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13 de fevereiro de 2018

Passos de Esperança. Libertar para Caminhar.



O que nos possibilita o Tempo da Quaresma e da Páscoa? São 96 dias para dar “Passos de Esperança”. Este tempo que é um grande caminho far-se-á passo a passo e exigirá um duplo movimento resumido em dois verbos que revelam duas atitudes: libertar para uma maior adesão a Jesus Cristo; e caminhar para prosseguir no anúncio feliz da Ressurreição. Daí que o tema desta caminhada seja “Passos de Esperança: Libertar para Caminhar”. 
Este ciclo litúrgico, na sua globalidade, permite-nos mergulhar no drama tenso e intenso do mistério central da fé cristã: a Paixão, a Morte e a Ressurreição do Senhor. Na carta encíclica “Spe salvi”, Bento XVI escrevia: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30) (SS 27). Por sua vez, o Papa Francisco, na sua primeira exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, afirmou: “A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva!” (EG 278).
Em plena sintonia com o Magistério, vivemos, como Igreja Diocesana, um plano pastoral dedicado à esperança, um triénio no qual se faz desta virtude teologal o tema e o lema central do nosso caminho. Como discípulos missionários, pela oração pessoal e comunitária, pelos sacramentos e pela caridade vivida com os irmãos, percorreremos este caminho assente no encontro com Jesus Cristo. 

A proposta que aqui se apresenta coloca cada um nessa “marcha da esperança viva” (EG 278). Essa marcha, esse caminho requer os nossos passos pequenos, mas firmes. É bem certo que ninguém demasiadamente carregado é capaz de fazer o caminho, por mais pequeno que seja. 
Nesse sentido, o tempo da Quaresma, a primeira parte da caminhada, pede-nos esse exercício de libertação dos pesos e dos pecados que dificultam (quantas vezes até impedem) o nosso caminhar! É o tempo da viagem ao interior, para pôr a “mão na consciência”, para ousar a conversão, a metanoia, para mudar e deixar moldar o coração pelo Senhor, para aderir a Ele de verdade. 
Libertos dos pesos e dos pecados, será possível fazer da Páscoa e do Tempo Pascal como que um grande “compasso”, de anúncio jubiloso e festivo da Ressurreição do Senhor que é “a razão e o motor da nossa esperança” (Tolentino Mendonça). O “calçado” apropriado para este tempo confirma o belo dizer deste padre e poeta: “os crentes (...) vivem na esperança. Habitando desse modo o tempo vivem como deslocados, em movimento, em trânsito pascal, em saída”.

http://www.diocese-braga.pt/liturgia/noticia/17369/

27 de novembro de 2017

De Que(m) Estamos à Espera?


O Advento mantém-nos humildes, sabendo que somos beneficiários diretos da paciência de Deus para connosco, e que, sem qualquer tempo e esforço despendidos por nós, fomos finalmente recompensados.
Enquanto esperamos juntos na fila durante o Advento, façamo-lo com bom humor e continuemos a dizer "sim" a tudo aquilo que a salvação reserva para nós: sim ao amor pessoal de Deus, sim ao reino de justiça e paz de Jesus, sim a cada oportunidade de servir o Evangelho, e sim a saber que o nosso Deus é nosso companheiro a cada passo da nossa caminhada.
Richard Leonard, sj, De que estamos à espera?, pág, 25 


foto e mais aqui:
http://www.snpcultura.org/de_que_estamos_a_espera_procurando_sentido_advento_natal.html

17 de novembro de 2017

Valoriza os teus talentos! Não os enterres, nem congeles, não guardes só para ti!



O Evangelho está cheio de uma teologia simples, a teologia da semente, do fermento, de inícios que devem florescer. Cabe-nos a nós o trabalho paciente e inteligente de quem cuida dos rebentos. (…)
A parábola dos talentos é o poema da criatividade, mas sem voos retóricos. (…) Aquilo que tu podes fazer é apenas uma gota no oceano, mas é essa gota que pode dar sentido a toda a tua vida.
A parábola dos talentos é um convite a não ter medo, porque o medo paralisa, torna-nos vencidos e estéreis. Quantas vezes temos renunciado a vencer apenas pelo medo de ficar derrotados. O Evangelho ajuda-nos de três formas: a não ter medo, a não meter medo e a libertar do medo. (…)
Não há nenhuma tirania, nenhum capitalismo da quantidade no Evangelho. Com efeito quem devolve dez talentos não é melhor do que quem entrega quatro. (…) Qualquer que seja o dom que recebeste, pequeno ou grande, o essencial é que tu o valorizes. As contas de Deus não são quantitativas, mas qualitativas.



Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in A esperança que nasce da Palavra

30 de outubro de 2017

Todos salvos pela esperança. Santos e Fiéis Defuntos


Chorar, amargamente, quem nos morre, é um ato profundamente cristão. Só não o será o desespero completo, perante essa morte. Porque seremos salvos pela esperança. A perdição seria o desespero, simplesmente.


25 de outubro de 2017

Paraíso: Abraço com Deus, Amor infinito

Papa Francisco, na Audiência Geral desta quarta-feira:

O paraíso é um abraço com Deus, Amor infinito, e entramos nele graça a Jesus, que morreu na cruz por nós. Onde há Jesus, há misericórdia e felicidade, sem Ele há frio e treva”.
Na hora da morte, mesmo que não haja ninguém que se recorde de nós, Jesus estará ali ao nosso lado e quer levar-nos para o lugar mais belo que existe. E à casa do Pai levará o que fizemos de bom e o que precisa ainda de redenção: as faltas, os erros de toda a nossa vida.
E esta é a meta da nossa vida: que tudo se realize, e seja transformado em amor.
Se acreditarmos nisto, a morte deixa de nos meter medo, e podemos esperar mesmo partir deste mundo de forma serena, com muita confiança. Quem conheceu Jesus, já não teme nada”.

16 de outubro de 2017

Semear e despertar a esperança!




Depois de muitos dias a ver aquela senhora a fazer aquilo o homem ganhou coragem e perguntou: 
-Bom dia! Porque é que todos os dias a senhora atira sementes para a estrada? 
-Bom dia! Porque todos os dias, olho para ela e vejo-a vazia e sem vida e assim com o lançar destas sementes espero um dia que elas nasçam e encham de vida esta estrada. 
-Mas repare, ao lançar as sementes muito provavelmente o vento vai levá-las, os pássaros irão comê-las e nenhuma dará aqui fruto. 
-Pelo menos eu tento e tenho esperança, agora só me resta esperar!

(autor desconhecido)

17 de janeiro de 2017

esperança que crê e ama

Nos momentos mais felizes como nos momentos mais profundos, mesmo quando são de sofrimento, imaginamos uma esperança que crê e que ama: a esperança de quem se sente amado, querido, apoiado no quotidiano, num crescendo de sentido, de alegria, de operosidade construtiva, que vai para além de todos os limites. Esta é a esperança que vem de Deus?

Carta aos que procuram Deus, Conferência Episcopal Italiana, 2009

13 de dezembro de 2016

Esperar

Quem não espera nada já está morto.
Porque esperar quer dizer tender para alguma coisa que irá realizar-se.

(Paolo Scquizzato)


23 de janeiro de 2015

Um novo dia amanheceu [Tu és mais forte]

Talvez muitos não compreendam a razão pela qual um jovem, desde tenra idade, entra para o seminário. Talvez não compreendam também a razão pela qual gastar energias a servir, a escutar e a cuidar de um povo quando tantos outros projectos de vida são igualmente fascinantes. A razão é apenas uma. Opta-se pelo melhor. E o melhor, para um coração sacerdotal, é Cristo. É essa liberdade de coração, esse prazer genuíno de estar com o Mestre, que irradia para os demais e mostra a alegria de viver a fé ardentemente sem ambiguidade.
Mas, caríssimos irmãos, Deus chama a toda a hora. Sei que esta hora nos parece demasiado cedo para o último chamamento. Mas permitam-me que termine de citar a homilia de Epifânio de Salamina. «Levanta-te, tu que dormes [...]. Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos». Com esperança cristã, acreditamos que o Pe. Miguel se encontrou com a Vida e, por isso, intercede agora por nós, como tantas vezes o fez nas eucaristias desta comunidade.
Que este momento de comunhão fraterna em Cristo fortaleça a nossa unidade, uma vez que estamos a celebrar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Fazemo-lo com a frase bíblica «Dá-me de beber!». Por diversas vezes, os evangelhos falam da sede, da água e do acolhimento das necessidades. Neste encontro particular entre Cristo e a Samaritana, sobressai o movimento de Cristo que vai ao encontro e pede que lhe dêem de beber. Hoje o mundo necessita da nossa unidade. Unidade com Cristo e, por Ele, com toda a comunidade sacerdotal e eclesial. Só unidos seremos água viva que responde à sede de um mundo que pretende viver sem Seus. São tantos os problemas e as expectativas. Ninguém sozinho consegue ser resposta adequada.
A vida do Pe. José Miguel foi breve, é certo, mas tudo foi cumprido. Deu-se até ao fim, amou até ao fim. Tudo está consumado e agora vive ressuscitado. Que isso nos inspire, nos conforte e nos una na mesma fé e nos diga que, por Deus, a alegria do Evangelho deve chegar a todos.
António Correia de Oliveira, um poeta do século XX que se fixou em Esposende, escreveu certa vez: «É certo! Um novo dia amanheceu // Mas, para o amanhecer, quanta negrura! // quanto inferno de sombra e de amargura! // E quanto purgatório, antes do céu!».
Pe. Miguel, cedo para ti o dia amanheceu, quanta negrura antes do céu. Mas agora que vives entre os esplendores da luz perpétua, onde desaparecem as sombras da amargura, toma conta de nós e continua a amar-nos com o teu coração sacerdotal e faz com que em todos os sacerdotes e cristãos da Arquidiocese se intensifique o gesto de estar com Jesus para, depois, alegre e corresponsavelmente, o darmos a quem tem sede d’Ele, ainda que não o diga. Intercede por nós junto de Deus para que a Igreja Arquidiocesana, através de uma fé vivida, por sacerdotes e leigos, seja verdadeira fonte onde todos se saciam e saboreiam o amor de Deus. Aqui e agora queremos ser uma coisa contigo. Devolve-nos a graça de uma Igreja unida na mesma fé e que o amor entre nós vença todas as dificuldades, inclusive a dor que a tua morte, inesperada e incompreensível, gerou. 

D. Jorge Ortiga, na homilia exequial

http://www.diocese-braga.pt/media/contents/contents_Rm0qTw/2015.01.23_jose_miguel_funeral.pdf

30 de outubro de 2014

Os Portais do Mistério da Segunda Virtude (Charles Péguy)

 
 
«[O volume "Os Portais do Mistério da Segunda Virtude"] é porventura o mais assombroso poema sobre a esperança de toda a literatura contemporânea… O teólogo von Balthasar haveria de coloca-lo entre os génios religiosos que celebram a glória de Deus, ao lado de Santo Agostinho, de Dante, de Pascal ou de Hopkins. Com palavras como estas: “Péguy é indivisível, ele mantém-se dentro e fora da Igreja, ele é a Igreja in partibus infidelium, lá onde a Igreja deve estar... lá onde mundo e Igreja, mundo e Graça se encontram e se interpenetram, até ao ponto em que se torna impossível distingui-los. (...) O realismo bíblico e a integridade de pensamento conferem a Péguy uma clarividência sem costuras, para olhar o mundo exatamente como ele é: grande e miserável”. (...)
Deixou escrito: "Não sou um santo. A santidade reconhece-se imediatamente. Sou um pecador bom. Uma testemunha. Um cristão na paróquia, um pecador que possui tesouros de graça. (...) Ningém é mais competente do que o pecador em matéria de Cristianismo.»
 
por José Tolentino Mendonça, no Prefácio do livro. 
 
 
 
"O que me espanta, diz Deus, é a esperança.
E disso não me canso.
Essa pequena esperança que parece não ser nada.
Essa esperança menina."
(p. 16)

10 de novembro de 2012

Diário da Missão Jubilar: um sinal da alegria e da esperança cristãs












A primeira Missão 11, da Missão Jubilar dos 75 anos da Restauração da Diocese de Aveiro decorre amanhã. O Dia do Anúncio convida cada pessoa a colocar na sua casa o estandarte da Missão Jubilar. Cada estandarte colocado de modo visível para o mundo, é uma manifestação de alegria de ter Cristo em casa. É uma forma diferente de abalar a indiferença - patologia disseminada pela superficialidade dos dias. Queremos com cada estandarte colocado nas nossas varandas, janelas e espaços exteriores iluminar o nosso mundo com a esperança que brota da Cruz de Cristo. 

Vive esta hora!


Pe. JAC

13 de outubro de 2012

A Vida é tão mais do que paisagem. Poema acerca do evangelho do XXVIII domingo comum





A Vida é tão mais do que paisagem...
é a totalidade duma viagem:
Não é só preciso partir e chegar,
é bom, no caminho, saber recomeçar.

O caminho que fazemos
não é tão grande quanto o que temos...
É aquilo que somos
que nos leva ao que alcançamos.

Nenhuma riqueza humana
conquista qualquer tesouro no céu...
Para chegar ao coração de Deus
só se requer a riqueza do Amor.

Sejamos livres para amar
sem medo de crescer,
sem medo de correr e de nos perder
para que em Deus nos possamos encontrar.


Pe. JAC

2 de outubro de 2012

Diário da Missão Jubilar. Abrir-se ao mundo com ânimo evangelizador






Diário da Missão Jubilar 12

O mundo que Deus ama é o mundo em que vivemos e que somos chamados a evangelizar. O desafio da evangelização é o horizonte sempre presente na missão da Igreja.
A experiência sinodal feita ao longo deste quinquénio pela ampla participação e diálogo aberto de pessoas, serviços e instituições, pela proposta e resposta e pela comunhão sentida na missão, indica-nos a pedagogia mais adequada para o nosso agir pastoral. Os métodos dão-lhe consistência e viabilidade. As iniciativas proporcionam a oportunidade para implementar esta prática pastoral que garante o envolvimento de todos, porque todos somos convocados e necessários para a missão.
As iniciativas da Missão Jubilar estão marcadas por um singular dinamismo e visam envolver plenamente a realidade de que fazemos parte: a pessoa, a família, a paróquia, a instituição diocesana; situam-se em casa, na rua, nos templos, nos espaços públicos; revestem um apreciável estilo de comunicação; transmitem uma confiança alegre, uma certeza sólida, própria de quem sabe firmar os seus passos e quer afirmar e testemunhar a fé.
Inspiram-nos neste caminho jubilar o gesto profético e a consciência evangelizadora do Arcebispo João Batista Montini, futuro Papa Paulo VI, ao propor a Missão para a sua Diocese de Milão, e o desassombro de João Paulo II ao querer transpor o limiar do novo milénio com um Jubileu que significasse para a Igreja uma abençoada oportunidade de renovação e um novo impulso dado à evangelização e ao diálogo com a cultura contemporânea.
A mensagem jubilar pretende impregnar de alegria e de fé tudo quanto se faça e envolver todos os cristãos fazendo-a ecoar na opinião pública, dando ao mundo uma imagem bela e atraente da Igreja. Estas dimensões da nossa ação constituem o horizonte em que nos movemos e dão realismo à missão em que estamos empenhados.
Uma atenção especial é devida aos «mensageiros» pelo trabalho que lhes é pedido. São de algum modo a missão em movimento, o rosto da esperança que nos anima, a proximidade familiar que nos irmana.
Todavia, numa Igreja em estado de missão, não há propriamente agentes e destinatários simetricamente definidos. Todos somos destinatários, protagonistas e agentes da missão.

Da mensagem de D. António Francisco
Pe. JAC

29 de novembro de 2011

Advento 2011. Senhor eu espero em Vós!


O Senhor virá com todos os seus Santos.
Naquele dia brilhará uma grande luz.

A esperança cristã é a virtude que nos faz crer que no fim as coisas farão sentido!
Há muitas sombras, tempestades, nuvens a obscurecer a claridade da presença de Deus em nós..
Mas, somos privilegiados, nós, cristãos, porque temos derramado em nossos corações o Espírito Santo.
É por Ele que podemos rezar.
Somos felizes, mesmo não vendo e palpando Deus, quando somos capazes de mostrar e irradiar a sua presença a todas as pessoas.
Somos felizes porque cremos que o sonho de um mundo justo e harmónico se concretiza na vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso irmão e amigo.

14 de novembro de 2009

Esperar o sonho de Deus


Estas são as ideias que partilharei com os cristãos da Unidade Pastoral de Águeda (UPA), neste fim de semana em que celebramos o 33.º domingo do tempo comum.

1. Proximidade do fim do ano litúrgico: “Fim do mundo”

Dia e noite, sol e lua, salvação e angústia, vida e morte, anjos e demónios, felicidade e condenação, inferno e paraíso: são os contrastes que a liturgia apresenta entre o mundo passageiro e terreno e o mundo novo que há-de vir.

A linguagem é apocalíptica – aponta para a realidade do final dos tempos usando imagens simbólicas.

Não devemos, por isso, entender literalmente a mensagem apocalíptica; nada de fazer cálculos e previsões para saber o quando; devemos confiar no cumprimento do anúncio de Jesus em relação à sua última vinda. A nossa atitude é de espera. Assim, desta Palavra que parece desajustada aos nossos dias, devemos retirar um convite forte e premente à esperança.

2. “Esperai sempre”
Daniel fala-nos intervenção libertadora de Deus a favor do povo que sofria a perseguição de um poder estrangeiro
É um convite à esperança: viver esperando a vinda do Filho do Homem através da fidelidade e constância aos planos de Deus
Os que permanecem fiéis recebem por recompensa a vida eterna

Evangelho: Marcos

• Deste evangelho recebemos a garantia da chegada de um mundo novo, de vida e felicidade
• Vigilância perante os sinais que anunciam a aparição da nova realidade

3. Esperar o sonho de Deus
Esta Palavra é para nós que vivemos num tempo que deixou de esperar o que quer que seja.

É-nos pedida fidelidade aos valores e aos desígnios de Deus mesmo diante de perseguição que sofremos do mundo em geral. É-nos pedida a perseverança e confiança num Deus que não abandona o povo que lhe é fiel.

Perante tantos dramas que todos os dias nos entram pela porta dentro, graças à comunicação social, somos, a partir desta Palavra, convidados a abrimos a nossa porta à esperança.

Deus não abandona a humanidade. Mais ainda: Deus quer transformar o mundo velho (do egoísmo e do pecado) em mundo novo (de vida e felicidade). Não caminhamos para o abismo, nem para o precipício, caminhamos, como peregrinos, para a vida plena, onde se encontram aqueles que sempre se buscaram e amaram um ao outro: Deus e Humano.

O cristão é o profeta que testemunha os valores de Deus que são eternos e não efémeros como os do mundo.
Somos, portanto, testemunhas e profetas da esperança. Os dramas do nosso mundo são sinais eloquentes da transformação do mundo velho que se renova, pela força de Deus, até surgir um mundo novo e melhor.

O cristão não se fundamenta no pessimismo e na angústia. Devemos, ser cristãos com “rosto de gente salva”, rosto onde transborda a fé num Deus que caminha connosco até à felicidade eterna.

Devemos olhar a história com confiança e esperança: o cristão é uma pessoa alegre e confiante que olha o futuro com serenidade sabendo de antemão que é Deus Amor quem lhe preside.

Vida eterna é a recompensa para os que vivem na fidelidade aos valores de Deus. Acreditamos, a partir da Ressurreição de Jesus Cristo, que a vida não acaba na morte e, por isso, não nos sentimos derrotados mas optimistas porque Deus reserva a vida eterna e verdadeira para os que estão “inscritos no livro da vida”.

Deus é Senhor da história e fará surgir um mundo novo. Para tal, nós, somos chamados a anunciar com a vida, com palavras e gestos, esse mundo que Deus sonha e projecta. A religião ou a fé não são ópio (Marx) mas, trampolim para nos comprometermos com a história. Que cada um se comprometa neste sonho de Deus e que um dia seja realidade para nós. Aí estará a nossa felicidade, a nossa vida, a nossa eternidade.

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...