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4 de dezembro de 2015
31 de outubro de 2012
Diário da Missão Jubilar. Missão de toda a Diocese e para todos

O bispo de Aveiro lançou este mês a Missão Jubilar que vai decorrer até 11 de dezembro de 2013, nos 75 anos da restauração da diocese, um tempo de renovação das comunidades e de compromisso na Igreja e na sociedade. Uma ideia mobilizadora que quer chegar ao coração dos 350 mil habitantes do território diocesano.
Numa entrevista concedida à Agência Ecclesia, D. António Francisco, diz da Missão Jubilar:
"A Missão Jubilar não é apenas um conjunto de atividades, mas um espírito novo de sermos Igreja, Igreja de Jesus Cristo no séc. XXI, 50 anos depois do Concílio, no Ano da Fé e 75 anos depois de sermos diocese restaurada".
Ler na íntegra
Pe. JAC
8 de agosto de 2009
CABing 2009: Contra-me outra história II
CABing termina depois de 10 dias intensos
Universitários em acampamento
nas margens do Rio Homem
São 36 jovens. A maior parte universitários, mas também há pré-universitários e licenciados. Estão reunidos há alguns dias em ambiente de total desprendimento e isolamento, junto ao Rio Homem, na freguesia de Sequeiros (Amares). Trata-se de mais uma edição do CABing, acampamento para universitários levado a cabo pelo Centro Académico de Braga (CAB) e que termina esta segunda-feira, depois de dez dias intensos de animação, de convívio de auto-conhecimento e de oração, a partir da temática “Conta-me outra história”.
Este acampamento pretende propiciar aos universitários uma experiência diferente, com uma forte componente espiritual, mas também com jogos, competição, dinâmicas e entretenimentos, com o claro objectivo de “mexer por dentro” e marcar quem participa.
Rui Ferreira e António Ary assumem os papéis de director e adjunto do acampamento. Indispensável também é o capelão. O padre Luís Ferreira do Amaral assume essas funções, presidindo às orações e à Eucaristia, num espaço sobranceiro a todo o campo.
Para tratar, por um lado, das lides domésticas, mas também para desempenhar a figura maternal foi escolhida Helena Vilaça, aluna de mestrado em Química Medicinal, na Universidade do Minho.
Com este núcleo trabalha uma equipa de animação que preparou o imaginário e, de alguma forma, superintende todas as actividades.
Com a maior parte dos participantes oriundos da zona de Braga e de Guimarães, o CABing 2009 conta com a presença de representantes do Porto, Coimbra ou Lisboa. Da capital, por exemplo, vieram Matilde Santos e Leonor Beirão. A primeira é estudante do 2.º ano de Enfermagem e a segunda de Gestão, no mesmo ano. Do Porto veio o estudante de Matemática Pedro Pamplona, enquanto que da “cidade dos estudantes” veio Carolina Cabo, que estuda no 3.º ano de Medicina.
Como equipa, este quatro jovens responderam às questões colocadas de forma conjunta. Salientando o espírito de companheirismo e de entreajuda de todos os participantes concordam em colocar o CABing como uma «grande experiência de crescimento», num «meio ambiente puro», «em contacto com a natureza» e longe da «confusão das cidades».
«Neste acampamento aprendemos a ver o essencial da vida», atira Guilherme Magalhães, estudante de Medicina, juntando-se à conversa.
Aproveitando a deixa, lança-se a questão: «O que é essencial?». Neste momento, as respostas vão caindo a conta-gotas: «o alimento, a partilha com os outros, a inter-relação». Parecendo estar esquecido no rol apresentado, surge outra interrogação em jeito de provocação: «Então, e Deus não é essencial?». «Essencialíssimo» foi a resposta saída de rompante, completada logo a seguir por uma convincente: «Aqui, em tudo o que fazemos estamos com Deus, não só nos momentos de oração e na missa».
Já a terminar, referem que «o CABing é mais dar do que receber». «Vimos com a ideia de dar alguma coisa, mas, no somatório geral, acabámos sempre por receber muito mais do que aquilo que damos», referem.
CABing 2009: Contra-me outra história I

Rui Ferreira é o director de campo do acampamento
CABing pretende “chocar”
e “mexer dentro” dos participantes
Com o director do acampamento o Diário do Minho (DM) procurou perceber o desenvolvimento do CABing 2009. Rui Ferreira (RF) repondeu as questões salientando quais as dimensões desenvolvidas nos dez 10 de acampamento, o que é que propõe e oferece a iniciativa e, ainda, como decorre um dia normal ou quais os jogos e actividades realizadas durante o acampamento para universitários. O jesuíta reforçou a ideia de que esta iniciativa, inspirada nos campos de férias da Companhia de Jesus, deixou claro que em muitos momentos a vida tem acessórios e mais e que algum desprendimento só faz bem. Caminhada nocturna, dinâmicas e orações são sempre momentos fortes do acamapamneto.
M: O que é que o CABing oferece aos universitários que se inscrevem para participar?
RF: O CABing oferece, em primeiro lugar, dez dias diferentes, de animação e de convívio como proposta de mudança. A ideia é estar um período distante daquilo que normalmente preenche o nosso quotidiano. Deixar as nossas seguranças, certezas e comodismos. Certamente, neste dias, alguma coisa “mexe dentro” daqueles participam e alguns não resistem ao choque.
As propostas de actividades que a equipa de animação faz visam também “mexer por dentro”, quer ao nível da fé, da relação com os outros, do contacto com a natureza e ao nível do auto-conhecimento.
Há, por isso, quatro vectores fundamentais neste acampamento: Deus, natureza, amizade e serviço.
DM: Como se exploram essas dimensões e esses pilares do acampamento?
RF: Para explorar a dimensão espiritual, reservam-se alguns momentos, concretamente de oração. De manhã, temos o “Bom dia, Senhor” que é a oração da manhã, na qual o capelão lança alguns desafios e algumas propostas para o dia.
Todos os dias pegamos num conto mais ou menos conhecido da nossa infância (Pinóquio, Patinho Feio, Bela Adormecida, Capuchinho Vermelho) e tentamos fazer a ponte de ligação com o Evangelho. Já chegamos até à conclusão que a história do Pinóquio tem muito a ver com o Evangelho.
Além disso, temos a proposta da missa diária.
Para explorar a relação com a natureza, quase que basta o local onde nos encontramos. Depois, as actividades propostas vão na linha de manter os participantes em contacto directo com a natureza, quer nos jogos da manhã quer nos da tarde.
Para fortalecer os laços da amizade e do serviço a “roda” (local de reunião do campo) é fundamental como espaço de encontro e de conversa. Também existem outras pequenas iniciativas como o amigo secreto e o chá antes de dormir, como momentos para o convívio e o fortalecimento da relação.
Este campo funciona como um grupo só e não como cada um para si.
DM: Como é um dia normal no acampamento?
RF: A alvorada é pelas 08h30. Depois segue-se um momento de ginástica matinal: dois animadores vestem-se de forma criativa e orientam uma pequena sessão matinal de ginástica.
Depois vem o pequeno almoço e entretanto uma equipa prepara o repasto da manhã e outra lava a loiça do jantar.
Seguem-se jogos que normalmente metem água, para aproveitar a própria altura do banho.
Depois do almoço há o tempo da “sesta” que serve para descanso e para lavar roupa e louça.
À tarde faz-se outro jogo seguindo-se um tempo livre antes da missa.
À sobremesa do jantar uma equipa prepara, diariamente, um sketch, representando uma história concreta.
Costuma fazer-se, depois disso, algum jogo nocturno com mais movimento, aproveitando o escuro e as potencialidades do local. Depois disso é descanso.
DM: Quais são os momentos fortes do acampamento?
RF: No meu entender é a caminhada que se realiza sempre a meio do acampamento. Trata-se de um dia e meio de caminhada, com dormida ao relento. Costuma ser um momento fulcral do acampamento.
A sensação de ir pela noite por locais que não conhecemos com o indispensável nas mochilas, sabendo que vamos dormir ao relento cria experiências fortes nos participantes. O regresso ao campo é quase sempre um momento de festa, porque apesar de não termos o conforto das nossas casas é como que um regresso ao berço.
Este é um tempo que serve essencialmente para se conhecer melhor aquelas pessoas que ainda não tivemos oportunidade de conhecer. Depois da caminhada, normalmente o campo dá uma reviravolta e as pessoas ficam mais animadas.
DM: Que tipo de jogos costumam desenvolver?
RF: São sempre diversificados. Todos têm uma finalidade e há alguns que são sempre muito marcantes. Este ano vamos fazer o jogo dos Ricos e dos Pobres. Trata-se de um pequeno-almoço servido por escalões estabelecidos a partir do rendimento das equipas ao longo do acampamento. Uns tem direito a croissants com queijo e fiambre e outros apenas a pão e água. Costuma ser também um momento forte do acampamento, despertando ódios e amores.
Na sequência disso, realizam-se trabalhos de campo para eles ganharem dinheiro. A ideia é mostrar que na vida é preciso trabalhar para conseguirmos as coisas.
Temos também uma manhã de auto-gestão sem a equipa de animação. De manhãzinha, sem acordarmos ninguém deixamos um bilhete a dizer que fomos descansar e que eles estão conta própria. É sempre interessante ver as reacções deles, ver aqueles que de alguma forma, assumem um pouco a liderança. É um momento que aproveitamos para filmar, sem que eles saibam, é claro.
CABing 2009: Contra-me outra história
Bruna Pereira, professora de Ensino Básico
«O choque inicial é difícil e
quase desisti nos primeiros dias»
Bruna Pereira participa pela terceira vez num acampamento para universitários promovido pelo CAB. O primeiro foi para conhecer o ambiente e nos restantes já incorporou a equipa de animação. Mas, para esta professora do Ensino Básico «as coisas foram difíceis». «No primeiro acampamento que participei, há cinco anos atrás, quis ir-me embora ao fim dos primeiros dias», revelou, adiantando que «o choque inicial foi muito difícil». Hoje, Bruna Pereira entende que uma iniciativa deste género exige muito desprendimento, e «na primeira experiência, vinha muito agarrada às coisas materiais», reconhece. «É fundamental ter aquele choque inicial que eu tive», defende, entre sorrisos, e dando conta de que «o CABing é uma experiência que vale muito a pena», pelas pessoas novas que se conhecem e pela aprendizagens que daí advêm. «Nestes ambientes, onde temos apenas o essencial e o básico para viver estamos sempre dispostos a aprender coisas novas», afirmou.
CABing favorece
espírito participativo
Ricardo Dias participa no segundo CABing, o primeiro como animador. Por esse facto, está mais numa «atitude de aprender, acatando as dicas que os mais “rodados” nestas andanças vão dando», disse. Para este animador, a actividade mais marcante até ao momento foi o início do acampamento. «O primeiro jogo deu para ver que o grupo de participantes era muito interessante e que mostravam um entreajuda formidável». «Este é um grupo que está aberto à surpresa e à novidade – refere – e isso traz mais entusiasmo ao acampamento». Da mesma opinião é Helena Vilaça, também elemento da animação, destacando que o acampamento tem corrido bem e enaltecendo o «espírito participativo» do grupo. Esta estudante de mestrado na UM entende que a experiência que já viveu na aldeia açoriana de Rabo de Peixe lhe dá alguma «bagagem e traquejo» para iniciativas como o CABing.
Descargas ilegais?
Um “paraíso perdido”
aqui ao pé de Braga
A edição deste ano do CABing decorre numa propriedade privada, na freguesia de Sequeiros, em Amares, mesmo nas margens do Rio Homem. Segundo o padre Luís Ferreira do Amaral os proprietários foram «impecáveis», cedendo gratuitamente um espaço bastante requisitado para acampamentos. Depois de estar no local mais acredito que há muitos “paraísos perdidos”, sem muitas vezes darmos conta deles. Aquela propriedade, com a variedade de vegetação que ostenta, com as zonas de sol e de sombra que proporciona e, acima de tudo, com rio mesmo ao lado constituem um desses espaços paradisíacos para os apaixonados pela natureza. Pena que, segundo alguns populares e moradores da localidade, as águas do Homem apareçam algumas vezes «mais carregadas» e «com mais espuma» que noutros dias. Serão descargas ilegais? A pergunta impõem-se sem mais e exige atenção das autoridades.
24 de março de 2009
As "polémicas" afirmações papais ou "A polémica do latex"
Desmorona-se um mundo inteiro! O Papa disse que o preservativo não é solução para o problema da Sida. Percebo e tolero as opiniões oponentes. Mas é mentira o que disse o Papa?
Continue a ler o que encontrei num blogue que sigo:
Continue a ler o que encontrei num blogue que sigo:
Em entrevista ao National Review, Edward C. Green, diretor do Projeto de Pesquisa em Prevenção da AIDS da Universidade de Harvard, afirmou que as "controversas" afirmações feitas pelo Papa Bento XVI sobre o uso de preservativos estão corretas.
"O Papa está certo", disse "ou para ser mais preciso, as melhores evidências que temos confirmam as palavras do Papa". Ele destaca que "os preservativos têm-se provado ineficientes 'num nível populacional'".
"Existe," acrescenta Green "uma associação consistente demonstrada pelos nossos melhores estudos, incluindo as 'Pesquisas Demográficas de Saúde', financiadas pelos EUA, entre uma maior disponibilidade e uso de preservativos e uma taxa superior (não inferior) de infecção pelo HIV. Isto pode ocorrer devido em parte a um fenómeno conhecido como 'compensação de risco', o que significa que quando se utiliza uma 'tecnologia' de redução de risco, tais como preservativos, algumas vezes perde-se o benefício (redução de risco), por 'compensação', ou seja, por que passam a ocorrer mais oportunidades do que se teria sem a tecnologia de redução de risco".
Green acrescentou: "Também constatamos o que foi afirmado pelo Papa, a 'monogamia' é a única resposta positiva para a AIDS na África, ao contrário da 'abstinência'. A melhor e mais recente evidência empírica mostra que a redução de parceiros sexuais múltiplos e concorrentes é, isoladamente, a mais importante mudança de comportamento que pode ser associada com uma redução na taxa de infecção pelo HIV."
Green dá ainda notícias animadoras, o Papa não está só. "Mais e mais especialistas em AIDS estão aderindo a isto. Os dois países com a pior epidemia de HIV, Suazilândia e Botsuana, ambos lançaram campanhas para desencorajar parceiros múltiplos e concorrentes, e incentivar a fidelidade."
Um livro apresentado no site da sua unidade de pesquisa, em que Green aponta lições da luta contra a AIDS nos países em desenvolvimento, explica:
«As soluções médicas financiadas principalmente por grandes doadores têm tido um impacto pequeno na África, o continente mais duramente atingido pela AIDS. Ao contrário, é uma mudança de comportamento relativamente simples e de baixo custo - acentuando o crescimento da monogamia e o atraso da iniciação sexual entre os jovens - que têm resultado nos maiores avanços na luta contra a AIDS e na redução de sua extensão.»
"O Papa está certo", disse "ou para ser mais preciso, as melhores evidências que temos confirmam as palavras do Papa". Ele destaca que "os preservativos têm-se provado ineficientes 'num nível populacional'".
"Existe," acrescenta Green "uma associação consistente demonstrada pelos nossos melhores estudos, incluindo as 'Pesquisas Demográficas de Saúde', financiadas pelos EUA, entre uma maior disponibilidade e uso de preservativos e uma taxa superior (não inferior) de infecção pelo HIV. Isto pode ocorrer devido em parte a um fenómeno conhecido como 'compensação de risco', o que significa que quando se utiliza uma 'tecnologia' de redução de risco, tais como preservativos, algumas vezes perde-se o benefício (redução de risco), por 'compensação', ou seja, por que passam a ocorrer mais oportunidades do que se teria sem a tecnologia de redução de risco".
Green acrescentou: "Também constatamos o que foi afirmado pelo Papa, a 'monogamia' é a única resposta positiva para a AIDS na África, ao contrário da 'abstinência'. A melhor e mais recente evidência empírica mostra que a redução de parceiros sexuais múltiplos e concorrentes é, isoladamente, a mais importante mudança de comportamento que pode ser associada com uma redução na taxa de infecção pelo HIV."
Green dá ainda notícias animadoras, o Papa não está só. "Mais e mais especialistas em AIDS estão aderindo a isto. Os dois países com a pior epidemia de HIV, Suazilândia e Botsuana, ambos lançaram campanhas para desencorajar parceiros múltiplos e concorrentes, e incentivar a fidelidade."
Um livro apresentado no site da sua unidade de pesquisa, em que Green aponta lições da luta contra a AIDS nos países em desenvolvimento, explica:
«As soluções médicas financiadas principalmente por grandes doadores têm tido um impacto pequeno na África, o continente mais duramente atingido pela AIDS. Ao contrário, é uma mudança de comportamento relativamente simples e de baixo custo - acentuando o crescimento da monogamia e o atraso da iniciação sexual entre os jovens - que têm resultado nos maiores avanços na luta contra a AIDS e na redução de sua extensão.»
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5 de março de 2009
Director técnico da Oficina de S. José
«Equipa estável e coesa
é o segredo do nosso trabalho»
O lar de Infância e Juventude da Oficina de S. José tem actualmente 45 crianças e jovens acolhidos e está totalmente lotado e com lista de espera. Serafim Gonçalves (SG) é director técnico da instituição de há mais de uma década para cá e contou ao Diário do Minho (DM) os traços fundamentais desta casa que está a comemorar 120 anos de existência. O projecto educativo, as actividades, os recursos humanos e as parcerias são alguns assuntos abordados pelo director técnico que é limiano, casado e pai de uma criança com três anos. Destacando a seriedade do trabalho realizado na Oficina de S. José, falou de novos projectos em curso – concretamente o “DOM” e a implementação dos Sistemas de Gestão de Qualidade – e deu conta ainda dos sonhos que tem para a instituição. A reconstrução do actual edifício ou a construção de um novo espaço está à cabeça das preocupações, mas o grande sonho continua a ser que todas as crianças e jovens acolhidos sejam felizes no tempo que passam na instituição.
DM: Quais são as linhas mestras do projecto educativo e a orientação pedagógica seguida?
SG: A oficina de S. José é uma instituição que educa há 120 anos a esta parte. Durante os tempos foi-se ajustando aos novos paradigmas educacionais. O nosso processo educativo assenta, essencialmente, na perseverança, em criar laços afectivos fortes com as nossas crianças e jovens e desenvolver o nosso trabalho de forma profissional. Para atingirmos os resultados pretendidos torna-se imprescindível o trabalho em equipa. A pedra basilar de toda e qualquer educação é o trabalho em equipa, onde valores como a solidariedade, o respeito, a coesão, a sinceridade e a honestidade estão presentes.
O projecto educativo da instituição designa-se: educar para a afectividade. Isto porque consideramos que a educação que não passa por ligações afectivas estáveis e fortes tende a ser muito frágil.
Por isso, delineamos quatro grandes objectivos gerais que tentamos perseguir: valorizar as potencialidades da criança ou jovem, reforçar a interacção entre educandos e comunidade educativa, aprofundar a relação entre criança, família e instituição e, finalmente, alargar a intervenção junto das famílias.
Em relação a este último objectivo convém reforçar que é uma aposta da instituição, já que é fundamental ultrapassar as debilidades existentes, em meio familiar, para que se afigure possível o regresso, em tempo útil e de forma adequada, das crianças e dos jovens às suas famílias biológicas.
DM: Como acontece a admissão, o acolhimento e a integração dos utentes?
SG: Recebido o pedido das entidades competentes é analisado em equipa e se tivermos vaga e se for considerada pertinente a integração da criança/jovem comunica-se à entidade responsável do pedido que agende uma pré-entrevista com os familiares, o menor, os técnicos que acompanham o processo e os técnicos da instituição.
Nesta reunião pretende-se criar empatia com o menor para que ao chegar à instituição, esta não lhe seja totalmente estranha. Além disso, do ponto de vista técnico, tiram-se as primeiras informações relevantes, para se delinear linhas estratégicas de intervenção. Neste encontro dialoga-se sobre quais os direitos e deveres da criança/jovem e da própria família.
Há casos extremamente urgentes e aí temos de ser flexíveis e sabermo-nos ajustar às situações.
No que respeita ao acolhimento e integração promovemos alguns mecanismos que visam uma melhor integração num novo meio. Assim, no primeiro dia da chegada de uma nova criança/jovem ao lar e com a colaboração da Equipa de Acolhimento (composta por meninos da instituição) presente nesse horário, faz-se a apresentação aos menores que se encontram no lar e integra-se na actividade que estiver a decorrer. A apresentação ao grande grupo faz-se no período em que todas as crianças estão na instituição, através de uma dinâmica de “quebra-gelo”.
DM: O que se destaca de um plano anual de actividades?
SG: Todo o plano de actividades é elaborado, definido, aprovado e implementado de acordo com o projecto educativo. O tema deste ano é “Criar laços com futuro”. Importa referir que para todas as actividades há objectivos bem delineados, dos quais se faz posteriormente avaliação, em equipa, sobre se foram ou não atingidos.
Na instituição, temos as actividades desenvolvidas por vários grupos de Desenvolvimento Pessoal e Social: grupo de teatro, grupo de música popular, aulas de piano e grupo de expressão plástica. Realizam-se, também, várias actividades desportivas.
Durante o ano salientam-se como momentos mais marcantes as festas de Natal e S. José, nosso padroeiro. A colónia de férias é outra das iniciativas que fazemos todos os anos, durante 15 dias, em Apúlia, e na qual se pretende, além da interacção e convívio entre educadores e educandos, fazer o acolhimento e uma primeira integração dos novos utentes.
Todos os meses, há uma acção de formação previamente definida, direccionada para as crianças/ jovens, monitorizada por técnicos da instituição ou por especialistas convidados.
Ao longo do ano realizam-se, ainda, muitas outras actividades no exterior da instituição, que passam pelo lazer e pelo desporto e que visam o crescimento integral dos nossos utentes.
DM: Quais são os recursos humanos da instituição?
SG: Na valência do lar de Infância e Juventude trabalham na Oficina de S. José, sete elementos na equipa técnica e quatro na equipa educativa.
Todos estes elementos são formados na área das Ciências Sociais e Humanas. Há, ainda um grupo de auxiliares, em vários sectores, que colabora de forma inexcedível para que nada falte aos nossos meninos. São também verdadeiros educadores.
DM: A casa tem a colaboração de outras pessoas externas. Como é o trabalho dos voluntários?
SG: Ao longo dos anos, apraz-nos reconhecer, sempre houve gente disponível para colaborar e trabalhar com as nossas crianças e jovens. Colaboram nas actividades lúdico-recreativas e no acompanhamento do tempo de estudo dos nossos educandos, mas acima de tudo pretendemos que sejam uma referência positiva na vida dos menores.
Regra geral, é gente que "veste a camisola", isto é dedica-se à causa, normalmente durante vários anos. Isto passa-se, por exemplo com professores aposentados, jovens estudantes e outros profissionais que fazem questão de passar cá algumas horas por semana, e dar de si para ajuda dos menores que nos estão confiados.
DM: Quais são as valências da instituição?
SG: Actualmente, e no que respeita à área social, são duas as valências que a Oficina de S. José dispõe: lar de Infância e Juventude e ATL. No lar estão 45 utentes, na sua grande maioria provenientes do distrito de Braga (apenas um é do distrito de Viana do Castelo).
Sobre a valência do ATL nem é preciso dizer muito. Todos sabemos que este, como muitos outros, está em lenta agonia.
DM: Como é o dia-a-dia da instituição?
SG: A vida no interior da instituição assemelha-se de alguma forma à vida familiar.
De manhã acordamos e cuidamos da higiene pessoal. Depois toma-se o pequeno-almoço e cada um segue a sua vida: escola ou trabalho.
Os menores que têm tempo livre no horário escolar ficam na instituição para realizar actividades ludico-formativas.
Ao fim da tarde realizam-se as actividades previamente definidas, seja dentro seja fora da instituição.
O jantar é verdadeiro momento de encontro e é precedido de um “ritual” de breve encontro para fazer alguma avaliação sobre o dia, pondo em comum experiências e vivências.
O ritmo de fim-de-semana, tal com em todas as famílias, é um pouco mais flexível: o levantar é mais tarde, realizam-se actividades desportivas e intercâmbios, faz-se limpezas de espaços pessoais e comuns. À noite o programa pode passar por ver um filme ou dar um passeio.
DM: A Oficina de S. José está a trabalhar em novos projectos, concretamente o “DOM” e a implementação dos Sistemas de Gestão de Qualidade?
SG: O projecto “Desafios, Oportunidades e Mudança” (DOM) da responsabilidade da Segurança Social foi assumido pela Oficina de S. José uma vez que é gerador e potenciador de um melhor serviço prestado em prol daqueles com quem trabalhamos diariamente.
O DOM visa, essencialmente, reforçar a equipa técnica e disponibilizar os meios tendentes a uma melhor qualificação da intervenção e dos interventores.
A juntar a este, a Oficina de S. José está a fazer a implementação de Sistemas de Gestão da Qualidade, projecto que está a ser acompanhado por uma especialista. Com o intuito de melhorar o trabalho realizado e, ainda, numa fase embrionária, já se começam a notar alguns resultados.
Estamos a convergir esta implementação com o Manual da Qualidade, que saiu recentemente, e que se destina aos lares de infância e juventude.
DM: Com que parceiros conta a Oficina de S. José?
SG: Estamos conscientes de que a responsabilidade de educar estas crianças e jovens é tarefa de toda a comunidade envolvente. O sucesso deste trabalho será tanto maior quanto a participação activa de toda a comunidade.
Na comunidade, englobamos as instituições escolares – que têm um papel importante na definição da melhor integração e acompanhamento a dar ao menor.
Os centros de saúde e a Segurança Social assumem papel relevante neste domínio. Com esta última temos acordos de cooperação, mormente para as valências de ATL e Lar de Infância e Juventude.
Mas há outras parcerias estabelecidas, como por exemplo, o Instituto Português da Juventude, a Câmara Municipal, a Universidade do Minho e a Universidade Católica Portuguesa, o Governo Civil, o Sporting Clube de Braga e a Junta de Freguesia de São Lázaro.
Há ainda uma boa colaboração com as instituições que perseguem objectivos análogos aos nossos, quer pelo diálogo e partilha comum, quer pela organização de actividades recreativas e de formação conjunta para educandos.
DM: Como director técnico, qual é o grande sonho que tem para a instituição?
SG: Temos muitos sonhos. No entanto no que respeita a este campo específico, nestes 120 anos, gostaríamos que fosse anunciada a reconstrução ou restauro ou a construção de raiz de um novo espaço, mais e melhor adequado às necessidades da nossa população-alvo. Um lar de infância e juventude precisa de estruturas mais pequenas para que se possa fazer-se uma intervenção mais individualizada e personalizada, tornando-se, assim, mais eficaz.
Sabemos que para isso é necessário dinheiro, apoios, e sabemos, também, que a actual direcção está empenhada na consecução daquele objectivo.
A criação do Apartamento de Autonomização, dentro do programa comemorativo dos 120 anos, também seria uma boa forma de marcar a efeméride.
Gostaríamos que até ao final do ano estivesse concluído o processo de implementação da qualidade.
Mas o nosso maior sonho continua a ser o mesmo de sempre: que as crianças e jovens sejam o mais felizes possível no tempo que cá estão. Para atender a esta população só uma resposta de qualidade serve: damos a estas crianças e jovens o máximo que pudemos e exigimos-lhes o máximo que cada um pode dar.
Destacamos, finalmente, que na Oficina de S. José todos os elementos são importantes, desde o porteiro até ao director da instituição. Todos têm um papel fundamental na educação e na integração destas crianças e jovens, ainda que com funções diferentes. Uma equipa estável e coesa é o segredo do nosso trabalho.
11 de fevereiro de 2009
Bento XVI revela vontade de visitar Portugal

| Bento XVI espera vir a Portugal proximamente. O próprio Papa comunicou-o ao actual Núncio Apostólico em Portugal, na audiência que lhe concedeu antes de chegar a Lisboa, há pouco mais de um mês. "Eu fui recebido pelo Santo Padre antes de vir para Portugal e ele disse-me: espero poder ir a Portugal num futuro próximo". Sem datas marcadas, Bento XVI quer estar na "terra de Santa Maria", "num futuro não remoto". "Há um desejo firme, um propósito mesmo do Santo Padre", garante D. Rino Passigato, numa entrevista, a primeira desde que chegou a Portugal, um país que acolheu o Núncio Apostólico "com grande carinho". "E têm todo o carinho do Núncio", expressou num português "elementar", porque é o primeiro país de expressão portuguesa onde está em missão diplomática. Concordata D. Rino Passigato chega a Portugal num momento em que as relações Igreja-Estado estão fortemente marcadas pelo processo de regulamentação da Concordata. Assinada em 2004, ela "foi um ponto de chegada, muito importante, de acordo". Para o Núncio Apostólico, "essa vontade de acordo existe ainda" e preside ao trabalho de traduzir em leis e decretos-lei os termos da Concordata. "Há a comissão [paritária] e esperamos todos que o trabalho se faça seriamente. E sei que todas as pessoas comprometidas têm a melhor vontade para fazer bom o trabalho", garantiu D. Rino Passigato, referindo também que "o tempo para fazer bem as coisas é necessário, é preciso um certo tempo!". Conhecedor de aspectos circunstanciais que motivaram atrasos neste processo, como a mudança de membros da Comissão Paritária, refere que "todas as pessoas que trabalham, da parte do governo e da parte da Igreja estão comprometidos e querem avançar bem e chegar a uma solução". Para o Núncio Apostólico em Portugal, interessa valorizar a presença dos católicos na sociedade, mais do que permanecer ligado a enquadramentos legais - ou à falta deles - da presença eclesial em diferentes contextos da sociedade. "Os católicos em Portugal representam, de um ponto de vista sociológico, 80, 85% da população. É uma realidade, que tem de ser expressa em todas as circunstâncias, em todas as situações: nas escolas, nos hospitais, nas cadeias, no exército, etc... É uma realidade!" Relações Igreja-Estado "Boas, muito boas" - é assim que o Núncio Apostólico avalia as relações entre os dois Estados: Portugal e o Vaticano. "Ainda não trabalhei muito nesse terreno, mas sei que são relações muito cordiais". D. Rino Passigato recordou a visita do Presidente da República ao Vaticano, sobre a qual falou com Cavaco Silva quando apresentou as Cartas Credenciais (a 8 de Janeiro). "Pude dar-me conta que o Senhor Presidente ficou com a impressão que o Santo Padre está muito interessado e informado sobre a situação em Portugal e segue-a com mutio interesse", recordou. "As relações entre a Igreja, o Vaticano, e Portugal, neste momento são boas, muito boas", sublinhou. Na Terra de Santa Maria Conhecedor da história "muito rica, muito importante" da Igreja Católica em Portugal, Rino Passigato evoca também a "língua tão maravilhosa". "A língua de Camões, de Pessoa e muitos escritores e literatos", em que agora se começa a exprimir. Refere igualmente a marca mariana da fé dos portugueses, típica "característica da fé católica", que ajuda quando amadurecida e responsável. "Temos uma promessa, de Nossa Senhora, em Fátima, que assegura que o seu coração vai triunfar e que Portugal ficará católico, crente, cristão". "Os cristãos em Portugal, se mantiverem firme o amor a Nossa Senhora, creio que vão manter também viva a sua fé, que nos leva directamente a Jesus. Maria não quer uma devoção a ela mesma, para ser o fim dessa devoção. Ela é a Mãe do Salvador e nos conduz a Jesus, o único salvador do homem", referiu. |
20 de janeiro de 2009
Missão em Benguela



O que leva um jovem arquitecto e uma jovem médica, ambos bracarenses, casados em Setembro de 2007, a partirem para o continente africano como voluntários da Organização Não Governamental (ONG) Leigos para o Desenvolvimento, dias depois do enlace matrimonial? Pedro Soares (PS), de 31 anos, e Márcia Cordeiro (MC), de 30, responderam a esta e a outras perguntas em entrevista ao Diário do Minho (DM) e recordaram, ainda, como foi um ano, não de experiência, mas de vida concreta entre as pessoas de Benguela, em Angola. Depois de um ano de preparação, da celebração do casamento e de uma caminhada a Santiago de Compostela, o casal partiu para Benguela de onde chegou em finais de Novembro passado. A sensação, agora, é que tudo passou muito rápido e, por isso, nada melhor do que repetir esta vida em missão. Para já, vão apostar na vida de casal, na formação e no trabalho profissional. Mas, o desejo de voltar a terras está enraizado no coração de quem quer ajudar os que menos têm a encontrar melhores condições e um pouco mais de felicidade, embora, paradoxalmente, sejam já muito felizes.
DM: Qual foi, em concreto, as missões que desempenharam ao longo de mais de um ano de vida em Angola?
PS: Norma geral, os leigos enviam voluntários missionários que tenham uma licenciatura ou alguma formação profissional. Eu como arquitecto não trabalhei dentro da minha área específica. Inicialmente eu tinha a missão de dar aulas de físico-química no Seminário local. Além disso, já sabia que teria de coordenar e dinamizar os dois Centros de Apoio Escolar e Bibliotecas (CAEB) de Benguela. Estes centros são motivados pelo facto de uma larga camada daquela população ser muito jovem e pretendem incentivar o interesse pelo livro e o gosto pela leitura.
No entanto, quando cheguei ao terreno encontrei ainda outro projecto, além destes: construir de raiz uma obra de cariz social, com cinco salas, pertencente à paróquia.
Esta construção foi feita sem recursos quase nenhuns, mas a obra ficou acabada e entregamos a chave. Fizemos uma campanha de angariação de fundos, via internet, principalmente para familiares e amigos. Algumas empresas locais também auxiliaram com diversos materiais.
Na prática, durante este tempo, fui construtor civil, professor e coordenador dos centros.
MC: Eu fui para desempenhar a missão na área da medicina, que é a minha formação superior. Ao nível do projecto da saúde, os Leigos têm três subprojectos fundamentais: o primeiro é dar apoio aos postos de saúde que, em Benguela, são uma espécie de pequeno hospital, com internamento, pediatria, consultas, salas de parto e pós-parto. É o género dos centros de saúde de cá, mas com internamento.
A vertente da formação foi outras das missões que me foi incumbida. Principalmente aos enfermeiros já que eles fazem o papel dos médicos e eu era a única médica naquele posto.
Esta formação aos enfermeiros, que é um projecto continuado dos Leigos para o Desenvolvimento, é essencial e decorreu em cerca de cinco meses com encontros duas vezes por semana a 25 enfermeiros de outros postos de Benguela.
Ainda fiz formações básicas para jovens na área da educação para a saúde. HIV, educação sexual, amamentação, gravidez na adolescência, mas também vacinação, diarreia e tuberculose foram alguns dos temas abordados nestas formações para pessoas entre os 15 e os 20 anos.
DM: Quando foram e onde ficaram instalados?
MC: Chegamos a Benguela a 23 de Novembro. Ficamos instalados mesmo no centro da cidade, numa casa que a diocese cedeu aos Leigos para o Desenvolvimento e que se destina a acolher os voluntários que vão para lá como missionários.
A cidade de Benguela é linda. Está muito degradada não tanto pela guerra, mas pela não preservação e não conservação.
A adaptação inicial foi difícil uma vez que o calor intenso dava muita vontade de dormir. Lá o inverno, em termos de temperatura, parece a nossa primavera daqui.
Vivemos em comunidade. Connosco estavam mais três Leigos, do Porto, de Lisboa e do Algarve. Cada um tem os seus projectos, mas acabamos por falar em conjunto das nossas missões e das nossas dificuldades.
Apesar de vivermos na cidade, a nossa missão era desempenhada nos bairros da periferia da cidade, que estão carregados de problemas sociais, principalmente a pobreza e o analfabetismo.
PS: O nosso dia começava cedo. Às 6h00 era altura para levantar e cada um seguia para os seus projectos e trabalhos. Às 13h00, o almoço era em casa com a comunidade toda reunida e, no final, cada qual dirigia-se de novo para os projectos.
À tardinha, fazíamos oração comunitária preparada alternadamente e no final jantávamos. Depois de um tempo livre era hora de descansar porque o dia seguinte começava cedo.
Além desta rotina, de 15 em 15 dias havia um passeio comunitário.
O domingo era um dia mais pessoal. Íamos à Eucaristia, à igreja do Pópulo porque era muito portuguesa e até os sinos eram de Braga.
Na missão, estamos muito ligados à vida da diocese. Participamos nos encontros propostos pelo Bispo diocesano e lá existe uma grande união da família missionária
MC: Apesar da aparente rotina dos dias, a vida lá é menos cansativa, pelo menos visualmente. Não há televisão, telemóvel e outras tecnologias nem publicidade. O que há lá são pessoas. Cá, mesmo que não queiramos, estão sempre imagens a entrar pelos olhos e isso cansa-nos terrivelmente. Por isso, esta missão com pessoas é anti-stressante e muito mais livre.
DM: Qual a motivação para este desafio? O que é que vos moveu a partir para esta missão?
MC: No meu caso, a vontade de ajudar os outros está enraizada desde muito pequena. É um sonho que é mexido quer pela vontade de ajudar, quer também pela realização pessoal. É difícil dizer porque vamos já que, no meu caso, não foi a cem por cento por isto ou por aquilo em concreto. É uma mistura entre o desejo de ajudar, percebendo que lá somos úteis e que fazemos falta, e a felicidade e realização que isso nos traz.
DM: Quais são os grandes problemas de Benguela?
PS: Os grandes problemas e carências das pessoas assentam na saúde e na educação. Mas existe também desemprego, falta de condições, concretamente, falta de saneamento e falta de água.
Para fazer face às lacunas ao nível da educação, os Leigos para o Desenvolvimento apostam, desde a sua ida para Benguela, no projecto da alfabetização dos jovens.
Mas não podemos esquecer que alcoolismo está a aumentar quer nos homens, nas mulheres e até nas crianças. Há também violência doméstica, uma vez que a cultura é muito machista, e por causa da poligamia a mulher é muitas vezes desprezada e maltratada.
Claro que não resolvemos os problemas estruturais que eles sofrem, mas, ao nível da formação, podemos ajudar com coisas básicas e alguns truques que contribuam para superar as dificuldades causadas pela falta de recursos materiais.
DM: Conseguem eleger o melhor momento neste tempo de missão?
MC: Tudo o que tenha envolvido aquelas pessoas foi bom. As mamãs, os bebés, os sorrisos, a paciência, a alegria espontânea apesar de todos os problemas. Apesar de tudo são felizes e trago isso no coração. Aprendemos tanto naquela missão e ensinamos tão poucas coisas. Há uma gratidão sem limites naquela gente que é fantástica, amorosa, dedicada e sincera.
PS: O que mais me alegrou foi, sem dúvida, a conclusão do centro para jovens no Bairro da Graça, em Benguela. Foram dias e dias durante meses seguidos e, felizmente, deixamos a obra acabada e disponível para ser usada.
DM: E momentos menos bons também existiram?
MC: Se o melhor são as pessoas, para mim e na minha área de trabalho, o pior é não conseguir ajudar essas pessoas.
Em termos médicos, quando percebemos que não temos as condições necessárias e suficientes para tratar e diagnosticar alguma doença é muito triste. Muitas crianças que poderiam ter ido para Luanda a fim de terem mais condições de tratamento e, no fim de tanto trabalho, os pais não quiseram ou deixaram de aparecer no posto. Investimos em alguns e muitos pais fugiram com os filhos. Claro que muitos deles com certeza morreram.
Lidar com o não poder fazer mais foi das coisas que mais me custou. E lidar com a morte foi mesmo muito difícil.
Lá lida-se com a morte e com a vida todos os dias. Com a vida, porque cada mamã tem, em média, sete filhos. Com a morte, porque se perguntamos a uma mãe quantos filhos tem com frequência ouvimos “ tenho dez, sete mortos e três vivos”. Quando ouvi essa resposta fiquei petrificada.
PS: O meu pior momento foi aperceber-me da falta de apoio social às populações em geral. O que o Governo dá não chega aos mais carenciadas. Assiste-se, em geral, a um grande desfasamento entre ricos e pobres.
Quando pedimos apoio para a construção do centro juvenil do Bairro da Misericórdia percebi como é difícil para o Governo olhar os mais carenciados.
DM: Para esta missão tiveram alguma preparação específica?
MC: Nos Leigos para o Desenvolvimento tivemos um ano inteiro de formação e preparação para a missão. Nesse ano, desenvolvemos a relação connosco próprios e com os outros, além de tentarmos perceber o que significa ser voluntário, e alguns aspectos da vida em comunidade. Só no final dessa preparação decidimos se queremos avançar e aí a organização vê se temos o perfil necessário e coloca-nos onde o nosso trabalho for mais necessário.
PS: Aprofundamos também o lado espiritual para que com o nosso testemunho de vida cristã possamos ser referência e exemplo para aquelas pessoas.
Na missão, há lugar fundamental para a vivência religiosa. Temos que escolher um trabalho pastoral a desenvolver na comunidade paroquial onde estivermos e participamos todas as semanas na Eucaristia.
Eu, por exemplo, dei apoio a um agrupamento de escuteiros e a Márcia fez formação humana a jovens raparigas de um lar.
DM: Tudo o que experimentaram, de bom e menos bom, permite-vos dizer, desde já, que esta vida em missão é para repetir?
MC: Eu já estou cheia de saudades. Vim para terminar a minha especialidade na área da pediatria e isso demora-me três anos, mas gostaria de ter ficado mais um ano. Claro que a vontade de repetir existe. A curto prazo? Se três anos for curto prazo, então poderá ser.
PS: Sim, eu também tenho vontade de repetir. A melhor altura para isso depois se verá. Para já, vou dedicar-me à arquitectura num atelier. Claro que temos de procurar casa e pensar na nossa vida de casal, já que não o fizemos antes.
MC: Estar lá foi mesmo muito bom. Estamos a chegar e quase que ainda nem desfizemos as malas. As pessoas interrogam-nos e dizem que deve ter sido uma experiência interessante e enriquecedora, mas aquilo não foi experiência foi vida concreta, com rotina, amigos, com laços criados, com dificuldades, com alegrias .
Quando lá estava pensava que os corajosos estavam do lado de cá. Mas tenho consciência que a missão voluntária cumpre-se em qualquer lado.
DM: A família aceitou bem a vossa decisão?
MC: Não, isso foi um pouco complicado. Os meus pais não ficaram radiantes, mas também não se opuseram. Alguém dizia que nós escolhemos ser missionários, mas os pais não escolhem ser pais de missionários.
PS: Comigo foi igual e, principalmente, a minha mãe não aceitou muito bem. Agora que vim inteiro está tudo bem.
DM: Que conselhos dão àqueles que de alguma forma sentem o “bichinho” da missão?
PS: É uma vida muito intensa, cheia de emoções e ninguém deve, se se sentir chamado, desperdiçar a oportunidade, correndo o risco de estar a estragar dons e talentos.
MC: Acho que há pessoas que sabem de antemão que nunca fariam uma missão deste tipo e acho bem que seja assim. Isto não é para todos, mas os que vão para a missão não são mais corajosos por irem. Não temos todos os mesmos sonhos e os mesmos desejos. O que digo é que aqueles que se sentirem de alguma forma inclinados para o voluntariado missionário têm mesmo que ir. Quem tem o bichinho não tenha medo.
DM: Alguma vez se sentiram inseguros?
MC: Nunca sentimos nada ao nível de guerra, nem de insegurança nem de criminalidade. Mesmo na altura das eleições tudo foi muito calmo.
As pessoas lá olham para nós com muita estima e tratam-nos muito bem. Vêem-nos como voluntários cristãos e não como empresários.
Na missão, nós somos um com eles embora tenhamos melhores condições que eles. Eles sabem disso e não compreenderiam sequer que vivêssemos como eles. O nosso estilo de vida não choca absolutamente em nada. Vivemos de modo simples e sem ostentação.
© Diário do Minho
DR
6 de janeiro de 2009
Entrevista ao chefe nacional do CNE
Chefe Nacional tomou posse há um ano
Escutismo está empenhado
na educação pelo testemunho
Texto: José António Carneiro
Apesar de estar numa fase de renovação de metodologias e instrumentos, o Corpo Nacional de Escutas (CNE) está empenhado em manter a sua missão educativa por meio do exemplo e do testemunho, ressalvando os valores e a mística do movimento fundado há 100 anos por Baden Powell. Esta é a convicção do chefe nacional do movimento que completa hoje o primeiro aniversário da tomada de posse como dirigente máximo do CNE.
Em declarações ao Diário do Minho, Carlos Alberto Pereira fez um balanço do primeiro ano que esteve à frente do movimento e aproveitou para traçar e revelar desafios e projectos para 2009 e, ainda, para dar conta do «sonho» de ver todos os escuteiros portugueses a crescerem e a seguirem os bons exemplos, concretamente o de São Paulo, um dos grandes patronos do movimento, e do qual se está a celebrar 2000 anos do seu nascimento.
Mas a par deste, o escutismo não pode deixar na margem pessoas como Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II e os Pastorinhos de Fátima que, nessa linha, estão a ser introduzidos na nova pedagogia, enriquecendo a mística do escutismo católico.
Fazendo um balanço positivo do primeiro ano como chefe nacional do CNE, Carlos Alberto Pereira falou, com pormenor, da Renovação da Acção Pedagógica (RAP) que está a ser experimentada em 120 agrupamentos a nível nacional e a correr dentro do previsto. «Esta é a mudança que pretendemos», disse, perseguindo-se um empenho e compromisso de actualização e renovação das metodologias e das propostas educativas do movimento escutista.
Todavia, o chefe nacional, que é natural de Braga, afirmou que esta mudança não vai alterar os valores e a mística do CNE, mas pretende actualizar e renovar as metodologias, as linguagens e as ofertas do movimento.
Este novo projecto de acção pedagógica reviu a mística e a simbologia definindo objectivos educativos para cada uma das secções e redesenhando o sistema de progressão dentro do movimento.
O RAP recentra a atenção no próprio jovem/adulto escuteiro. Em concreto, o sistema de progresso deixa de estar centrado em provas para se centrar em objectivos específicos que são, na prática, oportunidades educativas propostas pelos próprios escuteiros.
Este novo projecto, liderado pelo eleito chefe regional de Braga, Ivo Faria, dá a possibilidade de o jovem traçar os seus próprios objectivos com a finalidade de progredir. Além do mais, no antigo sistema o caminho já estava traçado e agora o escuteiro pode fazer o seu próprio caminho.
O grande objectivo do RAP é, acima de tudo, responsabilizar o jovem na sua própria educação.
Ainda em relação a esta fase de renovação dentro do CNE, Carlos Alberto Pereira salientou que para este ano o grande desafio é estender a todos os agrupamentos a nova acção pedagógica. De momento, está também a ser reescrita toda a literatura escutista.
Fátima vai ter centro escutista
Ainda para este ano, o dirigente disse que é necessário começar a preparar o próximo acampamento nacional que, apesar de ser realizar apenas daqui a três anos, requer desde já que se comece a perspectivá-lo uma vez que, para a sua realização «é necessário construir uma cidade para 10 mil jovens».
Falando ainda de desafios, o chefe nacional do CNE revelou que em Junho ou Julho próximo estará terminada a recuperação das instalações da antiga sede nacional. Além disso, em Fátima, os órgãos centrais do movimento vão lançar um centro escutista, que concentrará espaços de formação e reflexão.
Para Carlos Alberto Pereira o grande trabalho a continuar a perseguir é a criação de condições e instrumentos de educação destinados aos jovens, a fim de que no futuro possam sentir-se reconhecidos ao CNE pelo contributo salutar que este movimento deu para a sua formação humana e cristã.
Não se vangloriando do facto de liderar a considerada maior associação juvenil portuguesa, Carlos Alberto Pereira prefere destacar que o CNE é a «maior associação que se dedica à educação não formal dos jovens portugueses».
Atento aos tempos que correm e a alguns números actuais salientou um ligeiro crescimento do movimento em Portugal em oposição a uma tendência decrescente que se assiste na Europa em geral.
«Baden Powell teve a lucidez de criar uma associação simples, sem burocracias e na qual não se é preciso ser doutor para se ter um cargo directivo», afirmou o chefe nacional. Ao invés disso, é necessário ter «boa vontade» e atitude de serviço para se fazer parte do Escutismo, defendeu Carlos Alberto Pereira.
Braga é região mais pujante
A Região Escutista de Braga é a maior do país, tendo cerca de 17 mil escuteiros. Segundo o chefe nacional, ligado à sua terra natal que é Ferreiros (Braga), o escutismo na região está «pujante» e como sinal evidente disso mesmo regista o facto de ser a região que, para as estatísticas do CNE, mais contribui com caminheiros, ou seja, com escuteiros com idades compreendidas entre os 18 e os 22 anos.
Para este dirigente, o segredo do sucesso do movimento na cidade onde nasceu o Escutismo português assenta na «rotatividade dos corpos dirigentes» num sentido de renovação permanente permitindo «complementaridade» e «não confronto».
Escutismo está empenhado
na educação pelo testemunho
Texto: José António Carneiro
Apesar de estar numa fase de renovação de metodologias e instrumentos, o Corpo Nacional de Escutas (CNE) está empenhado em manter a sua missão educativa por meio do exemplo e do testemunho, ressalvando os valores e a mística do movimento fundado há 100 anos por Baden Powell. Esta é a convicção do chefe nacional do movimento que completa hoje o primeiro aniversário da tomada de posse como dirigente máximo do CNE.
Em declarações ao Diário do Minho, Carlos Alberto Pereira fez um balanço do primeiro ano que esteve à frente do movimento e aproveitou para traçar e revelar desafios e projectos para 2009 e, ainda, para dar conta do «sonho» de ver todos os escuteiros portugueses a crescerem e a seguirem os bons exemplos, concretamente o de São Paulo, um dos grandes patronos do movimento, e do qual se está a celebrar 2000 anos do seu nascimento.
Mas a par deste, o escutismo não pode deixar na margem pessoas como Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II e os Pastorinhos de Fátima que, nessa linha, estão a ser introduzidos na nova pedagogia, enriquecendo a mística do escutismo católico.
Fazendo um balanço positivo do primeiro ano como chefe nacional do CNE, Carlos Alberto Pereira falou, com pormenor, da Renovação da Acção Pedagógica (RAP) que está a ser experimentada em 120 agrupamentos a nível nacional e a correr dentro do previsto. «Esta é a mudança que pretendemos», disse, perseguindo-se um empenho e compromisso de actualização e renovação das metodologias e das propostas educativas do movimento escutista.
Todavia, o chefe nacional, que é natural de Braga, afirmou que esta mudança não vai alterar os valores e a mística do CNE, mas pretende actualizar e renovar as metodologias, as linguagens e as ofertas do movimento.
Este novo projecto de acção pedagógica reviu a mística e a simbologia definindo objectivos educativos para cada uma das secções e redesenhando o sistema de progressão dentro do movimento.
O RAP recentra a atenção no próprio jovem/adulto escuteiro. Em concreto, o sistema de progresso deixa de estar centrado em provas para se centrar em objectivos específicos que são, na prática, oportunidades educativas propostas pelos próprios escuteiros.
Este novo projecto, liderado pelo eleito chefe regional de Braga, Ivo Faria, dá a possibilidade de o jovem traçar os seus próprios objectivos com a finalidade de progredir. Além do mais, no antigo sistema o caminho já estava traçado e agora o escuteiro pode fazer o seu próprio caminho.
O grande objectivo do RAP é, acima de tudo, responsabilizar o jovem na sua própria educação.
Ainda em relação a esta fase de renovação dentro do CNE, Carlos Alberto Pereira salientou que para este ano o grande desafio é estender a todos os agrupamentos a nova acção pedagógica. De momento, está também a ser reescrita toda a literatura escutista.
Fátima vai ter centro escutista
Ainda para este ano, o dirigente disse que é necessário começar a preparar o próximo acampamento nacional que, apesar de ser realizar apenas daqui a três anos, requer desde já que se comece a perspectivá-lo uma vez que, para a sua realização «é necessário construir uma cidade para 10 mil jovens».
Falando ainda de desafios, o chefe nacional do CNE revelou que em Junho ou Julho próximo estará terminada a recuperação das instalações da antiga sede nacional. Além disso, em Fátima, os órgãos centrais do movimento vão lançar um centro escutista, que concentrará espaços de formação e reflexão.
Para Carlos Alberto Pereira o grande trabalho a continuar a perseguir é a criação de condições e instrumentos de educação destinados aos jovens, a fim de que no futuro possam sentir-se reconhecidos ao CNE pelo contributo salutar que este movimento deu para a sua formação humana e cristã.
Não se vangloriando do facto de liderar a considerada maior associação juvenil portuguesa, Carlos Alberto Pereira prefere destacar que o CNE é a «maior associação que se dedica à educação não formal dos jovens portugueses».
Atento aos tempos que correm e a alguns números actuais salientou um ligeiro crescimento do movimento em Portugal em oposição a uma tendência decrescente que se assiste na Europa em geral.
«Baden Powell teve a lucidez de criar uma associação simples, sem burocracias e na qual não se é preciso ser doutor para se ter um cargo directivo», afirmou o chefe nacional. Ao invés disso, é necessário ter «boa vontade» e atitude de serviço para se fazer parte do Escutismo, defendeu Carlos Alberto Pereira.
Braga é região mais pujante
A Região Escutista de Braga é a maior do país, tendo cerca de 17 mil escuteiros. Segundo o chefe nacional, ligado à sua terra natal que é Ferreiros (Braga), o escutismo na região está «pujante» e como sinal evidente disso mesmo regista o facto de ser a região que, para as estatísticas do CNE, mais contribui com caminheiros, ou seja, com escuteiros com idades compreendidas entre os 18 e os 22 anos.
Para este dirigente, o segredo do sucesso do movimento na cidade onde nasceu o Escutismo português assenta na «rotatividade dos corpos dirigentes» num sentido de renovação permanente permitindo «complementaridade» e «não confronto».
4 de novembro de 2008
Entrevista na Catequese da Sé
Cónego Manuel Joaquim Costa em entrevista, no Patronato da Sé
«Os Jovens não podem cegar nem ensurdecer»
O grupo de catequese (GC) do 7.º ano do Patronato da Sé, catequizandos e catequistas, entrevistou o cónego Manuel Joaquim (CMJ), pároco da Sé e S. João do Souto juntamente com o padre Domingos Paulo Oliveira, no âmbito de uma actividade entre catequeses. Depois de dois encontros a reflectir sobre o “Ser grupo com Jesus” nada melhor do que falar sobre a vida da paróquia com o responsável da comunidade que recebe por estes dias (de 6 a 9 de Novembro de 2008) a visita do Arcebispo de Braga. Desafios lançados aos jovens para uma vida positiva e manifestação da esperança na juventude foram pontos essenciais da conversa que ainda serviu para se aclararem aspectos relacionados com a vida sacerdotal.
GC – Tem o sonho de ser padre desde pequeno?
CMJ – Desde muito pequeno. Ainda não andava na escola e ia à catequese com os meus irmãos aos padres de Montariol, em Braga. Olhando para aqueles frades eu sentia dentro de mim uma grande vontade de ser padre. Embora não quisesse aquela coisa castanha que eles vestiam. Por isso, desde pequenino eu ia dizendo lá em minha casa que queria ser padre. E todos me gozavam e brincavam com isso. Envergonhei-me um bocado e deixei de falar no assunto. Só mais tarde, quando me preparava para a profissão de fé, é que ganhei coragem para falar com a minha mãe e dizer-lhe que queria ir para o Seminário.
GC – Arrepende-se de ter seguido esta vocação?
CMJ – Não, de maneira nenhuma. Nunca me arrependi embora não é fácil seguir este caminho. Se olharem a vida dos vossos pais também vêm que não é fácil ser-se casado porque surgem sempre problemas e complicações. A mim como padre é a mesma coisa. Há dificuldades mas nunca me arrependo e gosto de fazer o que faço.
GC – O que é que pensa dos jovens concretamente de nós?
CMJ – Penso que sois um luxo e tenho muita esperança em vós. Foi belo ter celebrado convosco a festa da fé, no ano passado, e é belo ver-vos agora aqui com vontade continuar a crescer de mãos dadas.
GC – Que actividades sugere aos jovens?
CMJ – Em primeiro lugar, peço que nunca se deixem cegar nem ensurdecer. Hoje há o risco, e particularmente na vossa idade, de cegar perante o ecrã da televisão ou da PSP ou do computador. Outro perigo é o de ensurdecer com o fones postos nos ouvidos. Nem se ouve o silêncio nem o barulho. Quando passo por gente da nossa catequese na rua, muito nem nos vê nem nos ouvem, porque cegaram e ensurdeceram. Isso é pena porque nós devemos falar uns com os outros, sorrir, cumprimentar, ser espontâneos. Os jovens devem valorizar o bom cinema, a boa leitura o bom desporto e também a participação muito alegre e muito simples na vida da paróquia, especialmente na Eucaristia.
GC – Gosta da sua vocação?
CMJ – Gosto muito. Foi muito bom eu ter feito a minha descoberta da vocação no Seminário junto com outros companheiros que hoje em dia estão espalhados por toda a arquidiocese. Continuamos ligados e amigos uns dos outros.
GC – O que é que entende por comunidade paroquial?
CMJ – É o conjunto dos baptizados que frequentam determinada paróquia ou se sentem ligados a ela. É a comum unidade no mesmo baptismo e na mesma vida em Deus que a todos nos assiste. A comunidade vive seguindo os conteúdos da Palavra de Deus e alimentando-se do amor fraterno.
GC – Na paróquia quem deve construir a comunhão?
CMJ – Todos temos uma responsabilidade essencial. Como num corpo quando algum membro ou órgão falha, todo o corpo falha. Assim é na Igreja. Todos nós somos membros vivos do corpo misterioso de Jesus. Todos os membros, mesmo que pareçam insignificantes, são essenciais na harmonia de todo o corpo. Se um membro sofre todo o corpo sofre. A Igreja, como corpo de Cristo, precisa de todos os seus membros para construir a comunhão. Claro que eu como padre estou ao serviço da união e da unidade de todos. Mas eu sozinho não faço comunidade nem comunhão. O padre precisa de muitos colaboradores.
GC – A união na Igreja é importante?
CMJ – É importantíssima. Nos tempos actuais, as pessoas devem olhar os cristãos sentirem-se interpeladas pelo seu modo de estar e de viver. Se os cristãos vivem desunidos é um sinal negativo e um mau testemunho.
GC – Como é que procura ser discípulo de Jesus?
CMJ – Em primeiro, de manhã, o meu primeiro pensamento é para Jesus agradecendo mais um dia que me dá. Assim, sintonizo o meu dia em Jesus. Unido a Jesus, procuro estar vigilante amando todas as pessoas que vêm ter comigo.
GC – Porque não escolheu ser frade?
CMJ – Olha, não sei muito bem. Alguma coisa me chamava para ser padre secular ou diocesano. Não senti que a minha vocação fosse para viver numa comunidade seguindo uma regra, como fazem os frades.
GC – O que significa Igreja?
CMJ – Significa uma assembleia convocada, um povo convocado e reunido por Deus para construir a fraternidade, a união, o bem e viver o amor. Ser igreja é o motivo que nos reúne aqui neste momento.
GC – A visita do Senhor Bispo à paróquia pode ajudar na construção da comunidade?
CMJ – Muito, porque o Bispo é o principal responsável pelas comunidades da arquidiocese, contando, é claro, com a ajuda dos párocos. Por isso, sentimo-nos felizes por o Bispo nos visitar como representante de Jesus. O Bispo vem confirmar o esforço que fazemos para crescermos todos como Povo de Deus.
Terminada a entrevista, houve um outro tempo em que os catequizandos fizeram outras perguntas ao cónego Manuel Joaquim Costa. Fazemos um apanhado das ideias que daí resultaram.
O dia do cónego Manuel Joaquim Costa é normal. «Como, bebo, durmo, trabalho». «Gosto de ouvir música mas não tenho muito tempo. Gosto de ver as notícias e bons filmes».
Vive no Patronato da Sé, onde tem um escritório e um quarto para dormir.
No percurso para ser padre teve «muito apoio e estímulo», nas, «no início, nem tanto».
O padre recebe um salário normal. «Depende das comunidades e do que elas possam pagar».
A vida sacerdotal é «bastante atarefada». «Há sempre muitas coisas para fazer».
Como é presidente da direcção do Patronato da Sé, às vezes tem que ir a tribunal resolver «alguns assuntos importantes da instituição».
«Não me chocava que um dia a Igreja viesse a dizer que não é essencial os padres serem celibatários». Mas «eu sinto-me bem como estou e como sou». «O celibato é o pedido que a Igreja nos faz para estarmos mais disponíveis para os outros e para Deus».
Na Igreja é importantíssimo o mostrarmos ao mundo Jesus, pelo testemunho de vida.
11 de outubro de 2008
Frei Luís Gonçalves, capuchinho de Barcelos

Dinamização bíblica deve combater
a ignorância religiosa e o paganismo
(texto e foto)José António Carneiro
Estando a realizar-se em Roma, no Vaticano, o Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, o Diário do Minho (DM) entrevistou Frei Luís Gonçalves (FLG), capuchinho da comunidade de Barcelos, que se dedica, de corpo e alma, à difusão da Sagrada Escritura um pouco por todo o País.
Este sacerdote, natural de Serafão, Fafe, ordenado em 1971, destaca a importância do Sínodo em si mesmo, mas considera que ele, assim como toda e qualquer dinamização bíblica, terão de ajudar a combater uma certa «ignorância religiosa do Povo de Deus» e também um certo «paganismo» que vai imperando na actualidade. Redescobrir e desenterrar as riquezas da Dei Verbum, apostar na dinamização bíblica da catequese e das paróquias são, para este capuchinho, formas de colocar de novo a Bíblia num lugar central da vida e da missão da Igreja.
DM – Que importância tem o Sínodo sobre a Palavra de Deus?
FLG – O Sínodo é uma instância importante da vida da Igreja. Este, sobre a Palavra de Deus, há muito que o Cardeal Martini – Arcebispo Emérito de Milão – se debate por ele.
Não há dúvida que isto é como um voltar às raízes, porque a Palavra de Deus é o alicerce da Igreja.
O Papa Bento XVI, na abertura dos trabalhos sinodais, começou por citar a famosa frase de São Jerónimo – “Desconhecer as Escrituras é desconhecer Jesus Cristo”. Efectivamente, ninguém ama aquilo que não conhece e se um cristão, ou qualquer outra pessoa, desconhece a Bíblia, então não conhece Cristo e igualmente ainda O não ama.
Daí a importância deste Sínodo sobre a Palavra de Deus, porque no meio do Povo de Deus há muita ignorância religiosa.
Para vencer esta ignorância religiosa é fundamental o estudo, a reflexão, a meditação e a oração da Palavra de Deus. Sem isto, nós não iremos longe.
Vou notando que anda por aí muito paganismo e muita ignorância entre os cristãos, e até entre alguns formados a um nível superior.
Ainda recentemente, estive com uma pessoa que pensava que São Paulo era um homem pagão. Quando lhe disse que era uma judeu fervoroso ficou boquiaberta. Pois, a este caso juntam-se tantos outros, formando uma lista interminável.
DM – Face à ignorância religiosa que pode ser feito?
FLG – Perante este cenário pouco animador em relação ao conhecimento da Bíblia parece-me que a tendência se pode inverter, se se apostar na dinamização bíblica trabalhando por levar a Escritura a toda a gente, na linha do que dizia o Papa Pio XII, há mais de 50 anos, colocando uma bíblia em cada casa.
Vão aparecendo, entretanto, alguns sinais animadores. Em várias comunidades tem-se criado o hábito de passar a Bíblia de casa em casa, em vez de, por exemplo, a imagem ou oratório da Sagrada Família. A ideia é pôr a pessoas a rezar diante da Bíblia, recorrendo ao texto bíblico.
De facto, a Bíblia devia ser o sacrário de cada casa, não para estar a ganhar pó na estante, mas para estar na mesa de cabeceira levando as pessoas a pegar nela, a abri-la, folheá-la e saboreá-la.
O lugar mais nobre de cada lar cristão deveria ser deixado para a Escritura. E se é importante a nossa devoção aos Santos, mesmo com oferta de velas e flores, com mais razão deveríamos saber venerar – como do próprio Cristo se tratasse – a Bíblia.
Este poderá, com certeza, ser um caminho para renovar as famílias e fazer frente a tantos problemas e dificuldades que elas sentem.
DM – Como se desenvolvem as actividades bíblicas dos Capuchinhos?
FLG – Nas nossas acções de dinamização bíblica, procuramos dizer às pessoas que é importante ler e estudar a Sagrada Escritura, como é igualmente necessário e importante rezar a Bíblia. É pela oração com a Bíblia que se cria familiaridade com Jesus Cristo.
Esta oração bíblica – para a qual procuramos educar aqueles que participam nas nossas iniciativas – deve ser ao jeito da Lectio Divina.
Nas actividades, os aspectos introdutórios são essenciais e, aliás, são um dos problema na Igreja ao nível da Bíblia. As pessoas são sabem pegar na Bíblia, não a sabem manejar, não sabem procurar os livros e, muito menos, os capítulos e versículos da divisão interna dos textos.
Às vezes, nas formações que oriento, preparo e levo ideias interessantes e muito bonitas para comunicar, mas quando chego ao local e me apercebo do auditório que tenho pela frente, tenho que alterar a minha comunicação para falar destas noções introdutórias que são muito rudimentares na generalidade dos cristãos.
DM – Na abertura do Sínodo falou-se de uma encíclica sobre a Bíblia. Considera que faltam instrumentos para a leitura e interpretação da Bíblia?
FLG – Não creio que faltem instrumentos, mas considero que falta quem se dedique inteiramente a este serviço da dinamização bíblica. Penso que faltam pessoas que se comprometam com o anúncio da Palavra de Deus.
Com certeza, uma encíclica sobre a Bíblia será bem aceite, mas parece-me que as riquezas contidas no Concílio Vaticano II, especialmente na Dei Verbum, ainda estão enterradas.
Penso que mais de 95 por cento dos cristãos não sabe sequer da existência da Dei Verbum, que contém material fantástico para a orientação da leitura e interpretação da Bíblia.
A Dei Verbum é uma luz que está colocada debaixo do alqueire e a precisar de ser colocada no candelabro.
DM – Catequese e paróquia têm um papel essencial na transmissão da Palavra de Deus?
FLG – Totalmente. A catequese é um veículo privilegiado para a transmissão da Palavra de Deus e os catequistas são agentes indispensáveis dessa transmissão.
Infelizmente, muitos nem sequer sabem pegar na Bíblia. Como podem desempenhar a sua missão? Dificilmente poderão ajudar as crianças e os adolescentes a estabelecer uma relação de confiança e de amor com Jesus Cristo.
Claro que essas falhas na missão catequética contribuem para um fenómeno a que assistimos todos os dias: muitos cristãos mudam de religião como quem muda de camisa, porque não sabem em quem acreditam.
Em relação às paróquias, considero que é importante que os párocos sejam os primeiros a apoiar e a trabalhar pela dinamização bíblica. É essencial que assim seja e falo por experiência: nas paróquias onde o pároco tem uma particular sensibilidade bíblica, nota-se que consegue “incendiar” as pessoas para o amor e para a familiaridade com a Bíblia.
E, aqui, não valem tanto os avisos do altar… Antes, é necessário uma pesca à linha, que vá directamente junto das pessoas concretas para as desafiar.
Iniciativas bíblicas em Braga e Viana do Castelo
Eis algumas das iniciativas agendadas pelos Padres Capuchinhos de Barcelos para os próximos meses, nas dioceses de Braga e Viana do Castelo:
– Outubro
14 a 18, em Serafão (Fafe)
22 a 26, em São Martinho de Vila Frescaínha (Barcelos)
27 a 31, em Junqueira (Vila do Conde)
– Novembro
4 a 8, no arciprestado de Monção
11 a 15, em Areias de Vilar (Barcelos)
18 a 22, no arciprestado de Terras de Bouro
25 a 29, na Zona Pastoral das Taipas, do arciprestado de Guimarães/Vizela
– Dezembro
2 a 6, em Cabanelas (Vila Verde)
9 a 13, em Vila Cova (Barcelos)
16 a 20, em Nine (Vila Nova de Famalicão)
– Janeiro
Última semana, em Arcozelo (Barcelos).
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