1 de maio de 2009

Igreja e PCP de mãos dadas contra a crise


D. Jorge Ortiga e Jerónimo de Sousa analisaram situação do país
Igreja e PCP em caminhada comum
contra os problemas sociais

O secretário-geral do PCP reconheceu ontem, em Braga, o trabalho que a Igreja Católica tem feito para combater os problemas sociais e defendeu que há uma caminhada a fazer em conjunto, de forma a dar resposta à situação dramática em que se encontram cada vez mais portugueses. Jerónimo de Sousa falava após um encontro com o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, que pediu «esperança e uma certa dose de optimismo» para combater a crise.
O líder comunista referiu que, «dentro do respeito pelas diferenças entre um partido político e uma organização religiosa», é possível uma convergência que ajude a encontrar soluções para fazer face a um cenário de «agravamento da situação económica e social, de uma profunda crise, que atinge particularmente quem menos tem e menos pode» e que origina casos desesperados de pobreza e exclusão social.
«É possível uma convergência, com todas as diferenças que existem. É possível uma caminhada em torno destas grandes questões sociais. Pela acção da Igreja, direccionada para os problemas sociais, e tendo em conta a identidade do meu partido, que se afirma dos trabalhadores, há um caminho comum a percorrer, uma luta que é preciso travar com um conteúdo de esperança e confiança que é possível uma vida melhor», sublinhou.
Jerónimo de Sousa reconheceu «o esforço que está a ser feito pela Igreja», nomeadamente de voluntariado, solidariedade, denúncia das situações mais dramáticas e apelo às instituições para que as resolvam. Por isso, e uma vez que ambos têm um conhecimento significativo da realidade social, entende que a actuação conjunta é possível, com a Igreja a continuar com a sua «acção social, directrizes e concepções» e o PCP «a lutar, a chamar os trabalhadores a não baixarem os braços e a apresentar propostas na Assembleia da República».
Contudo, o comunista considerou que esta actuação não deve servir para diminuir a responsabilidade do Estado: «Por muitos esforços generosos que a Igreja e outras instituições façam, se o Governo, através das suas políticas, não assumir as responsabilidade que constam da Constituição da República, os esforços serão no mínimo insuficientes e naturalmente ineficazes no quadro de uma crise que não se sabe quando vai terminar».
O secretário-geral comunista referiu que o partido tem «uma visão estratégica sobre a forma de ultrapassar a crise, mas o que se trata agora é de atender às situação urgentes, particularmente no plano social». O líder defendeu o «alargamento dos critérios de atribuição do subsídio de desemprego, uma vez que mais de 50 por cento dos desempregados, particularmente os jovens, não têm acesso a esse apoio», a fiscalização do “lay-off” e dos despedimentos colectivos.


O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinhou que «a Igreja está próxima da população e conhece as suas necessidades e também se inquieta com o dramatismo de algumas situações». D. Jorge Ortiga lembrou que já não é a primeira vez que manifesta publicamente as suas preocupações com a situação social. «É com esperança e uma certa dose de optimismo que conseguiremos ultrapassar esse dramatismo. Analisar é fundamental, conhecer é imprescindível e denunciar é uma atitude que diz respeito a todos e faz falta», declarou.
O Arcebispo de Braga defendeu que a luta contra a crise se faz «dando as mãos e esperando que o Estado seja capaz de dar uma resposta aos problemas». Na sua perspectiva, a situação exige igualmente que cada um na sua área se comprometa a minorar os problemas sociais. «A Igreja está empenhada em encontrar soluções para os problemas», declarou, assegurando que se solicitarem a sua ajuda esta instituição «estará na primeira fila para dar a Portugal um futuro melhor».
O prelado referiu que «há pessoas que pensam que a doutrina da Igreja é rígida e fixa», quando no seu dia-a-dia «procura a verdade de modo permanente». «Ela procura dialogar com todas as pessoas e estruturas que estão comprometidas no terreno», sublinhou.
D. Jorge Ortiga assegurou que, como Arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal, tem «mantido a atitude de dialogar, de receber, de acolher todos os partidos políticos, independentemente da sua cor e ideologia porque é a partir da partilha de ideias que se encontra o caminho mais certo e mais seguro». «Faço isto fora da campanha eleitoral porque nessa altura não me quero confundir ou identificar com ninguém», acrescentou.
O prelado sublinhou a «atitude de pluralismo», reiterando que «a Igreja não está de lado nenhum, nem contra ninguém, mas a favor da dignidade humana» e que «luta para que os homens e as mulheres possam ter uma vida digna, alicerçada na justiça e com condições para que isso aconteça». «A Igreja cumpre as tarefas do anúncio de uma doutrina, da denúncia das situações graves e do compromisso de ajudar a encontrar respostas para esses problemas», enfatizou.

Texto Luísa Teresa Ribeiro
Foto Avelino Lima

Diário do Minho, 1 de Maio

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