isso.
Vamos com alegria ao encontro do Senhor que já nos encontrou e nos amou em primeiro lugar. Sabemos o que somos? Senhor eu não sou digno que entres na minha morada, mas diz, porque basta a tua Palavra!
Deus, em Jesus, vem de novo e surpreende-nos mas é na surpresa do Seu Encontro que me encontro comigo mesmo.

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...